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Com o forte recuo de 35% de seus papéis na Bolsa desde junho, a C&A é uma das varejistas mais baratas que integra a cobertura de ações da XP e entre seus pares. Apesar disso, a casa de análise recomenda a compra de ativos da varejista, com um preço alvo de R$ 14 por ação para o fim de 2022, versus R$ 18 anteriormente.

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Investimentos em logística, maior presença no digital, aposta em novas coleções e fim da parceria com o Bradesco são razões apontadas pela XP para a valorização das ações da C&A - Foto: Creative Commons

O desempenho negativo recente da C&A pode ser atribuído, conforme os analistas da casa, principalmente à deterioração da economia, que penalizou os empresa com menor liquidez de forma mais severa.

Segundo a XP, a recomendação de compra foi mantida pois seus especialistas acreditam que as ações da C&A estão precificando um cenário conservador, “enquanto esperamos começar a ver os resultados dos investimentos feitos pela empresa nos próximos trimestres”.

Aposta

A XP complementa ainda, em relatório, que “os preços atuais estão incorporando uma margem Ebitda de longo prazo abaixo de 11%, o que estaria em linha com níveis de 2018 e 2019 e, portanto, não incorporaria nenhum ganho operacional das iniciativas de otimização da cadeia de suprimentos que vem sendo implementadas”.

A aposta na valorização das ações da C&A pela XP tem como fundamentos alguns fatores, como os retornos das iniciativas de logística, que devem contribuir para os resultados da varejista no segundo semestre, “com a expectativa do RFID (método de identificação automática) cobrir cerca de 80% das vendas e o processo de push & pull já sendo implementado”.

Outro ponto destacado pela casa de análises é a postura mais ativa da empresa em relação à criação de novas coleções, colaborações cápsulas e em iniciativas digitais, como o aumento de sua presença no live commerce.

O fim da parceria com o Bradesco, divulgada na última teleconferência de resultados da C&A, é vista como estrategicamente positivo para o andamento da varejista, conforme os analistas da XP, “uma vez que vemos a oferta de crédito proprietário como uma vantagem competitiva para o varejo”.

“Estimamos um impacto negativo de até R$ 1,5/ação da multa da quebra do contrato - valor presente do restante do contrato – válido até 2029 - sem levar em consideração benefícios de uma oferta de crédito mais ampla”, reforça.

A C&A é atualmente uma das varejistas mais baratas em nossa cobertura, negociando 18,4x P/L 2022 em nossas estimativas. As ações da C&A caíram 35% desde Junho, com um desempenho muito abaixo vs. seus pares.

Embora vejamos o aumento dos riscos macro/político como um desafio para a performance do papel, acreditamos que as ações já estão precificando um cenário conservador, pois estimamos que os preços atuais estão incorporando uma margem EBITDA de longo prazo (ex-IFRS) abaixo de 11%, o que estaria em linha com níveis de 2018-19 e, portanto, não incorporaria nenhum ganho operacional das iniciativas de otimização da cadeia de suprimentos que vem sendo implementadas.

Riscos

Segundo a XP, a deterioração macroeconômica e o avanço da variante delta da covid-19 podem ser dois pontos que devem ser monitorados em relação às ações da C&A.

“Como a C&A atende primordialmente classes de renda mais baixa, ela está mais exposta a uma eventual deterioração macro devido ao impacto em confiança do consumidor e, consequentemente, na sua demanda. Como resultado, a companhia tende a apresentar um desempenho inferior em tempos difíceis ante outros nomes em nossa cobertura”, avalia.

Sobre a variante delta, a casa ressalta que “embora ainda não haja sinais claros de que isso vá acontecer no Brasil, varejistas tradicionais estariam mais expostas, especialmente aqueles voltados para classes de renda mais baixa, como a C&A”.

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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