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Renda Variável

Bradesco e Taesa estão entre as apostas do Banco Inter para dividendos em fevereiro

Entre elas estão empresas do setor de bancos, elétricas, seguros, saúde e saneamento

Data de publicação:17/02/2022 às 00:30 -
Atualizado 3 meses atrás
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Para o investidor que gosta de compor sua carteira direcionada para dividendos, o Banco Inter traz algumas recomendações de papéis em seu portfólio deste mês. São empresas de setores diversos – desde elétricas, grandes bancos, mineradoras, seguradoras, até companhias de saúde – que tem entregado um dividend yield entre 6% e 16%.

Em seu portfólio de dividendos, a instituição financeira aposta em empresas que estão se destacando na atual temporada de balanços, como o Banco do Brasil e BB Seguridade, que apresentaram lucro líquido significativo no quarto trimestre de 2021 e fecharam o ano com saldo positivo.

Confira as apostas do Banco Inter para compor uma carteira focada em dividendos
Inter aposta em companhias como bancos, seguradoras, elétricas, operadoras de saúde, entre outros - Foto: Envato

Ainda no setor financeiro, que é um pagador constante de proventos, o Inter destaca o Bradesco. Nas elétricas – que também deixam os acionistas com o bolso cheio – estão a Energias Brasil, Taesa e Isa Cteep. E entre as mineradoras e siderúrgicas, os olhos do banco se voltam para a Vale – que no ano passado chegou a pagar R$ 8,10 por ação – e para a Gerdau.

Para o Inter, a expectativa é de que as empresas apresentem resultados semelhantes aos observados ao longo de 2021, “com setores que performaram bem, encerrando o período com receitas e margens ainda em patamares elevados, e setores que mostraram evolução no ano, mantendo a tendência positiva de recuperação.

Aversão ao risco

Em um momento no qual o cenário macroeconômico está pautado por incertezas, buscar proteção nos dividendos é uma estratégia considerada interessante pelos investidores brasileiros, que acabam compondo uma carteira com empresas mais sólidas, com pouca previsão de investimentos internos e baixa exposição ao risco doméstico.

Para o Inter, apesar de alguns dados econômicos terem vindo melhor do que o esperado no fim do ano passado – como o indicador de atividade do Banco Central em alta de 0,33% em dezembro, que refletiu o avanço da indústria, serviços e varejo – no curto prazo o cenário deve seguir desafiador para o crescimento econômico.

“Em função do crédito mais restritivo, da massa salarial das famílias comprometida pela inflação e desemprego e pela incerteza eleitoral”, explica o banco.

Em relação à inflação, apesar de o IPCA ter desacelerado para 0,54% em janeiro, o indicador deve seguir impulsionado pelo avanço das commodities e pela persistência de alta nos preços de bens industriais e serviços, “além de apresentar inércia preocupante”.

Em um ambiente de baixa probabilidade de cumprimento do intervalo da meta da inflação em 2022, o Banco Central tem adotado uma política monetária mais contracionista. O mercado estima um avanço para a Selic, taxa básica de juros do País, para 12,25% até maio e se mantendo nesse patamar até o fim do ano.

“Dessa forma, o custo de crédito deve seguir com tendência de alta, com impactos negativos para a demanda e a atividade nos próximos meses”, prevê.

Confira a carteira de dividendos do Inter - fevereiro/22

EmpresaTickerSetorPreço-alvo (R$)Preço atual (R$)*Dividend Yield
Banco do BrasilBBAS3Bancos38,0033,546,8%
BB SeguridadeBBSE3Seguradoras36,0023,376,2%
BradescoBBDC4Bancos28,0021,174,8%
CopasaCSMG3Saneamento17,0013,327,1%
Energias do
Brasil
ENBR3Elétricas24,0020,197,5%
GerdauGGBR4Siderurgia38,0027,7811,1%
OdontoprevODPV3Saúde18,0012,153,9%
TaesaTAEE11Elétricas39,0037,4812,0%
Transmissão
Paulista (Isa Cteep)
TRPL4Elétricas27,0023,7515,1%
ValeVALE3Mineração109,0091,5716,0%
Fonte: Banco Inter (*até 14/02/2022)

Confira a análise do Banco Inter sobre esses papéis

Confira as apostas do Banco Inter para compor uma carteira focada em dividendos
Foto: Banco do Brasil / Reprodução

Banco do Brasil (BBSA3): descontado e proventos

Segundo o banco, o balanço do BB segue sólido e demonstrando capacidade de manter seu payout nos atuais 40% e perspectiva e dividend yield de 8,0% para 2022.

“O Banco do Brasil continua sendo beneficiado com um resultado acima da média com tesouraria e com bom desempenho na Previ. Além disso, segue com excelente qualidade de crédito e um nível de capital confortável”, aponta o Inter.

Negociando a múltiplos muito abaixo do histórico e a 0,6x patrimônio, na visão do Inter, o BB traz uma boa oportunidade não só em proventos, mas também em ganho de capital.

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Foto: Reprodução

Bradesco (BBDC3 e BBDC4): preço e dividend yield atrativo

As ações do gigante financeiro estão descontadas – estão sendo negociadas a 7x o lucro esperado para 2022, abaixo da média histórica e com um dividend yield projetado de 7,3% - o que torna atrativa a remuneração via dividendos.

“O Bradesco mostrou recuperação nos lucros em 2021, recorde de R$ 26,2 bilhões, vindo de um bom desempenho na margem financeira, recuperação do resultado com seguros e receitas com serviços”, ressalta o Inter.

Outro destaque foi o crescimento da carteira de crédito expandida, de 18,3%, superando o teto do guidance da companha e em linha com as expectativas dos analistas do banco digital, “refletindo o forte crescimento das operações de cartão de crédito, crédito pessoal e consignado, financiamento imobiliário, rural e outros, avançando dois dígitos”.

Confira as apostas do Banco Inter para compor uma carteira focada em dividendos
Foto: Reprodução

Energias do Brasil (ENBR3): resultados e dividendos

Um dos pontos altos da Energias do Brasil é sua diversificação, pois atua em toda a cadeia do setor elétrico, incluindo geração, transmissão e distribuição. Na parte de geração, a elétrica se destaca por sua capacidade instalada – cerca de 2,9GW – e por possuir uma termoelétrica, o que ajuda a diversificar sua matriz.

Em transmissão possui duas linhas já em fase operacional e quatro que estão em construção, além de duas distribuidoras localizadas em São Paulo e Espírito Santo, além de parte da Celesc.

“Em distribuição, esperamos que o 4º trimestre ainda apresente bom patamar de volume consumido, mas com certos sinais de estagnação. Os reservatórios começaram a apresentar boa evolução, o que deve refletir, ainda de forma tímida, nas margens desse segmento”, analisa o Inter.

As apostas do banco, que têm como projeção um dividend yield crescente para a companhia nos próximos anos, é que a atividade de transmissão deve contribuir para engordar a geração de caixa.

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Foto: Reprodução

BB Seguridade (BBSE3): mais proventos em 2022

Um dos pontos altos da BB Seguridade é o modelo de negócio resiliente, que conta com a utilização do canal bancário do Banco do Brasil para escoar seus produtos. “Seu balanço leve em ativos acaba proporcionando altos níveis de rentabilidade”, ressalta o Inter.

Os resultados de 2021 foram positivos para a companhia, que apresentou um lucro líquido de R$ 3,9 bilhões, com destaque para o resultado da Brasilprev, que cresceu 10,3% e da BB Corretora, de 8,3%.

“Nossas estimativas foram superadas. Esperávamos um resultado operacional com queda de 1,2% e prêmios emitidos com crescimento de 14%. Com ROE esperado em média de 60% e payout projetado normalizando em 85%, a BB Seguridade continua atrativa para quem busca bons proventos”, reforça o banco digital.

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Foto: Reprodução

Gerdau (GGBR4): diversificação e inovação

Com exposição a diferentes segmentos da cadeia do aço e a diferentes geografias, a Gerdau está bem-posicionada para aproveitar as oportunidades e sobrepor os desafios projetados para 2022, na opinião dos analistas do banco.

No segmento de longos, a expectativa do Inter é que a demanda siga estável, proveniente de investimentos de infraestrutura esperados para o ano. “Lembrando que no 3º trimestre de 2021, a companhia anunciou proventos no valor total de R$ 2,8 bilhões, totalizando R$ 1,62 por ação”.

Apesar de projetar uma possível desaceleração para o setor em geral, o banco acredita que a diversificação geográfica da Gerdau deve seguir beneficiando seus resultados, com destaque para a sua operação na América do Norte, com a demanda aquecida na região.

“Isso beneficia as margens, apesar das pressões inflacionárias, que devem ser parcialmente compensadas pela queda no preço da sucata no trimestre”, destaca.

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Foto: Reprodução

Isa Cteep (TRPL4): geração de caixa constante

Focada em transmissão, a Isa Cteep ganha relevância pela constância na geração de caixa ao longo do tempo. “Atualmente os empreendimentos que estão em fase operacional e em construção somam mais de R$ 4,2 bi de RAP (Receita Anual Permitida) ao ano”, pontua o Inter.

No geral, com resultados positivos no 3º trimestre, a companhia seguiu evoluindo na entrega de projetos, com bom controle de custos, o que levou ao crescimento dos resultados operacionais.

“Acreditamos que o 4º trimestre também siga nessa linha, com crescimento da receita operacional e resultados. Diante disto, soma-se uma boa e constante distribuição de proventos”, avalia.

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Foto: Reprodução

Taesa (TAEE11): geração de caixa

Também atuante no segmento de transmissão de energia elétrica, a Taesa apresenta um risco muito baixo, na opinião do banco, uma vez que esse tipo de companhia é remunerado pela disponibilidade das linhas e não pelo volume de energia que transmitem. “Outro ponto é que a receita é estipulada pelo órgão regulador e corrigida pela inflação”, complementa.

Com grande parte de seu faturamento corrigido pelo IGP-M – que atingiu mais de 30% em 12 meses – a previsão do Inter é que a elétrica siga com bons resultados.

“Como a Taesa trabalha com uma estrutura enxuta de custos, suas margens são bem elevadas, o que acaba se desdobrando em um retorno interessante para o acionista. Atualmente, esperamos que o dividend yield da empresa fique em torno de 7,2% e 9,5% para 2021 e 2022, respectivamente, algo bem atrativo e acima da Selic e inflação”, enfatiza o banco.

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Foto: Reprodução

Vale (VALE3): yield menor em 2022, mas ainda robusto

Beneficiada pelo bom momento de mercado para as commodities em geral, a Vale tem apresentado resultados operacionais robustos. “A estrutura operacional da companhia tem evoluído e seu custo de produção é um dos menores da indústria mundial”, elucida o Inter.

A expectativa é que os resultados da mineradora do 4º trimestre de 2021 devam refletir um certo impacto da queda no preço do minério de ferro, compensado parcialmente pelo aumento nas vendas e resultados acentuados no segmento de metais básicos, prevê o banco.

“Com preço-alvo esperado para 2022 de R$ 109 por ação, esperamos além do retorno implícito, a manutenção das boas expectativas de dividendos da companhia”.

Confira as apostas do Banco Inter para compor uma carteira focada em dividendos
Foto: Reprodução

Odontoprev (ODPV3): sinistralidade sob controle

Em contraste com outras operadoras de saúde, que operam com planos não somente odontológicos, a Odontoprev tem conseguido manter a sinistralidade abaixo dos níveis históricos, além de registrar um crescimento orgânico positivo de vidas.

Para o Inter, por ter um modelo de negócio maduro e estruturado, forte capacidade de geração e caixa e planos de difícil replicabilidade, a empresa deve continuar pagando dividendos atrativos ao longo dos próximos anos.

“Além das boas perspectivas para pagamento de dividendos, fruto da forte geração de caixa combinada com um payout de 90% (em 2020), acreditamos que a empresa ainda tenha um bom potencial de valorização, dado nosso preço-alvo de R$ 18,00 para 2022”.

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Foto: Reprodução

Copasa (CSMG3): gestão de custos

Considerada uma das maiores empresas de saneamento no Brasil e atuante em Minas Gerais, a Copasa vem apresentando evolução na gestão de seus custos, o que, segundo o Inter, pode desdobrar em maior geração de valor para o acionista.

Outro ponto favorável, segundo o banco, é que a empresa tem uma política de dividendos interessante, que envolve a distribuição de cerca de 25% a 50% dos lucros de forma recorrente, além dos pagamentos extraordinários.

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.