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Mercado Financeiro

Mercado ao vivo: confira a Bolsa e o dólar nesta quarta-feira, 2 de fevereiro

Apetite ao risco segue reduzido com os investidores no aguardo da Selic, que deve atingir o patamar de quatro dígitos após quatro anos

Data de publicação:02/02/2022 às 11:16 -
Atualizado 3 meses atrás
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Após fechar o primeiro dia de fevereiro em alta e no maior patamar desde outubro de 2021 - 113.228 pontos – a Bolsa opera em queda nesta quarta-feira, 2, com os investidores reduzindo o apetite ao risco e em compasso de espera sobre o anúncio da nova Selic, taxa básica de juros do País, que acontece no final do dia.

Apesar de já ter precificado uma elevação de 1,5 ponto porcentual, fato sinalizado pelo Banco Central e aposta unânime dos analistas, que eleva a taxa para 10,75%, - retornando aos quatro dígitos após quatro anos - o mercado agora segue no aguardo da ata da reunião do Copom. Às 14h37, o Ibovespa recuava 1,16%, aos 111.912 pontos. O dólar subia 0,55%, cotado a R$ 5,302.

Mercado ao vivo: confira a Bolsa e o dólar nesta quarta-feira, 2 de fevereiro
Mercado aguarda ata da reunião do Copom para entender os novos rumos da política monetária do país - Foto: Reprodução

Contribui também para a queda do principal índice da B3 a baixa de mais de 1% nas ações da Petrobras, que refletem as tensões do mercado de petróleo por conta da reunião da Opep, que deve definir novas metas de produção da commodity.

O documento do Copom pode trazer nova sinalizações sobre os rumos da política monetária que o BC deve adotar daqui em diante. Enquanto isso, as expectativas dos especialistas giram em torno de uma Selic de 12,25% para o fim de 2022.

“O que ditará o direcionamento dos investidores após o anúncio será o tom imposto pelo Banco Central, se deixará cravado um outro ajuste da mesma magnitude – tal como vinha fazendo nos últimos encontros – ou não”, avalia Victor Hugo Israel, especialista em Renda Variável da Blue3.

Balanços corporativos esquentando os motores

Juntamente com o Copom, o mercado direciona seus olhares para a temporada de balanços corporativos referentes aos lucros obtidos no 4º trimestre, que começa a esquentar os motores com a divulgação dos resultados do banco Santander Brasil, que tradicionalmente puxa a fila dos demais gigantes financeiros.

Apesar das expectativas positivas do mercado sobre uma boa safra de números, o Santander reportou um lucro líquido gerencial no período de R$ 5,880 bilhões, queda de 10,6% ante o trimestre anterior.

No entanto, o banco fechou o ano de 2021 com um lucro líquido gerencial de R$ 16,347 milhões, alta de 7% em relação a 2020.

Um dos pontos altos dos números do Santander no período foi a carteira de crédito do banco, que chegou a R$ 462,749 bilhões, alta de 12,4% em um ano e de 2,8% em um trimestre. O Santander Brasil fechou o ano de 2021 com lucro de R$ 16,347 bilhões, uma alta de 7% em relação a 2020. 

Produção industrial sobe quase 3% em novembro de 2021

Além da expectativa em relação ao Copom, os investidores digerem os novos dados sobre a economia do País. Segundo dados divulgados pelo IBGE ao longo da manhã, a produção industrial cresceu 2,9% em dezembro de 2021 frente a novembro, na série com ajuste sazonal.

No mês anterior, a indústria havia registrado variação nula – 0,0% - o que interrompeu cinco meses consecutivos de queda do indicador. Além disso, o dado mensal veio acima do esperado pelos especialistas, que projetavam alta de 1,6% na base mensal.

Na comparação anual, o recuo efetivo na produção industrial foi de 5%, montante menos expressivo do que a projeção de queda de 6% na base anual.

Com o número de dezembro, o setor industrial segue 0,9% abaixo do patamar de fevereiro de 2020 no cenário antes da pandemia e 17,7% inferior ao nível recorde, registrado em maio de 2011. Em 2021, houve ganho acumulado de 3,9%.

De acordo com Étore Sanchez, economista chefe da Ativa Investimentos, apesar da surpresa com a alta, a perspectiva da casa de análise para o PIB de 2021 permaneceu em 4,6%, “ganhando apenas um viés de alta, à espera da divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços no dia 10 de fevereiro”.

Juros futuros

Os juros futuros longos e médios operam em baixa na manhã desta quarta-feira, em sintonia com o movimento do dólar ante o real, enquanto os curtos rondam a estabilidade com os resultados da produção industrial acima do esperado.

Por volta das 14h20, a taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuava para 10,97%, de 11,07% na abertura. O DI para janeiro de 2025 caía a 10,98%, de 11,04%, e o para janeiro de 2023 marcava 12,16%, de 12,16%.

Sobe e desce da Bolsa

As maiores altas

Positivo (PSI3)+ 3,51%
Qualicorp (QUAL3)+ 1,11%
Gerdau (GGBR4)+ 1,18%
Rede D'Or (RDOR3)+ 0,97%
Equatorial (EQTL3)+ 0,70%
Fonte: B3

As maiores baixas

Banco Inter (BIDI11)- 8,97%
BRF (BRFS3)-7,72%
IRB Brasil (IRBR3)- 7,23%
Banco Pan (BPAN4)- 6,47%
Magazine Luiza- 5,99%
Fonte: B3 (dados atualizados às 14h43)

Exterior

Petróleo segue estável e conflito geopolítico segue no radar

Do lado das commodities, o preço do barril do petróleo no mercado internacional segue estável, próximo dos US$ 90. As tensões estão voltadas para a reunião da Opep, que inclui países produtores de petróleo que vão se reencontrar ainda hoje e, segundo Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora, devem ratificar um aumento de produção de 400 mil barris por dia em março.

“Mas esse aumento de produção pode encontrar alguma dificuldade, pois já no mês de fevereiro o incremento da produção foi de apenas 50 mil barris por dia, abaixo da meta dos 400 mil, devido aos conflitos internos na Líbia, região produtora de petróleo, que podem impactar a produção e oferta da commodity”, avalia Guerra, o que contribui para a alta do produto.

Outro ponto que influencia a alta do petróleo é o conflito geopolítico entre Rússia e Ucrânia, já que a ex-URSS é produtora da commodity, assim como de gás natural. No dia anterior, o presidente russo Vladimir Putin acusou o Ocidente no dia anterior de criar um cenário destinado a atrai-lo para a guerra e ignorar as preocupações de segurança da Rússia sobre a Ucrânia.

Em seus primeiros comentários públicos diretos sobre a crise em quase seis semanas, Putin não demonstrou sinais de recuar em exigências de que a Otan nãos e envolva no conflito.

"Já está claro agora...que as preocupações russas fundamentais foram ignoradas", disse o presidente em entrevista com o primeiro-ministro da Hungria, um dos vários líderes da Otan que tentam interceder à medida que a crise se intensifica.

Wall Street em queda

Após oscilar entre altas e baixas, as bolsas de Nova York passaram a subir nesta quarta-feira, com os investidores digerindo dados Variação de Empregos Privados (ADP, na sigla em inglês), que é considerada uma prévia do payroll, que será divulgado na próxima sexta-feira, 4.

De acordo com a ADP, o setor privado dos EUA eliminou 301 mil empregos em janeiro. O resultado frustrou a expectativa dos analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam a geração de 200 mil pontos de trabalho no último mês. Este é o primeiro corte de vagas registrado desde dezembro de 2020.

A ADP também revisou para baixo sua estimativa de criação de empregos em dezembro, de 807 mil para 776 mil.

