Logo Mais Retorno
Fundos de Investimentos

Alta da inflação e dos juros traz desafio aos fundos de renda fixa; confira ranking do mês

Juros na casa de dois dígitos permitem fundos pagarem rendimento real ao investidor

Data de publicação:14/03/2022 às 00:30 -
Atualizado 2 meses atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

A guerra na Ucrânia, invadida pela Rússia em 24 de fevereiro, reacendeu em grande magnitude o temor com a escalada da inflação. E de pressão sobre os juros, pela ação de bancos centrais, para conter a alta de preços. Se por um lado, a instabilidade preocupa os gestores de fundos de renda fixa, de outro, ela permite uma reformulação da carteira, com estratégias defensivas e rentáveis ao mesmo tempo.

Desde que os juros atingiram a casa de dois dígitos, um número cada vez maior de fundos de renda fixa vem conseguindo pagar rentabilidade acima da inflação. E para que continuem com performance satisfatória algumas combinações se fazem necessárias.

fundos de renda fixa
Estratégia para os fundos de renda fixa é mesclar papeis ligados ao IPCA e aos juros - Foto: Reprodução

Fundos de renda fixa pagam ganho real em fevereiro

Entre os 10 fundos de renda fixa mais rentáveis em fevereiro, todos pagaram rendimento real líquido, depois do Imposto de Renda, ao cotista. Considerando que o IPCA ficou em 1,01%, e que a alíquota mais alta de IR é de 22,5% para quem saca em prazo de até 180 dias, o retorno líquido consegue supera a inflação.

FundoRend. fevereiroRend. 2022Rend. 12 meses
G5 AG F FF RF CP1,67%2,68% 6,62%
INFINITY TIGER ALOCAÇÃO DINÂMICA1,64%3,13%14,94%
KINEA IPCA DINÃMICO1,55%2,56% 6,24%
ITAÚ KINEA IPCA DINÃMICO1,54%2,55% 6,20%
INFINITY SELECT1,45%2,77%11,05%
CONCÓRDIA EXTRA1,44%2,18% 6,50%
ARX ELBRUS ADVISORY FIC INC. INFRA;1,39%1,19% 8,21%
ARX ELBRUS FIC. INC. INV. INFRA1,39%1,19% 8,13%
BB PREVIDENCIÁRIO TIT. PÚBLICOS1,38%1,47% 5,74$
SANTANDER INC. INFRA CDI1,38%2,03% 9,28%
Fonte: Mais Retorno

Para onde vão os juros e a inflação

A toada de alta inflacionária, que tende a levar a um movimento de subida dos juros, não é um fenômeno local, é global, comenta Leon Abdalla, analista de Investimentos da Rio Bravo Investimentos. Ela vem acontecendo por aqui e com o agravamento de expectativas, com a guerra na Ucrânia, já tem antecipado novas revisões na Selic pelos agentes.

Por enquanto, a taxa básica está em 10,75% ao ano. A expectativa é que ela suba mais um ponto ou 1,50 ponto porcentual nesta semana. O que muda é a previsão sobre a taxa básica no fim do ciclo de alta.

Em vez de algo entre 12,50% e 12,75%, analistas de mercado e economistas de bancos já têm reestimado a Selic acima de 13%. E a manutenção do juro básico em nível alto por mais tempo. Uma perspectiva que leva ao reposicionamento de gestores de fundos.  

A alta da Selic abre algumas oportunidades para um rebalanceamento em renda fixa. Abdalla diz que ela possibilita ao gestor do fundo uma recalibragem da carteira, com uma remodelação que contemple, ao mesmo tempo, uma estratégia defensiva e rentável.

Uma carteira que combina proteção e rentabilidade deve ter títulos atrelados à inflação, avalia o analista. O Tesouro IPCA para vencimento em 2023, diz ele, paga IPCA mais cerca de 6% de juro ao ano. “É juro real alto mais correção monetária, com proteção da inflação.”

Ele afirma que faz sentido ficar alocado nesse título e em outros mais curtos, “como os que vencem em 2024 e 2025”. Não faz sentido investir em papeis mais longos, como os que vencem em 2040, 2050, já que a diferença de taxas entre eles é pequena e o risco é maior.

IPCA e CDI nas carteiras dos fundos de renda fixa

Um Tesouro IPCA com vencimento em 2026 está pagando 5,68% de juro mais IPCA, enquanto um Tesouro IPCA com vencimento em 2045 remunera com 5,83% mais IPCA. “A diferença de cupom é muito baixa, entre os dois, pelo tempo de duração até o vencimento.”

Uma boa estratégia é mesclar o Tesouro IPCA, em uma carteira diversificada, com títulos pós-fixados atrelados ao CDI ou à Selic. “São menos voláteis, portanto mais seguros”, avalia. No momento, esses papeis estão rendendo em torno de 102% a 103% do CDI.

Nessa carteira diversificada e bem dosada cabem ainda títulos de crédito privado, como debêntures, “um papel que oferece proteção e rentabilidade”. Abdalla comenta que há debêntures de empresas de crédito boas com taxas prefixadas de CDI até mais 2% ao ano, com baixa volatilidade. “As prefixadas são também mais líquidas que as pós-fixadas”.

O analista da RB Investimentos diz que as debêntures atreladas ao IPCA, como as de infraestrutura, pagam prêmios acima dos juros do Tesouro IPCA. “Mas são de prazo mais longo, acima de 10 anos, e por isso têm mais volatilidade.”

Abdalla considera bem balanceada, para o momento, uma carteira de fundos de renda fixa ancorada em uma trinca formada por debêntures atreladas ao CDI, Tesouro IPCA de prazo mais curto e Tesouro Selic.

Lucas Claudio Pires, especialista da SVN Investimentos, sugere ainda apimentar essa carteira com letras, como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e as LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio). “É uma forma de diminuir a volatilidade da carteira”. Com um lembrete, o do cenário de eleições. “Teremos um possível aumento de volatilidade no mercado.”

Fundos de renda fixa campeões em fevereiro

Os fundos de renda fixa com uma carteira mais arrojada e diversificada, com títulos de crédito privado, foram os mais bem-sucedidos em fevereiro.

O levantamento exclusivo da Mais Retorno, a partir de sua base de dados, apontou que 10 fundos, de 1.657 pesquisados, renderam, em termos líquidos, mais que a inflação de 1,01% do mês.

O rendimento dos 10 mais bem performados superou também a variação de 0,76% do CDI, o benchmark dessa classe de ativos, no período.

O líder em desempenho em fevereiro foi o G5 AG F FI RF CP, que acumulou rentabilidade de 1,67%, seguido do Infinity Tiger Alocação Dinâmica, com 1,64%.

Os fundos da Infinity Asset Management são os que mais brilharam, tanto no mês quanto no ano e em 12 meses. O Infinity Tiger Alocação Dinâmica FI RF ficou em segundo lugar no ranking de fevereiro, mas lidera no ano e em 12 meses. Foi campeão no ano, com rendimento acumulado de 3,13% (acima da inflação de 1,56%), e em 12 meses, com ganho de 14,94%.

Outro fundo da Infinity Asset, o Infinity Select FI RF CP, não ficou atrás, ocupando posição de destaque nas duas listas. No ranking de fevereiro, aparece em quinto lugar, com 1,45%, mas é primeiro no ano, com 2,77%. No balanço de 12 meses, é o quarto entre os cinco mais rentáveis, com rendimento acumulado de 11,05%.

Os mais rentáveis em 12 meses

Levando em conta que o IPCA acumulado em 12 meses está em 10,54%, esses cinco fundos proporcionaram rendimento real, ao menos em termos nominais, e os quatro primeiros, em termos reais.

FundoRend. 12 meses Rend. fevereiroRend. 2022
INFINITY TIGER ALOCAÇÃO DIN.14,94%1,64%3,13%
SCHRODER PREMIUM 45 ADVISORY12,09%0,91%1,86%
SUL AMÉRICA PREMIUM REF11,22%0,82%1,62%
INFINITY SELECT11,05%1,45%2,77%
CA INDOSUEZ TENACE10,59%1,06%1,72%
Fonte: Mais Retorno

Leia mais

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.