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Mercado Financeiro

Bitcoin vai derreter em 2022? Especialistas da Hashdex e da Uniera comentam o cenário

2022 deve ser o ano da consolidação de ideias da revolução digital

Data de publicação:29/12/2021 às 05:00 -
Atualizado 6 meses atrás
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Uma pesquisa recente realizada com mais de 500 investidores institucionais em diversos países pela Natixis Investments Managers e coordenada pela CoreData Research mostra que 30% dos especialistas esperam uma derrocada do bitcoin e das criptomoedas em 2022. Especialistas do mercado de cripto, no entanto, estão otimistas com a valorização desses ativos no próximo ano.

"Na virada de 2020 para 2021, muitos diziam que os criptoativos caíram depois de o bitcoin ter triplicado de valor em um trimestre. O valor dobrou antes de termos uma correção maior e o ano foi de forte valorização. Quem investe em cripto precisa estar sempre preparado para uma queda forte, por vezes, longa. Mas não é porque subiu demais que cairá em breve", explica João Marco Cunha, gestor de portfólio da Hashdex, maior gestora de cripto da América Latina.

criptomoedas
Analistas comentam se bitcoin deve derreter ou ganhar ainda mais força em 2022 - Foto: Reprodução

O diretor de investimentos da Uniera, uma exchange de cripto, Caio Villa, compartilha da mesma opinião e ressalta, ainda, que "desde quando o bitcoin custava US$ 4, as pessoas falam que ele vai cair". O especialista afirma que o que tem se mostrado até aqui, porém, é exatamente o oposto e considera que o próximo ano para as criptomoedas será "extremamente positiva".

O que esperar do bitcoin em 2022?

Villa pontua que 2022 será um ano de consolidação para algumas ideias da revolução digital que foram apresentadas ao público geral em 2021, como o metaverso, os NFTs (tokens não fungíveis, na tradução), além dos próprios criptoativos.

O especialista explica que a entrada de grandes e tradicionais empresas do mundo físico no universo digital, envolvendo negócios com criptomoedas, desenvolve um sentimento de mais confiança nos investidores de varejo para com os ativos digitais. Ao mesmo tempo, o surgimento de novos criptoativos aumenta a competitividade num mercado ainda muito menor que o mercado financeiro tradicional, favorecendo o desenvolvimento de novas tecnologias.

"A mudança do nome do Facebook trouxe enorme atenção para a questão do metaverso. Outras empresas já fizeram esse movimento. Isso é positivo para os criptoativos, não apenas aqueles diretamente relacionados a metaverso e NFTs, como toda a cadeira de infraestrutura por trás, como as plataformas de smart contract nas quais esses protocolos operam".

João Marco Cunha, da Hashdex

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Mineradores e valorização do bitcoin e criptoativos em 2022

O diretor de investimentos da Uniera comenta que muitos mineradores de cripto passaram a "segurar" os seus ativos em vez de vendê-los logo na sequência, o que era, até então, o mais comum de se acontecer, "até porque eles têm as suas contas a pagar a partir do dinheiro que recebem com isso".

Villa explica que esses profissionais estão mantendo as moedas digitais em suas carteiras porque, com base em diversos estudos e projeções, esperam uma alta nas criptomoedas no próximo ano.

O especialista ressalta, ainda, que não enxerga, no horizonte de 2022, nada de muito negativo que possa atrapalhar o desempenho dos criptoativos. Ele destaca que é natural que as moedas passem por alguns momentos de baixa ao longo do ano, mas a tendência principal é de valorização.

Fundos de investimento em bitcoin e criptoativos

Enquanto cresce o conhecimento acerca do metaverso e dos criptoativos, os especialistas consideram natural que cresçam, também, as opções de investimento e o interesse dos investidores por este universo. "Certamente, o número de produtos de investimento ligados à cripto irá crescer aqui no Brasil. É normal que, diante de uma classe de ativos nova, a oferta de produtos comece mais simples e, com o tempo, vá se sofisticando", afirma o gestor da Hashdex.

No Brasil, uma das principais formas de acompanhar o mercado de cripto é por meio dos fundos de investimento multimercado que investem no setor. Além disso, os ETFs (fundos passivos que replicam outros índices) que acompanham criptomoedas também ganharam força no cenário doméstico. Em 2021, novos produtos foram lançados, ao mesmo tempo em que o número de investidores também aumentou.

Principais ETFs de bitcoins e criptomoedas no Brasil

  • BITH11 ou QBTC11: acompanha a variação do Bitcoin.
  • ETHE11 ou QETH11: acompanha a variação do Ethereum.
  • HASH11: é um mix de moedas digitais, com maior peso em Bitcoin, mas ajustado periodicamente.

Alguns dos principais fundos ativos de criptomoedas no Brasil

Bitcoin: a regulamentação das criptomoedas

"Um dos principais avanços de regulação no horizonte é a liberação de ETFs de criptoativos spot no mercado dos EUA. Até agora, a SEC (Comissão de Valores Mobiliários americana) frustrou todas as tentativas, mas é possível que o panorama mude no ano que vem, especialmente diante da fraca performance relativa dos ETFs de contratos futuros de bitcoin permitidos por lá".

João Marco Cunha, da Hashdex

Caio Villa acredita que 2022 será o ano da regulação das criptomoedas. O especialista comenta que em vários lugares do mundo o assunto já está avançando entre os órgãos regulatórios, o que é bastante positivo, pois inibe golpes e deixa o mercado mais profissional.

Criptomoedas e bitcoin como um investimento de longo prazo em 2022

É comum ouvir por aí que as criptomoedas são uma boa opção de investimento para fugir das variações do mercado tradicional causadas pelos movimentos macroeconômicos. Em contrapartida, Cunha destaca que os ativos digitais estão cada vez mais presentes na carteira dos grandes investidores institucionais, o que os torna mais suscetíveis aos efeitos de aversão a risco, fuga para liquidez e outros movimentos característicos desses investidores.

"Por esse lado, o aumento de juros para contenção da inflação nos países desenvolvidos joga contra os criptoativos. Por outro, a tese do bitcoin como reserva de valor ganha cada vez mais adeptos, que operam a criptomoeda de olho nas métricas de inflação. Dessa forma, o cenário atual ajuda a valorizar o bitcoin e, indiretamente, os demais criptoativos", afirma o gestor da Hashdex.

Villa pontua que as "criptomoedas boas" podem oferecer boas rentabilidades quando pensadas como um investimento de longo prazo. No entanto, o especialista destaca que é importante estar atento a qualidade dos ativos, a fim de não depender "do tweet de alguma celebridade" para ditar a volatilidade.

Desempenho de algumas das principais criptomoedas em 2021

CriptomoedaVariação em 2021Cotação em 01/01/2021Cotação em 23/12/2021
Bitcoin (BTC)91,15%R$ 150.730,83R$ 288.127,62
Ethereum (ETH)505,85%R$ 3.836,08R$ 23.240,99
Litecoin (LTC)43,52%R$ 648,15R$ 930,21
The Sandbox (SAND)1.595%R$ 0,19R$ 35,52
Fontes: Coinbase e Infomoney
Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno