Mercado Financeiro

Não é novidade que as criptomoedas vêm ganhando cada vez mais espaço entre investidores ao redor do mundo. Aqui não é diferente. Para atender ao interesse crescente, só nesta semana, dois fundos de índice (ETFs, na sigla em inglês), que acompanham essas moedas digitais, estrearam no mercado brasileiro.

O primeiro deles foi lançado nesta quarta-feira, 4, pela QR Asset Management, gestora de recursos da holding QR Capital, sob o código QETH11. O fundo, que é o primeiro com 100% de exposição à moeda Ethereum da América Latina, viveu um primeiro pregão de valorização na B3, a Bolsa de Valores brasileira. Sua variação do dia foi positiva em 7,93%, sendo negociado a R$ 10,47.

ETFs de criptomoedas
Dois ETFs de criptomoedas estrearam na B3 esta semana: um acompanha Ethereum e o outro, Bitcoin

O outro lançamento da semana fica por conta da Hashdex. Com início das negociações nesta quinta-feira, o ETF é composto por bitcoin e é apresentado pela gestora como um ativo sustentável. O código do fundo na Bolsa é BITH11

Ethereum

O ETF de Ethereum da QR Capital, além de ser o primeiro da América Latina, é o segundo do mundo (atrás apenas de um do Canadá) com uma exposição total ao ether, que é o token da rede ethereum - comumente chamado pelo mesmo nome. A taxa de administração do fundo é de 0,75% ao ano.

De acordo com o CEO da gestora, Fernando Carvalho, a escolha pelo ether na composição deste fundo vem em um momento de valorização do ativo, sendo hoje a segunda criptomoeda mais utilizada por investidores. Somados, bitcoin e ether possuem mais de US$ 1 trilhão de valor de mercado, o que representa cerca de dois terços do total de mercado de criptoativos.

"O ether é usado como remuneração para todas as aplicações que rodam na rede ethereum e o ativo tem se valorizado muito ao longo de 2021 por conta dos diversos casos de uso de sucesso de aplicações e protocolos relacionados com finanças descentralizadas (DeFi) e stablecoins", explica Carvalho.

O CEO ainda afirma que o uso e desenvolvimento dessas aplicações na rede gera cada vez mais demanda pelo token, o que valoriza e fortalece a moeda.

A gestora, que também é responsável pelo QBTC11, ETF com 100% de exposição ao bitcoin, tem como estratégia manter os produtos monoativos, ou seja, acompanhando apenas uma criptomoeda. Dessa forma, o investidor tem uma maior autonomia na hora de escolher os ativos que vão compor a sua carteira de investimentos.

Segundo a QR Capital, o QETH11 busca acompanhar o desempenho do CME CF Ether Reference Rate, um dos índices mais amplos e seguros do mercado, usado também pela Chicago Mercantile Exchange Group, maior bolsa de derivativos do mundo.

Cerimônia de Bell Ringing da QR Capital, que aconteceu nesta quarta-feira, na B3 | Foto: Caue Diniz

ETF verde de Bitcoin

A Hashdex, gestora a trazer o primeiro fundo de índice de criptomoeda para a Bolsa brasileira, é responsável também pelo primeiro ETF verde de bitcoin do Brasil. O ativo, negociado pelo código BITH11, busca replicar índice Nasdaq Bitcoin Reference Price, desenvolvido pela Nasdaq, que acompanha o preço do Bitcoin denominado em dólares, e terá taxa de administração de 1% ao ano.

O ETF contará com a parceria da empresa alemã Crypto Carbon Ratings Institute (CCRI), provedora de uma metodologia globalmente reconhecida para cálculo de emissão de carbono em redes blockchain, explica a gestora.

Com base nos cálculos desenvolvidos pela CCRI sobre o consumo de energia e emissão de carbono relativos ao processo de mineração dos bitcoins adquiridos pelo fundo, o ETF reduzirá sua pegada de carbono e deve investir em projetos que viabilizam a manutenção do meio ambiente.

Roberta Antunes, Chief of Growth da Hashdex, considera que “o bitcoin pode contribuir muito para incentivar o uso de energia limpa. Queremos antecipar esse movimento e oferecer ao investidor um produto que estimule o potencial sustentável do ativo”.

ETFs de criptomoedas na B3

Os ETFs de criptomoedas começaram a aparecer na Bolsa de Valores, na B3, ainda em 2021.

Até hoje, considerando esses dois últimos lançamentos, há quatro destes fundos de índice listados na B3. No radar, a perspectiva de mais uma novidade em breve por parte da Hashdex.

Confira quais são os outros ETFs de criptomoedas presentes na Bolsa, além do QETH11 e do BITH11.

  • HASH11

Lançado pela Hashdex, este fundo de índice foi o primeiro de criptomoedas do Brasil. O ETF busca replicar o desempenho do Nasdaq Crypto Index (NCI), índice desenvolvido pela gestora em parceria com a Nasdaq, e tem como objetivo apresentar retornos que correspondam em reais à performance do benchmark.

O HASH11 tem taxa de administração de 1,3% ao ano e, de acordo com dados da B3, atualmente está na segunda colocação dos ETFs com maior número de cotistas.

  • QBTC11

A QR Asset Management desenvolveu, em junho, o QBTC11, primeiro ETF com 100% de exposição ao Bitcoin da América Latina. O fundo busca acompanhar o índice CME CF Bitcoin Reference Rate, que é referência na negociação dos contratos futuros de Bitcoin pela Chicago Mercantile Exchange Group, bolsa de valores dos Estados Unidos.

A taxa de administração do ETF é de 0,75% ao ano.

  • ETHE11

Recentemente, a Hashdex anuciou que recebeu aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o lançamento de um ETF integralmente exposto ao Ethereum. O código de negociação do ativo será ETHE11.

A previsão de lançamento do fundo é ainda em agosto. No entanto, a gestora não confirmou mais infomações.

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Repórter na Mais Retorno

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