Empresa

O setor de bens industriais é um dos maiores que temos na nossa Bolsa de Valores. Se por um lado isso indica uma grande variedade de empresas em que podemos investir, também traz uma maior complexidade na análise.

Pensando nisso (e também em ajudar nossos leitores com investimentos em ações), resolvemos iniciar uma série de artigos com análises setoriais individualizadas. Assim, você pode ter um verdadeiro guia para cada segmento, compreendendo se vale ou não a pena investir em cada um deles.

Hoje, vamos começar justamente pelo setor de bens industriais, permitindo que você tenha maior intimidade com as companhias disponíveis para investir no mercado financeiro. Vamos lá!

O que é o setor de bens industriais?

Não é fácil definir o setor de bens industriais brasileiro em poucas palavras. O motivo é bem simples: esse é um grupo formado por muitas empresas que pertencem à indústria nacional, mas através de segmentos distintos.

E o que isso quer dizer na prática para o investidor? Que a análise do setor vai exigir um maior estudo e aprofundamento em cada segmento que forma o setor industrial, justamente um dos mais relevantes para a economia brasileira.

Não podemos, portanto, simplesmente generalizar as vantagens e riscos de cada grupo de empresas. Por maior que seja a relevância de cada um deles para o nosso país, cada categoria está exposta a diferentes cenários e fatores econômicos.

Quais são os principais segmentos do setor de bens industriais?

Como você já viu lá na introdução, a indústria brasileira abriga o maior volume de empresas da nossa Bolsa de Valores. Portanto, seria bastante inviável e improdutivo olhar para todas elas, até porque algumas oferecem produtos e serviços bem específicos.

Para ajudá-lo a entender melhor o que cada segmento tem a oferecer, elencamos abaixo os principais. Também aproveitamos para trazer exemplos de empresas, assim você já consegue ampliar a sua familiaridade com o setor.

Construção e engenharia

O primeiro segmento que você precisa conhecer no setor de bens industriais é de construção. Aqui, existem dois grandes grupos de empresas:

  • Materiais de construção: são companhias que vendem produtos para obras do setor imobiliário. É o caso de Portobello (revestimentos) e da Eternit (telhas e sistemas construtivos).
  • Engenharia: aqui temos as empresas que atuam em projetos de engenharia estrutural. Podem envolver rodovias, metrôs, aeroportos, imóveis, entre outros.

Neste segmento, o maior risco é o ciclo econômico. Projetos de engenharia são de longo prazo, algo que pode impactar diretamente no retorno do investimento inicial em caso de aumento das taxas de juros. Da mesma forma, materiais de construção dependem da demanda do setor imobiliário.

Exemplos de empresas de construção e engenharia:

  • Azevedo & Travassos (AZEV3, AZEV4)
  • Eternit (ETER3)
  • Haga (HAGA3, HAGA4)
  • Inepar (INEP4)
  • Mills (MILS3)
  • Portobello (PTBL3)
  • Priner (PRNR3)
  • Sondo Técnica (SOND3, SOND5, SOND6)
  • Tecnosolo (TCNO3, TCNO4)
  • Wetzel (MWET3, MWET4)

Máquinas e equipamentos

Passando para o segundo segmento dentro dos bens industriais, temos as empresas que atuam produzindo máquinas e equipamentos. Como o próprio nome sugere, elas fornecem produtos para outras companhias. É o modelo B2B (Business to Business).

Esse cenário traz uma certa dependência da demanda do próprio segmento de atuação. Desta forma, naturalmente é necessário ampliar o horizonte na análise de investimentos. Essas organizações podem ainda ser divididas em alguns grupos:

  • Armas: são empresas que atuam na produção de armas de fogo. Na Bolsa de Valores do Brasil, atualmente temos uma única empresa disponível — a Taurus Armas.
  • Agrícolas: atuam no mercado agrícola, fornecendo ferramentas como discos agrícolas, facas e lâminas para cortes e tratores. No Brasil, as duas principais companhias do setor são a Metisa e a Stara. Podemos considerar também a Kepler, focada em armazenamento.
  • Industriais: um dos setores mais abrangentes é de produção industrial. Aqui temos empresas que atuam com refrigeradores (Metalfrio), pás para energia eólica (Aeris Energy) e produtos industriais (Romi).
  • Motores e compressores: por fim, em termos de peças motorizadas, temos como exemplo uma das empresas favoritas dos investidores (a WEG). Outra empresa bem popular é a Schulz, que tem compressores como principal produto.

Exemplos de empresas de máquinas e equipamentos:

  • Aeris Energy (AERI3)
  • Bardella (BDLL3, BDLL4)
  • Battistella (BTTL3)
  • Electro Aço Altona (EALT3, EALT4)
  • Fras-Le (FRAS3)
  • Kepler Weber (KEPL3)
  • Metalfrio (FRIO3)
  • Metalúrgica Riosulense (RSUL3, RSUL4)
  • Metisa (MTSA4)
  • Minas Maquinas (MMAQ3, MMAQ4)
  • Nordon Indústrias Metalúrgicas (NORD3)
  • Pratica Klimaquip (PTCA3)
  • Romi (ROMI3)
  • Stara (STTR3)
  • Schulz (SHUL3, SHUL4)
  • Taurus Armas (TASA3, TASA4)
  • WEG (WEGE3)

Transportes

O setor de transporte e logística é outro que pode sofrer algumas divisões. Em primeiro lugar, temos as empresas que atuam na produção automotiva em si. É o caso da produção de ônibus (Marcopolo) e de aviões (Embraer), mas também de peças automotivas (Tupy e Randon).

Além disso, há também a execução do transporte de cargas e pessoas em si. Neste caso, mais uma vez podemos recorrer à segmentação, considerando que temos transporte aéreo (Azul e Gol), ferroviário (Rumo), hídrico (Hidrovias do Brasil) e rodoviário (JSL e Tegma).

O maior problema do setor, em especial neste segundo grupo, está no endividamento. Empresas de aviação, por exemplo, possuem receitas em reais quando atuam no turismo, mas os custos são em dólar. Essa relação não é interessante para a companhia dada a fragilidade da nossa moeda.

Para as empresas que atuam no Brasil, o ponto de atenção passa para o preço do combustível. Aumentos em virtude da influência política ou mesmo pelo preço das commodities (principalmente do petróleo) podem encarecer as viagens e reduzir a lucratividade.

Exemplos de empresas do segmento de transportes:

  • Azul (AZUL4)
  • BBM Logística (BBML3)
  • Embraer (EMBR3)
  • Ferrovia Centro Atlântica (VSPT3, VSPT4)
  • Gol (GOLL4)
  • Grupo Vamos (VAMO3)
  • Hidrovias do Brasil (HBSA3)
  • JSL (JSLG3)
  • Log-in Logística (LOGN3)
  • Porto Sudeste (PSVM11)
  • Recrusul (RCSL3, RCSL4)
  • Rumo (RAIL3)
  • Marcopolo (POMO3, POMO4)
  • MRS Logística (MRSA3B, MRSA5B, MRSA6B)
  • Randon (RAPT3, RAPT4)
  • Santos Brasil (STBP3)
  • Tegma (TGMA3)
  • Trevisa (LUXM3, LUXM4)
  • Tupy (TUPY3)
  • WLM (WLMM3, WLMM4)

Exploração de rodovias

Falando em meios de transporte, não podemos nos esquecer das empresas que atuam na exploração de rodovias. Existem inúmeras listadas na Bolsa de Valores, mas algumas são bem conhecidas como CCR e EcoRodovias.

Em resumo, a atuação do segmento consiste na construção e na manutenção das rodovias. Em contrapartida, após a concessão do espaço, elas obtém receitas por meio da cobrança de pedágios. As receitas são protegidas pela inflação, pois os reajustes acompanham indicadores da categoria (como IPCA ou IGP-M).

