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Mercado Financeiro

Com um tom mais duro, ata do Copom deve ditar o ritmo do mercado nesta terça-feira

Investidores e gestores buscam indicação de como BC vê cenário de inflação e riscos fiscais

Data de publicação:08/02/2022 às 00:30 -
Atualizado 3 meses atrás
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Os termos da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), que elevou 1,50 ponto porcentual a Selic, para 10,75% ao ano, mas sinalizou a perspectiva de reajustes menores na taxa básica de juro daqui para a frente, devem ditar o humor e o rumo do mercado financeiro nesta terça-feira, 8.

No documento, entre os pontos principais, a autoridade monetária reconheceu que a inflação segue se mostrando "mais persistente do que o antecipado" e que o indicador está acima da meta para este ano, de 3,5% (centro), com 1,5 ponto porcentual para trás ou para frente. Segundo o último Boletim Focus, as expectativas para a inflação para 2022 e 2023 estão no patamar de 5,4% e 3,5%, respectivamente.

mercado
Edifício sede do Banco Central do Brasil

Além disso, o comitê do BC enfatizou no documento o peso dos riscos fiscais como fator de desancoragem da inflação, o que mantém o viés de alta para as projeções do indicador.

"Diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista. O Comitê enfatiza que irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas", destacou na ata.

Sobre os próximos passos, o Copom reafirmou o movimento de redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros, a Selic, mas não sinalizou qual será a magnitude da alta.

"Essa sinalização reflete o estágio do ciclo de aperto, cujos efeitos cumulativos se manifestarão ao longo do horizonte relevante. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária".

Riscos fiscais: PEC dos Combustíveis e Refis no radar

A principal fonte de preocupação na área fiscal é com a proposta de redução dos preços dos combustíveis, por meio de diminuição de impostos. Notícias de que a PEC dos Combustíveis já teria número de assinaturas suficientes na Câmara para tramitação criaram um clima mais pesado no mercado financeiro no dia anterior. Além de reduzir impostos e desonerar os preços dos combustíveis, ela cria auxílios que aumentam os gastos em R$ 17,7 bilhões em 2022.

A volta dos trabalhos no Congresso reforçou as preocupações dos mercados com a questão fiscal. Além da PEC dos combustíveis, está em debate no Congresso a proposta de Refis mais abrangente que contemplaria o refinanciamento de impostos em atraso para as empresas de todos os portes, e não apenas para pequenas e microempresas, como era a ideia inicial do governo.

Uma ampliação do rombo das contas públicas, ou pelo aumento de gastos ou pela perda de arrecadação de impostos, incha adicionalmente a dívida do governo, que precisa lançar mais títulos no mercado para se financiar com juros mais altos, o que leva a uma pressão também sobre o dólar e a inflação. Um conjunto negativo de fatores que tenderia a inibir ainda mais a atividade econômica e a expansão do PIB, estimada em 0,30% para este ano de acordo com os dados do último boletim Focus.

Não é à toa que os especialistas veem em um possível aumento do rombo das contas públicas uma das principais preocupações presentes no radar do mercado financeiro. Um risco agravado pelo calendário eleitoral, em que medidas populistas costumam ser uma das principais estratégias de candidatos para atrair e conquistar votos dos eleitores.

Foi nesse cenário doméstico de incerteza fiscal e de um dia negativo no mercado internacional, especialmente pela queda das bolsas americanas, que a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou o pregão com queda de 0,22%, em 111.996 pontos. Das 92 ações que compõem o índice, 57 delas fecharam o dia em baixa.

Em Nova York, o índice Dow Jones encerrou o dia estável, em 35.091 pontos; o S&P 500 recuou 0,37%, para 4.484 pontos, e o Nasdaq, da bolsa de tecnologia, caiu 0,58%, para 14.016 pontos.

Exterior

Nova York: futuros estáveis com espera sobre a inflação

Os futuros em Wall Street operam estáveis nesta terça-feira, enquanto os mercados aguardam pelos dados da inflação nos Estados Unidos, dado fundamental para calibrar o ritmo do aumento nos juros por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Os números sobre os preços ao consumidor do país para janeiro devem ser divulgados na quinta-feira, 11, e podem mostrar o núcleo da inflação acelerando para o ritmo mais rápido desde 1982, em 5,9%.

Já o payroll, publicado na última sexta-feira, 4, mostrou que o crescimento do salário médio por hora subiu de 4,9% para 5,7%, enquanto o número de vagas criadas nos meses anteriores foram revisadas em 709 mil para mudar radicalmente a tendência de contração.

Futuros/bolsas americanas

  • S&P 500: +0,11%
  • Dow Jones: +0,15%
  • Nasdaq 100: +0,11% (dados atualizados às 7h58)

Europa: bolsas em alta no aguardo dos dados americanos

Na velha economia, os mercados financeiros operam em alta, com os investidores aguardando os dados da economia americana. O dia segue com agenda esvaziada por lá.

Bolsas europeias/principais praças financeiras

  • Stoxx 600 (Europa): +0,24%
  • FTSE 100 (Londres): +0,28%
  • DAX (Frankfurt): +0,14%
  • CAC 40 (Paris): +0,50% (dados atualizados às 8h00)

Mercados asiáticos fecham mistos

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta terça-feira, após uma nova ofensiva dos Estados Unidos contra empresas chinesas.

O índice Hang Seng teve o pior desempenho da região, com queda de mais de 1% em Hong Kong, um dia após o Departamento do Comércio dos EUA incluir 33 entidades chinesas em uma lista de companhias sujeitas a regras de exportação mais rigorosas.

A WuXi Biologics, que teve unidades incluídas na lista, viu seus papéis despencarem mais de 20%, antes do encerramento do pregão. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Fechamento/bolsas asiáticas

  • Nikkei (Tóquio): +0,13% (27.284 pontos)
  • Kospi (Seul): +0,05% (2.746 pontos)
  • Taiex (Taiwan): +0,37% (17.966 pontos)
  • Xangai Composto (China continental): - 0,24% (3.452 pontos)
  • Shenzhen Composto (China continental): - 0,24% (2.280 pontos)
  • S&P/ASX 200 (Sydney): +1,07% (7.186 pontos)
Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.