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Chegada oficial da Shein no Brasil tende a pressionar varejistas

Empresa já abriu escritório no País, um CD e está conversando com fornecedores locais

Data de publicação:24/02/2022 às 00:30 -
Atualizado 3 meses atrás
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A gigante chinesa Shein, considerada a maior fast-fashion do mundo, está de malas prontas para desembarcar oficialmente no Brasil. E essa chegada pode aumentar a pressão sobre os concorrentes como C&A, Lojas Renner e Riachuelo, Hering, entre outros, de acordo com avaliação da XP.

Chegada oficial da Shein no Brasil pode incomodar varejistas de moda focados em baixa renda
Chegada oficial da Shein no Brasil pode aumentar a pressão em cima das concorrentes brasileiras - Foto: Reprodução

Segundo reportagem do portal NeoFeed, a varejista está montando uma estrutura local para expandir sua operação no País, para ampliar o atendimento ao público brasileiro. Recentemente, a empresa abriu um escritório e estruturou um Centro de Distribuição (CD) no Brasil, além de estar à procura de parcerias com fornecedores locais.

A oportunidade de expansão da atuação no País surgiu quando a Shein começou a ganhar terreno no mercado por vender produtos importados de qualidade e preço baixo via internet.

Assim como outras gigantes chinesas do setor de moda como a Shopee e Aliexpress, a Shein adotou a venda por aplicativo como sua estratégia de entrada no mercado brasileiro. Em 2021, segundo dados da consultoria Sensor Towers, o app da marca foi o mais baixado do mercado de moda em 2021.

Diferenciais competitivos e desafios para a Shein no Brasil

Em um relatório assinado por Danniela Eiger, head de Varejo, Thiago Suedt e Gustavo Senday, analistas de Varejo da XP, a casa de análises aponta que as varejistas focadas em média e baixa renda podem ser impactadas por três principais atrativos da Shein: a velocidade e a atualidade dos itens de moda, seu vasto sortimento e posicionamento de preço bastante competitivo.

Como desafios para a Shein no Brasil, a casa de análises aponta fatores como o prazo de entrega – atualmente, gira em torno de 30 dias, o que poderia ser resolvido com a produção local - a falta de multicanalidade e o processo de logística reversa como obstáculos para a escala do marketplace da companhia.

Além disso, a XP pontua outro fator que se soma a esse cenário ligado às discussões locais sobre elevar a fiscalização e tributação dos produtos importados, “a fim de melhorar a competitividade de produtos brasileiros”.

“Mas é importante monitorar os próximos passos da Shein, uma vez que sua estrutura local – seja com mais CDs, possíveis lojas ou pop-ups e fornecimento local – pode endereçar esses pontos”.

Especialistas da XP, em relatório sobre a varejista chinesa

Quem serão as redes varejistas de moda mais impactadas com essa expansão?

Em relação às empresas que devem sentir com mais intensidade a chegada oficial da Shein, na visão da XP, são gigantes como a C&A, Lojas Renner e a Hering, nessa ordem. “No entanto, como a Hering tem um posicionamento de moda mais básica, diferentemente da Shein, que tem um perfil mais forte em moda fast fashion, o risco pode ser mitigado”.

Movimento semelhante em outros países

A estratégia adotada no Brasil de instituir operação local também está sendo aplicada pela Shein em países como Estados Unidos e Portugal – times locais, CDs e/ou lojas físicas.

De acordo com a XP, no Brasil a marca também estaria avaliando parcerias com fornecedores regionais em categorias específicas, “nas quais o País é produtivo, como jeans, para melhorar seu leadtime (tempo de produção até a entrega do produto)”.

Os especialistas da casa destacam ainda que o posicionamento de preços provavelmente deve ser mais alinhado às varejistas locais.

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.