Por outro lado, existem dois pontos de atenção bem importantes. O primeiro diz respeito ao risco político, pois os preços podem sofrer interferência do governo. Além disso, o setor atua com projetos de longo prazo e com alguma complexidade de execução — cenário que exige endividamento. Ou seja, uma elevação da taxa de juros pode prejudicar a rentabilidade dessas operações.

Exemplos de empresas do segmento de transportes:

  • CCR (CCRO3)
  • EcoRodovidas (ECOR3)
  • Invepar (IVPR4)
  • Triunfo Participações (TPIS3)

Serviços diversos

Por fim, a abrangência do setor de bens industriais traz um cenário em que algumas empresas oferecem serviços bem particulares e específicos que não se enquadram nas categorias que vimos anteriormente.

Apenas para que você os conheça e saiba da possibilidade de investir pela Bolsa de Valores, citamos alguns exemplos abaixo:

  • Atendimento: ATMA (ATMP3)
  • Certificação de documentos: Valid (VLID3)
  • Educação digital: Dtcom (DTCY3)
  • Gestão de estacionamentos: Estapar (ALPK3)
  • Relacionamento com clientes: Flex Gestão de Relacionamentos (FLEX3)

Quais são as vantagens do setor de bens industriais?

Como mencionamos ao longo do artigo, não há como generalizar o setor de bens industriais pela complexidade e diversidade de empresas. No entanto, agora que você já conhece algumas particularidades, existem benefícios comuns a eles.

O primeiro deles está na importância da atividade para a economia nacional. Ainda que o país enfrente uma crise, empresas agrícolas seguem demandando produtos, pessoas continuam pagando pedágios em rodovias e emitindo documentos, para citar alguns dos processos industriais.

Além disso, muitas das companhias do setor possuem clientes internacionais também. Acaba por ser uma maneira indireta de diversificação global, uma vez que algumas delas podem ter receitas em dólares.

Por fim, a variedade de companhias do setor de bens industriais oferece uma diversificação interna. Isto é, ainda que não seja recomendável, é possível montar uma carteira diversificada apenas com empresas desse setor.

Quais são as desvantagens do setor de bens industriais?

Se a abrangência de companhias é positiva na hora de oferecer cenários distintos ao investidor, a análise setorial não é tão eficaz como em outros segmentos. Isso porque cada grupo de empresas está inserido em um ambiente completamente diferente dos seus pares. Para o investidor iniciante, esse pode ser um problema na medida em que é necessário ter uma análise mais aprofundada das empresas antes de investir.

Outro ponto de atenção é que muitos negócios precisam assumir um alto índice de alavancagem (endividamento) para a execução das suas atividades. E alguns deles ainda possuem projetos de longo prazo, aumentando as incertezas para o seu futuro.

Afinal, vale a pena investir no setor de bens industriais?

Diante de tudo que falamos, você pode perceber que há uma grande complexidade no setor de bens industriais brasileiro. Isso pode ser positivo ou negativo, dependendo da sua afinidade e interesse pelo mercado financeiro. O lado negativo é a maior dificuldade de analisar os ativos, enquanto que temos como positivo uma série de oportunidades distintas.

O fato é que o setor de bens industriais é um dos mais importantes da economia brasileira. Desta forma, é sempre bom estar de olho nas empresas listadas e, quando fizer sentido, adicioná-las na nossa carteira de investimentos.

Uma forma de monitorar o desempenho do segmento está no INDX, um índice industrial criado pela B3. Além das atividades industriais, essa carteira fictícia também contempla consumo (cíclico e não cíclico), assim como saúde e tecnologia da informação.

Para encerrar, vale sempre lembrar que a nossa recomendação é para uma carteira de ações diversificada. Essa é, afinal, a melhor forma de mitigar os riscos da renda variável e, ao mesmo tempo, maximizar os potenciais ganhos com os seus investimentos.

Imagem do autor

Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

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