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Mercado Financeiro

Com alta de 6,1%, Bolsa lidera ranking de investimentos em março; bitcoin sobe em dólar, mas sofre revés em reais

Expectativa é de que o dólar chegue a R$ 4,50 no primeiro semestre deste ano

Data de publicação:01/04/2022 às 00:59 -
Atualizado 2 meses atrás
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O Ibovespa subiu 6,06% e liderou o ranking das aplicações em março, impulsionado pelo capital estrangeiro. A intensa chegada de recursos externos, que animou a Bolsa de Valores, derrubou o dólar, que recuou 7,70%.

O fluxo de capital estrangeiro, avaliam os especialistas, deve continuar dando o tom e a tendência desses mercados em abril. No xadrez do mercado financeiro há outras peças. Em relação à guerra na Ucrânia, a percepção é que será prolongada, ninguém arrisca um desfecho, já que a resistência ucraniana surpreende e os caminhos diplomáticos, para um acordo, não avançam.

Bolsa
Com guerra sem um norte de término, fluxo estrangeiro deve continuar dando o tom no mercado financeiro brasileiro - Foto: Envato

As preocupações globais com a inflação devem persistir no mês, mas bancos centrais temem adotar uma política monetária mais dura e provocar recessão.

A expectativa é que essas incertezas mantenham o País atraente, por ter emprendido uma política monetária austera há vários meses e indicar agora que está no fim do ciclo de alta dos juros, enquanto outros países se mostram indecisos sobre como enfrentar essa questão.

O bom desempenho da Bolsa

A B3 lidera também no ano. A valorização acumulada nos três primeiros meses do ano está em 14,48% e em 12 meses, 4,19%. O desempenho achatado em período mais longo reflete as baixas da B3 ao longo do segundo semestre de 2021.

A Bolsa de Valores fecha com forte alta um mês marcado pelo cenário de incerteza global, com a continuidade de guerra entre Rússia e Ucrânia, e de novo aperto monetário doméstico, com mais uma elevação da Selic.

Eventos que, em vez de afugentar, atraíram os investidores estrangeiros para o mercado de ações e de renda fixa.

O capital externo ingressou na B3 para a compra principalmente de ações ligadas a commodities. Dados da B3 apontam que a participação de investidores estrangeiros acumula um saldo positivo (diferença entre compras e vendas) de R$ 89,63 bilhões no ano, até 29 de março.

Empresas ligadas a commodities, principalmente exportadoras de minério de ferro, puxaram o Ibovespa para cima. A ação da Vale (VALE3), beneficiada pela demanda fortalecida pelo produto, especialmente da China, valorizou-se 7,88% em março.

Dólar permaneceu embicado para baixo

A enxurrada de dólares que continua ingressando no País, tanto para a compra de ações na Bolsa quanto para beliscar os polpudos ganhos com juros altos na renda fixa, mantém o dólar ladeira abaixo.

Especialistas entendem que o fluxo de capitais ao País tende a manter as cotações deprimidas. Não descartam a trajetória para patamares ainda mais baixos. Alguns já veem o dólar flertando com um piso em torno de R$ 4,50, pelo menos neste primeiro semestre.

Bitcoin acumula valorização de 3,55% em dólar

A moeda digital bitcoin acumulou valorização de 3,55% em dólar, cotado a US$ 45.841 no fim da quinta-feira, 31, de acordo com dados do CoinMarketCap.

Convertido para reais, contudo, a moeda acumulou prejuízo de 3,18% no período. Isso acontece porque a moeda brasileira registrou uma valorização superior frente ao dólar em março, prejudicando os ganhos dos investidores de cripto.

O especialista Safiri Felix, diretor de produtos e parcerias da Transfero, explica que a criptomoeda chegou ao fim do mês em recuperação, após sofrer pressão vendedora no início dele.

Movimento que manteve o bitcoin em processo de acumulação entre US$ 37.000 e US$ 48.000, pico de preço, durante boa parte de março.

Ganho na renda fixa sobe, mas juro continua negativo

O rendimento nominal das aplicações mais conservadoras de renda fixa subiu, acompanhando a alta da Selic, mas o juro nesse segmento permanece negativo. CDBs e fundos de renda fixa e DI renderam em março menos que a inflação de 1,28% estimada para o mês.

A expectativa é que essas aplicações mais tradicionais passem a render juro real, acima da inflação, a partir dos próximos meses, possivelmente maio. A Selic deve passar um por novo aumento no próximo mês, para 12,75% ao ano em maio, quando a expectativa é que a inflação inicie uma trajetória mais acentuada de baixa.

Balanço dos investimentos em março

Confira quanto renderam as aplicações em março pelos cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo.

Aplicação/ÍndiceVariação
1 - Ibovespa6,06%
2 - IGP-M1,74%
3 - Títulos indexados ao IPCA(*)1,73 a 1,83%
4 - Fundos Imobiliários (Ifix)1,42%
5 - IPCA (**)1,28%
6 - Fundos de renda fixa (***)0,99 a 1,99%
7 - Fundos DI (***)0,94 a 1,04%
8 - CDBs (***)0,86 a 0,96%
9 - Poupança0,60%
10 - Bitcoin (****)-3,18%
11 - Ouro-4,89%
12 - Dólar-7,70%
13 - Euro-9,33%
Fonte: Fábio Colombo

Obs.: *   indicativo

**  estimativa

***  média

**** dado do CoinMarketCap, em reais

Ranking no trimestre

Aplicação/ÍndiceVariação
1 - Ibovespa14,48%
2 - IGP-M 5,49%
3 - Títulos indexados ao IPCA (*) 4,33%
4 - IPCA (**) 2,86%
5 - Fundos DI (***) 2,65%
6 -Fundos de Renda Fixa (***) 2,63%
7 - CDBs (***) 2,40%
8 - Poupança 1,67%
9 - Fundos Imobiliários (Ifix) 0,88%
10 - Ouro-11,52%
11 - Dólar-14,63%
12 - Euro-16,60%
13 - Bitcoin (****)-18,77%
Fonte: Fábio Colombo

Obs.: *   indicativo

**  estimativa

***  média

**** dado do CoinMarketCap, em reais

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.