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Economia

Sem novidades, ata do Copom reforça novos apertos mais brandos na Selic

Autoridade monetária não sinaliza qual será a magnitude desses aumentos e mostra preocupação sobre a inflação

Data de publicação:08/02/2022 às 10:03 -
Atualizado 3 meses atrás
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou nesta terça-feira, 8, a ata de sua última reunião, que elevou a Selic, taxa básica de juros, para 10,75% ao ano. Perante ao comunicado enviado ao mercado na semana passada, o documento não trouxe novidades, além de um tom levemente mais duro.

Assim como no comunicado que acompanhou a decisão de alta da Selic na semana passada, a ata segue com a sinalização de que o BC deve fazer novos apertos menores na taxa de juros, mas não mencionou a sua magnitude.

Copom destaca preocupação com os riscos fiscais sobre a inflação e sinaliza novos ajustes em ritmo menor na taxa de juros
Com um tom mais duro, ata do Copom sinaliza preocupação do BC sobre os efeitos dos riscos fiscais sobre a inflação e novos ajustes na Selic -Foto: reprodução

“Em relação aos seus próximos passos, o comitê antevê como mais adequada, neste momento, a redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros. Essa sinalização reflete o estágio do ciclo de aperto, cujos efeitos cumulativos se manifestarão ao longo do horizonte relevante”, avaliou o colegiado.

Segundo a ata, o Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Efeitos dos riscos fiscais no avanço da inflação

O documento do BC jogou luz na inflação, pressionada diante da recente alta além do previsto no preço das commodities – especialmente o petróleo – e a elevação das incertezas do cenário fiscal, com iniciativas recentes que podem segurar os preços em um cenário de curto prazo, mas que podem piorar as expectativas de avanço do indicador no longo prazo.

“Esmorecimento no esforço de reformas estruturais e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia. Mesmo políticas fiscais que tenham efeitos baixistas sobre a inflação podem causar deterioração nos prêmios de risco, aumento das expectativas de inflação e, consequentemente, um efeito altista na inflação prospectiva”.

Comitê de Política Monetária (Copom), em ata da última reunião

Considerando a assimetria de riscos, o comitê reconheceu que suas projeções para a inflação estão acima da meta, tanto para este ano quanto para 2023. Segundo o último Boletim Focus, divulgado na véspera, as expectativas para a inflação para os dois períodos estão no patamar de 5,4% e 3,5%, respectivamente.

Com isso, o colegiado sinalizou que o ciclo de aperto monetário “deverá ser mais contracionista do que o utilizado no cenário de referência ao longo do horizonte relevante”.

O que pensam os analistas a respeito da ata do Copom?

De acordo com a avaliação dos especialistas, a ata veio relativamente em linha com o comunicado, mas as diferenças apontam para a adoção de um tom um pouco mais duro do que o projetado anteriormente.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, reforçou a sinalização do BC de que precisaria adotar uma postura monetária mais austera para buscar a convergência da inflação para a meta.

“De fato, para ter a convergência em 2022 a autoridade precisaria ser mais austera, reconhecendo que deveria ter sido mais dura, mas isso não diz respeito à condução austera indiscriminada. Trata-se de um reconhecimento que visa restabelecer a credibilidade no regime de metas”, aponta Sanchez.

Para o economista, o mercado deve passar a precificar algo “mais salgado” do que tinha em termos de expectativas para a reunião do colegiado em maio.

Outro ponto enfatizado por Sanchez diz respeito à “assimetria de alta para as expectativas no tocante ao cenário fiscal”.

“Trata-se de um posicionamento que sinaliza que as iniciativas de alívio inflacionário, que circulam no Congresso, têm efeito de curto prazo na inflação, mas deterioram as expectativas. O BC pode estar se referindo à pretensão dos políticos de reduzir impostos para diminuir o preço dos combustíveis de maneira insustentável. Essa declaração deve ecoar no mercado”.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

A Ativa segue apostando em uma alta de 1.0 ponto porcentual na Selic para a reunião de março e encerramento da taxa de juros em 11,75% em 2022. “Isso porque a partir da reunião de maio a autoridade foca apenas em 2023, quando, conforme suas próprias expectativas, o BC já tem a convergência para 3,2%”, complementa Sanchez.

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Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.