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Mercado de ETFs segue em expansão, mas nem todos entregam boa rentabilidade; veja isso nos lançamentos de 2022

Entre os ETFs estão os de criptomoedas, em sua grande maioria, de gênero, mercado imobiliário americano, metaverso e gigantes de Wall Street

Data de publicação:14/04/2022 às 00:30 -
Atualizado um mês atrás
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Ao mesmo tempo em que apresentam crescimento expressivo no Brasil e ganham cada vez mais espaço nos mercados internacionais, os ETFs (Exchange Traded Funds) nem sempre contemplam o investidor com um rendimento positivo. Segundo dados da Economatica, dos oito fundos de índice lançados nos primeiros meses deste ano, apenas dois estão com rentabilidade positiva.

Entre os ETFs que chegaram à Bolsa neste ano estão o Investo 5 GTK (5GTK11), ETF QDFI (QDFI11), Trend US LRG (USAL11), DeFi Hash (DEFI11), Trend U Reit (URET11), Mulheres na Liderança (ELAS11), Smart Hash (WEB311) e Investo NFTs (NFTS11).

Mercado de ETFs segue em expansão, mas nem todos entregam boa rentabilidade; confira a comparação com as novidades de 2022
ETFs atrelados a criptomoedas lançados neste ano estão em queda - Foto: Envato

De acordo com o levantamento da Economatica, levando em conta o período de abertura dos fundos até o dia 11 de abril, somente os fundos de índice ELAS11 e NFTS11 se mantiveram no positivo, com retorno de 8,85% e 3,60%, respectivamente.

Por que os demais ETFs estão em queda?

Grande parte dos fundos de índices lançados neste ano no Brasil está ligada ao universo de criptoativos. E segundo os especialistas entrevistados, a queda do dólar impactou diretamente esses fundos, que são atrelados à moeda americana.

Após um longo período de valorização, este ano o dólar registrou queda de 14,55% no primeiro trimestre. Em maio do ano passado, chegou a alcançar R$ 5,90, mas acabou se desvalorizando, apresentando a maior baixa em quase 13 anos, no período analisado.

Já as criptomoedas seguem com queda acumulada de quase 30% - período entre 01 de janeiro a 13 de fevereiro - segundo dados da CoinMarketCap.

De acordo com André Meirelles, diretor de Alocação e Distribuição da InvestSmart, outros fatores como o aumento da taxa de juros básica nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e a regulação do mercado chinês também ajudaram nessa queda de desempenho desses ETFs.

Para completar a cesta de influências, Meirelles pontua que o aumento do custo de energia, por conta dos efeitos da guerra na Ucrânia, refletiu no universo das criptomoedas, já que elas precisam de energia para serem fomentadas.

O especialista aponta que, com a guerra, o bitcoin chegou a ser considerado uma reserva de valor, como é o caso do ouro, que traria segurança aos investidores – a Ucrânia inclusive chegou a receber doações em formato de criptomoedas – mas isso acabou não se concretizando.

Há especialistas que apostam que o bitcoin deve seguir a tendência de queda das ações de tecnologia, podendo chegar a US$ 30.000 até junho. “Ainda é cedo para as criptomoedas serem consideradas um instrumento de segurança. É um mercado ainda em evolução”, diz o diretor da InvestSmart.

Confira a rentabilidade dos ETFs lançados em 2022

NomeTickerSetorInício do fundoRetorno
(até 11 de abril)
Mulheres na LiderançaELAS11Gênero08 de março8,85%
Investo NFTNFTS11Metaverso04 de abril3,60%
Trend U ReitURET11Fundos imobiliários americanos22 de fevereiro-0,92%
Trend U LRGUSAL11Grandes corporações americanas10 de fevereiro-12,78%
Smart HashWEB311Internet 3.030 de março-12,64%
Investo 5 GTK5GTK11Tecnologia 5G03 de fevereiro-16,56%
DeFi HashDEFI11Finanças Desentralizadas (DeFi)17 de fevereiro-16,56%
ETF QDFIQDFI11Finanças Desentralizadas (DeFi)08 de fevereiro-43,55%
Fonte: Economatica

Os ETFs lançados em 2022

Os especialistas entrevistados para a reportagem analisaram cada ETF que compõem a lista da Economatica e apontaram pontos específicos que impactaram o desempenho de cada fundo.

