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Hashdex: criptos valorizaram 102% em 2021; quais as perspectivas para este ano?

Tokenização de ativos financeiros deve incrementar o setor de empréstimos

Data de publicação:19/01/2022 às 02:30 -
Atualizado 4 meses atrás
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Embora tenha caído em dezembro, o segmento de criptoativos encerrou 2021 comemorando uma valorização média anual das principais moedas digitais de 102%, medida pelo Nasdaq Cripto Index, ou NCI, da bolsa de Nova York. Mais ainda, segundo a gestora Hashdex, esse mercado inicia de forma otimista o ano de para 2022, apostando no fortalecimento maior do segmento.

Em carta mensal enviada a seus investidores, a Hashdex explica a queda do mercado no último mês do ano, faz um retrospecto do segmento em 2021 e coloca em perspectiva alguns caminhos a serem trilhados pelos criptoativos em 2022.

Hashdex
Foto: Unsplash

Em dezembro

Depois de ter alcançado sua máxima história no início de novembro, com o NCI acima dos 4.200, o mercado de cripto fechou dezembro no vermelho. O grande volume de liquidação de margens de contratos futuros logo na primeira semana do mês potencializou a queda e levou o índice a nível próximo de 3.700 pontos, com o Bitcoin chegando a bater os US$ 43 mil.

No fim de dezembro, o mês o Bitcoin se recuperou e atingiu os US$ 49 mil, mas o NCI caiu 21,3% para próximo dos 3.200 pontos. Os analistas ressaltam que o Bitcoin e Ethereum apresentaram as menores perdas entre os criptos, mas o que caiu menos foi o Uniswap.

O que foi 2021 para os criptos

A carta destaca que o segmento ganhou popularidade no ano passado, quando o cripto deixou de ser apenas uma moeda, para poder demonstrar o seu potencial como um novo paradigma de plataforma computacional. O destaque alcançado se refletiu nos preços dos ativos: o Bitcoin fechou o ano com valorização de 59%, e o Etherum, de 398%, sendo que outros protocolos apresentaram retornos até mesmo acima disso.

“Cripto foi, mais uma vez, a classe de ativos de maior retorno no ano, atingindo um valor de mercado total de mais de US$ 2 trilhoes.”

Hashdex

Embora a valorização acentuada dos ativos já tenha ocorrido em anos anteriores, a diferença apontada pelos analistas é que o cripto “está deixando de ser uma inovação de nicho para atingir dezenas de milhões de consumidores".

Traduzindo um pouco isso em números: o total mensal de usuários ativos da MetaMask, a maior carteira digital de criptos, saltou de 1 milhão em outubro de 2020 para mais de 10 milhões em agosto de 2021. Já em novembro, três meses depois, chegou a 21 milhões.

O mesmo fenômeno se repetiu nos diversos sub-segmentos. Em DeFi, setor que compreende as soluções de Finanças Descentralizadas, o volume total de recursos depositados em criptos cresceu mais de seis vezes no ano, ultrapassando a marca dos US$ 100 bilhões.

Outro segmento que se destacou foi o de tokens não fungíveis, os NFTs, que atraiu de celebridades a grandes empresas, saindo do zero para atingir US$ 10 bilhões.

Não à toa, a indústria de Venture Capital alocou o maior volume de investimentos para o setor no ano passado: foram US$ 25 bilhões, total 8 vezes superior ao de 2020.

Avanços em 2021

Os analistas elencam três pontos, iniciativas de governos e empresas, que foram expressivos para o setor e devem fortalecer o mercado de criptos.

Mercosul

O presidente Jair Bolsonaro assinou, junto com líderes da Argentina, Uruguai e Paraguai, uma declaração para a Integração Digital do Mercosul. O documento reconhece a importância de uma estratégia comum para o bloco econômico e atribui à tecnologia blockchain “um papel importante no fomento da inovação, na melhoria dos serviços aos cidadão e nas medidas antifraude”.

Segundo a gestora, o Brasil já possui uma regulação das mais avançadas sobre produtos financeiros com exposição a criptoativos. Condição que pemitiu à Hashdex, em abril de 2021, o lançamento do primeiro ETF de índice de criptoativos do mundo. No dia 9 de dezembro, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que traz uma regulação mais ampla dos criptoativos. O PL será agora apreciado no Senado.

FMI

O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Gita Gopinath, sugeriu diretrizes globais para a regulação de criptos. Como grande parte das exchanges não é sujeita à regulação de nenhum Estado, a capacidade de controlar o acesso dos cidadãos a esse mercado é bastante limitada.

A declaração se insere em contexto de intensa atividade dos Estados e reguladores ao redor do mundo para proteger os usuários de cripto e assegurar a soberania nacional. A China, que implementa restrições crescentes a esse mercado desde 2013, divulgou em setembro de 2021 uma série de novas medidas para conter a adoção de cripto no país. Nesse mesmo mês, na Rússia, o Banco Central proibiu os fundos mútuos de investir em criptos.

Enquanto isso, o governo indiano caminha para aprovar a Cryptocurrency and Regulation of Official Digital Currency Bill. Já os reguladores do Reino Unido estão impondo limites à publicidade de produtos de investimento em cripto e investigando possíveis violações por empresas como Coinbase, Kraken, eToro e Exmo.

Apesar de casos em que a regulação excessiva dificulta ou, até mesmo, iniviabiliza as atividades relacionadas aos criptoativos, a regulação na medida correta é positiva e ajuda a trazer confiança aos investidores.

Hashdex

Visa

A gigante do setor de pagamentos anunciou que vai estender o escopo dos seus serviços de consultoria para atender desde o desenvolvimento de produtos de cripto até a atuação nos segmentos de NFTs e de moedas digitais dos bancos centrais.

A Visa já está envolvida em diversas iniciativas com cripto: além de ter solicitado registro de diversas patentes com a tecnologia blockchain, a empresa lançou cartões de pagamento com cripto em mercados da Ásia e está desenvolvendo um mecanismo para facilitar pagamentos entre diferentes blockchains.

Finanças descentralizadas

Para os especialistas da Hashdex, as fintechs exercem atualmente o papel de aproximar os participantes institucionais do mercado financeiro tradicional do ecossistema das Finanças Descentralizadas, DeFi.

Eles relatam que empresas globais de pagamento, como Pay Pal, ou grandes players locais como Mercado Pago, no Brasil, já introduziram em seus aplicativos a possibilidade de comprar e vender criptoativos. Embora sejam iniciativas centralizadas, os especialistas acreditam que em breve os aplicativos poderão estar integrados a aplicações descentralizadas.

Um dos principais potenciais desse mercado, segundo a Hashdex, está na tokenização de ativos financeiros tradicionais, permitindo que centenas de bilhões de dólares em ativos, hoje muitas vezes ilíquidos, possam ser transacionados de forma rápida e segura.

Nesse universo, um dos setores de maior interesse é o de empréstimos, nos quais ativos digitais ou ativos reais tokenizados podem servir como garantia para a tomada de crédito a taxas inferiores às normalmente cobradas pelas instituições tradicionais.

O crescimento dos NFTs e o setor de games

Os especialistas ressaltam que iniciado há poucos anos como um experimento – uma forma de representar características únicas em ativos digitais – transformou-se ao longo de 2021 em um dos pilares fundamentais para uma nova economia, em que criadores e usuários são os maiores beneficiados.

Os NFTs representam primitivas tecnológicas que servem como “blocos de lego” para a construção de produtos dos mais diversos, desde a base para um novo movimento cultural, baseado em propriedade intelectual digital, até aplicações do mundo real, como cartórios ou certificados de autenticidade.

Um dos setores mais impactados foi o de games, com o surgimento de um novo conceito, chamado de play-to-earn. Neste formato, tudo que é conquistado é do usuário.

Quem tem mais tempo ou habilidade troca suas horas de jogo por dinheiro, vendendo os itens conquistados para aqueles que possuem mais recursos e menos disponibilidades para evoluir no jogo por conta própria. Trata-se de uma nova economia.

Diferentemente de outros setores mais sujeitos à regulação, o contexto lúdico da economia criativa é um convite à experimentação. "Não é à toa que artistas e grandes marcas estão encontrando terreno fértil para construírem sua presença digital. Seja com jogos, com arte digital ou, mais recentemente, com a popularização do conceito do metaverso, novos casos de uso surgem quase que diariamente", traz a carta.

Nesse ambiente, beneficiam-se não apenas os protocolos específicos de NFTs, mas todas as plataformas que viabilizam essas aplicações. O Ethereum, por exemplo fortaleceu sua participação, mantendo-se consistentemente na faixa dos 60% de mercado nos últimos meses.

A economia do entretenimento se posiciona como um dos setores com maior potencial para 2022. Esse ecossistema, em suas mais variadas vertentes, continuará a ser uma das principais portas de entrada para o universo cripto.

Por meio delas, milhões de novos usuários, ainda pouco familiarizados com a tecnologia, poderão entender de forma prática o funcionamento das carteiras digitais e das transações em blockchain. 

O desempenho dos ativos da Hashdex

FundosDez/2021Em 2021
Hashdex 20 NCI-4,01%26,06%
Hashdex 40 NCI-8,65%48,68%
Hashdex 100 NCI-21,71%107,97%
Bitcoin 100%-18,32%73,41%
Ouro Bitcoin Risk Parity-1,61%14,47%
Fonte: Hashdex

A gestora foi a responsável por lançar no Brasil o HASH11, o primeiro ETF de índice de cripto do mundo. Depois, lançou também ETFs com exposição individual ao Bitcoin (BITH11) e ao Ethereum (ETHE11). Os três produtos, em conjunto, atraíram mais de 130 mil clientes e atingiram um volume de R$ 3,1 bilhões de reais.

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Sobre o autor
Regina Pitoscia
Editora do Portal Mais Retorno.