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Renda Fixa

Como fica o rendimento das aplicações de renda fixa com a Selic a 12,75%

Rendimento nominal sobe, mas ganho real vai depender da inflação

Data de publicação:06/05/2022 às 00:30 -
Atualizado 15 dias atrás
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alta da taxa básica de juros, a Selic, de 11,75% para 12,75% ao ano, aumenta a atratividade das aplicações de renda fixa.

A decisão, tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), nesta quarta-feira, 4, amplia o ganho nominal de todas as aplicações com rendimento atrelado a juros - desde títulos a fundos de renda fixa.

renda fixa
Projeções de inflação do mercado para maio e junho despencam, e ganho real pode ser maior na renda fixa

A nova Selic de 12,75% ao ano passará a remunerar o investidor em renda fixa com uma taxa pouco acima de 1,00% ao mês. Uma melhora e tanto se comparada com a de 2,00% ao ano, ou algo em torno de 0,18% ao mês, em vigor pouco mais de 12 meses atrás.

Simulação para aplicação de R$ 1 mil com a nova Selic

InvestimentoRendimento
bruto (R$)
Desconto do
IR (R$)
Rendimento
líquido (R$)
Retorno
ao investidor (R$)
LCA (97% CDI)1.123,68 --1.123,681.035,02
LCI (80% CDI)1.102,00 --1.102,001.015,05
CDB (100% CDI)1.127,50 28,691.098,811.012,12
Tesouro Selic1.124,68 24,941.099,751.012,98
Fundos DI *1.119,33 23,871.095,461.009,03
Poupança1.089,25 --1.089,251.003,31
Fundos DI (2) **1.113,70 22,741.090,961.004,88
Fonte: Mais Retorno

(*) Fundos com taxa de administração de 0,5% ao ano

(**) Fundos com taxa de administração de 1% ao ano

De forma geral, de acordo com analistas, a Selic em novo patamar acena com perspectivas ainda mais positivas para a renda fixa.

Até porque o Banco Central já adiantou, em comunicados pós-Copom, que estenderá o ciclo de aperto monetário, com um ajuste de menor magnitude, na próxima reunião, marcada para junho.

Um juro de 1% ao mês anima o investidor, mas a atratividade da taxa, em termos reais, vai depender do comportamento da inflação no período.

O que se pode afirmar, por enquanto, é que a Selic mais elevada melhora o rendimento nominal. O ganho real, acima da inflação, não está ainda de todo garantido para o investidor.

Um vetor importante será também a tendência da inflação. Uma trajetória prevista por analistas como de acentuada baixa a partir deste mês.

A inflação estimada para maio, de acordo com as projeções de economistas do mercado financeiro no boletim Focus, está em 0,28% - bastante abaixo, portanto, da Selic em torno de 1% ao mês. O IPCA previsto para junho está em 0,41%, também abaixo do juro básico.

Remuneração de fundos DI já vem subindo

A rentabilidade dos fundos DI com a carteira formada por Letra Financeira do Tesouro (LFT) já vem aumentando. Como esse título público está indexado à Selic, que subiu para 12,75% ao ano, a alta do juro reflete no ganho do fundo, diz Alex Hirai, gestor de fundos de crédito da Rio Bravo.

Os fundos de crédito privado também se beneficiam desse movimento, via elevação do juro CDI, que segue a Selic. O juro já vem precificado no ativo, em geral debêntures, acompanhado de algum spread de crédito. A junção dos dois forma o conjunto do rendimento.

O spread é a parcela móvel da rentabilidade do título de renda fixa. Se a Selic mais alta eleva o custo da dívida e houver percepção de aumento de risco sobre a capacidade da empresa de honrar o compromisso, o investidor vai exigir mais spread, avalia Hirai.

Um prêmio maior leva à desvalorização do título no mercado e impacta negativamente a rentabilidade do fundo.

“É importante que o investidor verifique o risco que a empresa emissora tomou para dar rentabilidade vendo os papeis que o gestor colocou na carteira do fundo”.

Alex Hirai, da Rio Bravo Investimentos

Taxa do CDB pode chegar a 106% do CDI

A elevação da Selic influencia também os juros de CDB. A remuneração depende de vários fatores, mas principalmente do risco do emissor, em geral associado a seu tamanho, se grande ou pequeno.

“Em bancos de menor porte, a taxa de remuneração pode chegar a 105%, 106% do CDI”, afirma o gestor da Rio Bravo. Em bancos de maior porte, segundo Hirai, é difícil o investidor encontrar uma taxa acima do CDI.

“Vai depender da política ou estratégia do banco”, explica. “E também de quanto o banco está cobrando para emprestar o dinheiro captado.”

Estratégias na renda fixa para o novo cenário

Victor Zucchi Meneghel, especialista em renda fixa da Valor Investimentos, diz que a sinalização pelo Banco Central de seguir com o ciclo de alta da Selic até a reunião de junho deve levar a um ajuste dos juros no mercado.

“Um deles é uma elevação dos juros prefixados de curto prazo, com vencimento em 2023 e 2024”.

Victor Zucchi Meneghel, da Valor Investimentos

Esse movimento de juros futuros, segundo o especialista, favorece os ativos de vencimentos mais curtos, como os títulos públicos e privados, prefixados e pós-fixados, indexados à inflação.