A falta de conhecimento mais profundo sobre tecnologia 5G, DeFi (Finanças Descentralizadas) e Web 3.0 ajudou a contribuir com a queda na performance dos ETFs atrelados a esses mercados, como é o caso do 5GTK11, QDFI11, DEFI11 e WEB311.

Investo 5 GTK (5GTK11): internet 5G

Gerido pela Investo, o 5GTK11 é focado em empresas de infraestrutura ligados à internet 5G. Segundo Vinicius Bitzer, COO da Brasil Bitcoin, houve um certo “furor” em cima do tema, mas a partir do momento em que perceberam que essa realidade ainda não está próxima no País, os investidores começaram a retirar suas posições do fundo.

Eduardo Grubler, gestor de renda variável da Warren, aponta que essas empresas costumam ser mais expostas ao setor de tecnologia e têm forte volatilidade. “É um tipo de ativo que sobe e desce com grande facilidade”.

QDFI (QDFI11) e Defi Hash (DEFI11): Finanças Descentralizadas

Atrelado ao universo DeFi, de finanças descentralizadas, esse ETF é gerido pela QR Capital e tem patrimônio líquido de R$ 35,39 milhões. O especialista da Valor ressalta que a aplicação em massa das finanças descentralizadas deve demorar para acontecer, o que contribuiu para a perda de liquidez do fundo, com a saída dos investidores.

“O investidor de criptomoedas é imediatista. A realidade do DeFi deve, de fato, ganhar escala daqui a uns 10 anos”, avalia Bitzer.

Vinicius Bitzer, COO da Brasil Bitcoin

Já o DEFI11 está ligado à Hashdex e está sendo impactado pelos mesmos fatores do QDFI11. Lage aponta que sua liquidez está um pouco melhor do que a do fundo semelhante.

Smart Hash (WEB311): Web 3.0

Um dos mais recentes a chegar na Bolsa, o ETF WEB311 é gerido pela Hashdex e é o quinto fundo de índice atrelado ao mundo das criptomoedas que a empresa coloca na prateleira da B3 – já têm o HASH11, BITH11, ETHE11 e DEFI11.

O produto tem como objetivo permitir ao investidor alocar seus recursos nas principais plataformas de contratos inteligentes do mundo, os chamados smart contracts.

Lage aponta que o ETF está ligado a projetos tokens, principalmente em criptomoedas, o que ajuda a entender um pouco mais os fundamentos do fundo. Mas está atrelado à internet do futuro, algo que ainda deve levar alguns anos para ganhar terreno no mundo.

Trend US LRG (USAL11): big techs e grandes empresas

Em fevereiro passado, a XP Allocation Asset Management lançou o Trend CRSP U.S. Large Cap, também conhecido como USAL11.

O ETF reúne algumas das companhias de tecnologia mais badaladas do mercado norte-americano como Apple, Microsoft e Berkshire Hathaway, do investidor Warren Buffet.

Segundo Meirelles, da InvestSmart, a alta na taxa de juros básica americana impactou o desempenho dos papéis dessas companhias, “que costumam performar mal quando há aumento dos juros, pois lidam com expectativa futura de entrada de caixa”.

“Nunca foi tão caro negociar nas bolsas americanas como nos últimos dois anos, principalmente em empresas de tecnologia. Além disso, em um cenário de instabilidade, fica arriscado atrelar recursos a esses ativos”, avalia Lage.

Virgílio Lage, da Valor Investimentos

Trend U Reit (URET11): mercado imobiliário americano

Gerido pela XP Asset, o ETF URET11 chegou ao mercado em fevereiro e replica o índice FTSE Nareit Equity REITS Index, ligado ao mercado de fundos de investimento imobiliário dos Estados Unidos.

Para Grubler, da Warren, o momento econômico afetou o setor imobiliário americano, principalmente por conta da elevação dos Fed Funds (Selic brasileira). “Não é um problema do produto em si, mas sim de uma conjuntura setorial, que está sendo impactada pela desvalorização do dólar”.

Investo NFTs (NFTS11): criptoativos

Lançado pela Investo no mês passado, o ETF NFTS11 é o primeiro fundo passivo negociado em Bolsa focado em criptomoedas do metaverso, ou seja, das principais plataformas ligada aos novos universos de realidade virtual.

O ETF busca replicar o índice MVIS CryptoCompare Media & Entertainment Leaders, administrado pela MV Index Solutions (MVIS). Entre as principais criptomoedas listadas no índice, estão a das plataformas Decentraland (MANA), The Sandbox (SAND) e Axie Infinity (AXS).

Considerado um dos mais famosos fundos passivos ligados à NFTs, ganhou notoriedade com a própria divulgação da mídia sobre o envolvimento de muitas celebridades que passou a negociar esse tipo de ativo no mundo digital, como o jogador Neymar, Alexandre Arnault, filho de Bernard Arnault, do império de luxo LVMH, o músico Julian Lennon, filho do lendário Beatle John Lennon, entre outros.

“Esse assunto está se tornando mais popular com a mídia divulgando notícias sobre os NFTs, o que está despertando a atenção das pessoas, principalmente ao ver pessoas famosas envolvidas com esse tipo de ativo”.

Virgílio Lage

Mulheres na Liderança (ELAS11): elas no comando

Um dos mais recentes lançados no mercado, o ETF ELAS11 chegou ao mercado pelas mãos do banco Safra no Dia Internacional das Mulheres.

Se espelha no Teva Mulheres na Liderança, índice que conta com 71 ações de empresas da Bolsa que têm os melhores índices de participação de mulheres em sua direção.

Entre os ativos presentes no ETF estão ações das empresas Vivara, FleuryIguatemi, Magazine Luiza, entre outras.

Virgílio Lage, da Valor, afirma que ainda há poucas empresas com mulheres na liderança, mas o fundo “é saudável em longo prazo para deslanchar”.

Mercado em crescimento

Apesar da queda do rendimento desses novos ETFs, o mercado em si não para de crescer, tanto no exterior quanto no Brasil. Segundo uma pesquisa feita pela consultoria PwC, até o final de 2026 o mercado global de ETFs deve movimentar cerca de US$ 18 trilhões.

No Brasil, esse segmento ainda dá seus primeiros passos, com uma representatividade de menos de 1% do mercado mundial.

Segundo dados da Anbima, entidade que representa o mercado de fundos de investimentos, o total movimentado pelos ETFs no mudo atualmente é de R$ 6,7 trilhão e o volume de ETFs no País não chega a R$ 41 bilhões, o que demonstra um forte potencial de crescimento para esse tipo de instrumento financeiro no Brasil.

No momento atual, com alta da taxa de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos para conter a pressão inflacionária, e o conflito militar entre Rússia e Ucrânia, os ETFs se tornaram uma alternativa interessante para quem quer proteger seus investimentos, com visão de longo prazo.

Para Virgílio Lage, hoje o ETF é o melhor instrumento de diversificação de produtos. “Por meio do fundo, o investidor pode acessar várias empresas de uma vez só, com um custo menor. Além disso, estar exposto a diversos ativos ajuda a diluir o risco e garantir a diversificação da carteira”.

A tendência, segundo Meirelles, da InvestSmart, é que o mercado brasileiro tenha uma opção cada vez maior de ETFs expostos a teses diferentes. “Esse movimento já existe no País, mas ainda há diversos setores a serem explorados pelos ETFs, que ainda são pouco discutidos pelo mercado”.

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Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.