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Empresas listadas na bolsa: Consumo não Cíclico

As empresas do setor ficam menos expostas às variáveis econômicas e têm demanda linear

Data de publicação:10/01/2022 às 02:15 -
Atualizado 22 dias atrás
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A bolsa de valores é marcada por volatilidade. É natural que as cotações das empresas sigam os resultados trimestrais e, de acordo com eles, os investidores realizem movimentos de compra e venda. Mas alguns papéis tendem a uma estabilidade maior, como os de consumo não cíclico.

Nem sempre acompanhar as oscilações de mercado é tarefa fácil. Para para quem não tem condições ou não gosta de acompanhar de perto as muitas variáveis econômicas, talvez essas empresas de consumo não cíclico sejam uma opção mais indicada.

É sobre elas que vamos falar no artigo de hoje, explicando quais são as principais características do setor, as suas vantagens e, claro, os riscos aos quais estão expostas também — afinal, não existe um segmento seguro e perfeito na renda variável.

O que são empresas de consumo não cíclico?

O nome do segmento de consumo não cíclico é bastante intuitivo, concorda? Ele reúne aqueles negócios que possuem uma baixa influência de sazonalidade ou de demanda mensal, apresentando uma demanda mais linear do que outros setores.

Empresas de consumo não cíclico contam uma demanda mais linear - Foto: Reprodução

De certo modo, embora não seja uma regra, podemos dizer que são empresas menos arriscadas na medida em que são menos vulneráveis a fatores econômicos conjunturais. É o caso, por exemplo, do setor de alimentação.

Imagine que o país entre em crise e você, com algum receio do que pode acontecer com o seu emprego, opte por revisar alguns gastos. É possível que a academia seja cortada, mas o mercado continuará sendo feito — afinal, nós precisamos manter a nossa alimentação por questões de saúde e sobrevivência.

Neste simples exemplo, você já pode entender a principal particularidade de uma empresa de consumo não cíclico (como são, inclusive, os supermercados). Esse grupo de negócios é menos exposto aos ciclos econômicos, mantendo uma boa parte da sua demanda mesmo em momentos de maior adversidade.

Além disso, é comum que as empresas de consumo não cíclico reúnam produtos e serviços considerados como essenciais pela população. É justamente essa característica que garante uma demanda linear e com baixa sazonalidade.

Quais são as empresas de consumo não cíclico na bolsa de valores?

Apenas pela descrição que compartilhamos no tópico anterior, é bem provável que você já tenha uma boa noção de empresas que fazem parte do consumo não cíclico. E parte importante delas está diretamente relacionada ao segmento alimentício, mas podemos incluir também produtos de higiene e limpeza.

Vamos então conhecer quais são as companhias de consumo não cíclico listadas na Bolsa de Valores, na B3.

Agricultura

O agronegócio é extremamente importante para a economia brasileira. E, não por acaso, reúne uma boa quantidade de empresas listadas na Bolsa de Valores, na B3, dentro do consumo não cíclico.

Aqui, além da produção nacional, as companhias atuam como exportadoras, atendendo à demanda global por alimentos. Isso é positivo para o investidor, que pode obter uma diversificação geográfica.

Empresas de agricultura na bolsa de valores

  • 3tentos (TTEN3)
  • AgriBrasil (GRAO3)
  • Agrogalaxy (AGXY3)
  • Boa Safra (SOJA3)
  • BrasilAgro (AGRO3)
  • Grupo Vittia (VITT3)
  • Jalles Machado (JALL3)
  • Pomifrutas (FRTA3)
  • Raízen (RAIZ4)
  • São Martinho (SMTO3)
  • SLC Agrícola (SLCE3)
  • Terra Santa (TESA3)

Proteínas

Assim como acontece com as do agronegócio, as companhias de proteínas têm um forte viés exportador. Isto é, elas atendem à demanda global e, ao mesmo tempo, beneficiam-se de um dólar mais alto por esse motivo.

Ao mesmo tempo,  o segmento sofre uma maior pressão ambiental já que a criação de animais é um agressor do meio ambiente, especialmente por conta da emissão de poluentes, CO2.

Empresas de proteínas na bolsa de valores

Bebidas e alimentos

Fecham ainda o grupo das empresas produtoras de alimentos aquelas que produzem bebidas (caso da gigantesca Ambev) e produtos alimentícios como o trigo (caso da M. Dias Branco).

Empresas de alimentos na bolsa de valores

  • Ambev (ABEV3)
  • Camil (CAML3)
  • Josapar (JOPA3, JOPA4)
  • M. Dias Branco (MDIA3)
  • Oderich (ODER3, ODER4)

Supermercados

Outro tipo de negócio que se encaixa bem no consumo não cíclico são os mercados. Embora eles não produzam diretamente os alimentos (pelo menos a maior parte deles), essas empresas atuam diretamente na intermediação entre produtores e consumidores.

Supermercados na bolsa de valores

Outros

Assim como acontece em outros segmentos, alguns negócios não se encaixam exatamente nos grupos anteriores, mas também apresentam como característica uma baixa sazonalidade. É o caso de uma pet shop, ainda mais nos dias atuais em que os animais se converteram em verdadeiros membros da família.

Outros negócios não cíclicos na bolsa de valores

Quais são as vantagens do setor de consumo não cíclico?

A grande vantagem do setor de consumo não cíclico é a baixa sazonalidade. Como a demanda é inelástica (isto é, menos sensível aos ciclos econômicos), as empresas do setor contam com mais facilidade para fazer suas projeções de demanda e faturamento.

Por isso, elas contam com maior resiliência mesmo diante de períodos mais desafiadores da economia. Como vimos na introdução, a população segue precisando comprar alimentos, proteínas, entre outros itens de negócios não cíclicos. E essa acaba por ser uma vantagem competitiva desse grupo de empresas.

A baixa sazonalidade é fator de estabilidade e previsibilidade aos investidores. No entanto, isso não significa que não exista volatilidade para as ações de empresas desse grupo. Isso vale especialmente para aqueles períodos de crise sistêmica, nos quais todos os ativos são afetados de alguma maneira.

E, justamente pela maior previsibilidade de demanda, as empresas de consumo não cíclico costumam ser pagadoras de dividendos aos seus acionistas. Não é uma regra, pois em ciclos de crescimento podem reter os lucros para novos investimentos, mas é uma tendência.

Quais são os riscos do setor de consumo não cíclico?

Se a demanda inelástica é um ponto positivo em relação à segurança e estabilidade, ela se converte em um desafio quando as empresas de consumo não cíclico pensam e planejam o seu crescimento.

Pelas próprias características, é improvável que um evento específico gere um aumento de vendas significativo. Além disso, o mercado costuma apresentar forte concorrência, o que torna o crescimento de lucros um desafio recorrente para o setor.

Outro ponto de atenção é a mudança de hábitos por parte do consumidor. Ao longo dos últimos anos, a preocupação ambiental vem elevando o número de vegetarianos ao redor do mundo. E isso, claro, afeta diretamente o segmento de proteínas, por exemplo.

Como a maior parte das empresas de consumo não cíclico trabalham com exportação, há ainda o risco cambial. Isto é, a variação do dólar em relação à moeda local afeta diretamente os resultados financeiros das companhias — para o bem ou para o mal.

Vale a pena investir em empresas de consumo não cíclico?

Diante de um cenário de demanda inelástica, será que faz sentido investir em empresas de consumo não cíclico? De um modo geral, são negócios interessantes para quem busca investir em empresas que dependam menos do ciclo econômico.

Há também uma certa diversificação geográfica, principalmente considerando negócios exportadores. No entanto, existem também os desafios particulares do segmento, em especial para estratégias que visam o crescimento.

Portanto,  o ideal é montar uma carteira balanceada, trabalhando com ativos que pertençam aos diversos setores da bolsa de valores para diluir os riscos e obter os resultados desejados.

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