Ele aponta como interessantes o Tesouro IPCA e Tesouro Selic, além de títulos bancários, como CDB, e de crédito privado, como as debêntures incentivadas. “Principalmente para quem for investir um dinheiro novo.”

A perspectiva de ajuste dos juros, segundo Meneghel, beneficia os ativos pós-fixados, porque têm a remuneração indexada à Selic. Dentre os títulos públicos, ele destaca o Tesouro Selic, ofertado no Tesouro Direto.

A taxa básica de 12,75% ao ano deve permanecer nesse patamar até o fim de 2022, de acordo com as estimativas do Boletim Focus. A inflação prevista pelo IPCA no ano está em 7,89%, abaixo, portanto, da Selic.

Como a inflação acumulada em três meses do ano está em 3,20%, presume-se que, pelas projeções estampadas no Focus, o IPCA suba mais 4,54% ao longo dos próximos nove meses, incluído abril.

Ou cerca de 0,50% de inflação a cada mês até o fim de 2022. Uma inflação mensal abaixo da Selic em torno de 1% ao mês.

Além do Tesouro Selic, o investidor encontra oportunidades também em títulos bancários, como CDBs, e de crédito privado, principalmente as debêntures incentivadas, isentas de imposto para pessoa física, aponta o especialista.

“São títulos que têm a rentabilidade indexada ao CDI, mas quando a Selic sobe leva junto também o juro CDI", pontua Meneghel.

Como fica a rentabilidade da renda fixa

A tabela com simulação de rendimentos dá uma ideia de quanto renderia uma aplicação de R$ 1.000 pelo período de um ano em diversos ativos de renda fixa remunerados pela nova taxa básica de 12,75% ao ano.

Ou pelo juro CDI - uma versão privada da Selic - usado pelos bancos no repasse de recursos no mercado interbancário – ambos andam quase colados. Quando a Selic sobe, sobe junto também o juro CDI.

Quem aplica R$ 1.000 em um CDB remunerado pelo CDI de 12,75% ao ano chegará ao fim do período de 12 meses de aplicação com um rendimento bruto de R$127,50.

A soma do capital inicial de aplicação com o rendimento dará R$1.127,50. É um valor bruto, que, após o desconto do imposto de renda, de R$ 28,69, dará uma quantia líquida de R$ 1.098,81.

Esse será o valor nominal de resgate, que terá o valor real, o do poder de compra, reduzido pra R$ 1.012,12, se descontada a inflação projetada no período.

Quem aplica R$ 1.000 no Tesouro Selic, título público com juro pós-fixado indexado à Selic, terá um rendimento bruto, após 12 meses, de R$124,68, já descontada a taxa de custódia.

O capital inicial somado com o rendimento do período dará um valor nominal de R$ 1.124,68. O líquido, após o desconto de R$ 24,94 de imposto, cairá para R$ 1.099,75.

A quantia pelo seu valor real, de poder de compra, terá sido achatada para R$ 1.012,98 descontada a inflação projetada no período.

Uma aplicação de R$ 1.000 em um fundo DI, com carteira de títulos indexados à nova Selic, renderá R$ 119,33, já descontada a taxa de administração de 0,50% ao ano. O capital aplicado mais o rendimento dá um valor nominal de R$ 1.119,33.

Descontado o imposto de R$ 23,87, o valor líquido recuará para R$ 1.095,46. O valor medido pelo poder de compra, após o desconto da inflação estimada para o período, terá sido reduzido para R$ 1.009,03.

Já uma aplicação de R$ 1.000 em um fundo DI, com carteira de títulos indexados à nova Selic e cobra uma taxa de administração de 1% ao ano, renderá R$ 113,70, já descontada a taxa. O capital aplicado mais o rendimento dá um valor nominal de R$ 1.113,70.

Descontado o imposto de R$ 22,74, o valor líquido recuará para R$ 1.090,96. O valor medido pelo poder de compra, após o desconto da inflação estimada para o período, terá sido reduzido para R$ 1.004,88.

Quem aplica R$ 1.000 em uma poupança, com remuneração equivalente a 8,93%, terá na conta um rendimento de R$ 89,25, isento de imposto de renda, após o período de 12 meses.

Somado ao valor inicial, o de resgate será R$ 1.089,25, que recuará, medido pelo poder de compra, para R$ 1.003,31, com a dedução da inflação estimada para o período.

Uma aplicação de R$ 1.000 em uma LCA (Letra do Crédito do Agronegócio) por taxa correspondente a 97% do CDI ou 12,37% renderá R$ 123,68 no fim de 12 meses. Um ganho líquido, isento de imposto, que, somado ao capital aplicado, leva a um valor nominal de R$ 1.123,68.

Mas seu valor real, medido pelo poder de compra, terá sido rebaixado para R$ 1.035,02, descontada a inflação projetada para o período.

Quem aplica R$ 1.000 em uma LCI (Letra de Crédito Imobiliário) taxa equivalente a 80% do CDI ou 10,20% obterá um rendimento de R$ 102,00. Isento de imposto de renda, esse será também o ganho líquido. Somado ao capital aplicado, o valor que vai para a conta será de R$ 1.102,00.

O valor medido pela manutenção do poder aquisitivo, contudo, terá recuado para R$ 1.015,05, após o desconto da inflação.

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Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.