Outro dado que também segue sendo repercutido pelo mercado é referente à divida nacional americana, que ultrapassou US$ 30 trilhões pela primeira vez, segundo informações do Departamento do Tesouro divulgadas no dia anterior. O número representa um aumento de quase US$ 7 trilhões em relação ao final de janeiro de 2020, pouco antes da pandemia.

Segundo analistas, a marca é superada em um momento de transição para a política fiscal e monetária dos EUA, que provavelmente terá implicações para a economia em geral. Muitos dos programas federais de ajuda à pandemia autorizados pelo Congresso expiraram, deixando os americanos com menos assistência financeira do que no início da pandemia.

Enquanto isso, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sinalizou que em breve poderá começar a aumentar as taxas de juros de curto prazo da faixa atual (entre 0% e 0,25%), em um esforço para conter a inflação, que está em seu nível mais alto em quase quatro décadas.

De acordo com Israel, da Blue3, o Fed tem duas funções principais neste momento: a busca pelo pelo emprego e controle da inflação. "Caso interprete que a sua primeira função esteja em compasso com o esperado, a autoridade monetária irá focar seus máximos esforços em conter a inflação, que fechou 2021 na casa dos 7%".

O especialista destaca ainda que, apesar de janeiro ter sido bastante "sangrento" para os índices norte-americanos, o mês de fevereiro mostra "vitória dos touros", com dois pregões consecutivos de alta, respaldados principalmente nos robustos resultados corporativos do último trimestre.

Sobre os balanços do período, após a Alphabet registrar alta de 32% na receita líquida do período e suas ações saltarem 9% no after market, nesta quarta-feira é a vez do mercado conhecer os números da Meta.

Principais índices/bolsas de Nova York

  • S&P 500: + 0,74%
  • Dow Jones: + 0,35%
  • Nasdaq 100: + 0,60% (dados atualizados às 14h46)

Bolsas europeias fecham em alta

Nesta quarta-feira, as bolsas no continente europeu fecharam em alta. Por lá, os investidores repercutiram os dados da taxa anual de inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro, que em janeiro atingiu a máxima histórica de 5,1% em janeiro, acelerando levemente em relação à alta de 5% observada em dezembro, segundo dados preliminares divulgado pela Eurostat. Apesar do dado preocupante, o apetite ao risco segue em curso.

O resultado do mês passado frustrou os analistas do mercado, que previam um arrefecimento da taxa a 4,3%. O CPI recorde amplia pressões para que o Banco Central Europeu (BCE) aperte sua política monetária. A meta de inflação da autoridade monetária do continente, que revisará sua política nesta quinta-feira, é de 2%.

O núcleo do CPI, que desconsidera os preços de energia e alimentos, teve acréscimo anual de 2,3% em janeiro, significativamente maior do que o aumento de 1,9% projetado pelos especialistas.

Bolsas europeias/fechamento

  • Stoxx 600 (Europa): + 0,59%(477,02 pontos)
  • FTSE 100 (Londres): + 0,63% (7.583 pontos)
  • DAX (Frankfurt): + 0,14% (15.640 pontos)
  • CAC 40: + 0,22% (7.115 pontos)

Bolsas asiáticas fecham em alta. China segue com mercados fechados

As bolsas da Ásia e do Pacífico encerraram os negócios desta quarta-feira em alta, mais uma vez seguindo o bom desempenho de Wall Street.

Em Tóquio, o índice japonês Nikkei subiu 1,68%, a 27.533 pontos, impulsionado por empresas que divulgaram balanços sólidos, caso da Keyence e da ANA Holdings, cujas ações saltaram mais de 6%.

Outros mercados acionários asiáticos, como os da China, Hong Kong, Taiwan e Coreia do Sul, permaneceram fechados hoje devido a feriados para a comemoração do ano-novo lunar.

Na Oceania, a bolsa australiana foi sustentada por papéis de mineradoras e de grandes bancos domésticos. O S&P/ASX 200 avançou 1,17% em Sydney, a 7.087 pontos. / com Tom Morooka e Agência Estado

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.