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Mercado Financeiro

Com a Selic em 10,75% já precificada, expectativa do mercado se volta para o comunicado do Copom

Analistas projetam juro em 11,75% no fim do ano e esperam sinalização de diretores do BC

Data de publicação:02/02/2022 às 00:30 -
Atualizado 4 meses atrás
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O mercado financeiro tem como principal foco de interesse nesta quarta-feira, 2, a decisão que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), tomará em relação à taxa básica de juros, a Selic, na primeira reunião do colegiado no ano. A previsão é que a Selic suba do nível atual de 9,25% ao ano para 10,75%.

Com a expectativa relativamente diluída, já que a aposta unânime de investidores e gestores é por uma elevação de 1,50 porcentual, também já antecipada pelo BC e incorporada aos preços dos principais ativos, a atenção do mercado financeiro se volta ao comunicado que o BC vai divulgar após o término da reunião.

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Mercado quer conhecer a sinalização do Copom para a próxima reunião - Imagem: Shutterstock

É um documento que explica a decisão tomada pelo colegiado e sinaliza os passos seguintes da política monetária.  Uma dessas indicações sistematicamente dadas nas últimas reuniões tem sido nova elevação da taxa básica de igual calibre no encontro seguinte do Copom.

Desta vez, contudo, o interesse é redobrado, porque o sentimento do mercado é que o atual ciclo de elevação da Selic estaria perto do fim. Economistas do mercado financeiro consultados pelo BC sobre estimativas de indicadores econômicos preveem uma Selic de 11,75% no fim de 2021, de acordo com o último boletim Focus de projeções.

Supondo-se que o Copom calibre um aumento de 1,50 ponto porcentual e a Selic suba para 10,75% nesta quarta-feira, restaria mais um ponto porcentual para que a taxa básica chegue ao nível estimado pelo mercado para o fim de 2021. Daí a expectativa redobrada dos agentes econômicos.

Para esquentar as expectativas dos investidores, vai ganhando fôlego a temporada de balanços das gigantes brasileiras referente à divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2021. Nesta quarta-feira, o Santander dá a largada no reporte dos lucros dos gigantes financeiros.

Mercado quer sinalização do próximo aumento

O comunicado pós-Copom sinalizaria quanto de aumento da Selic para a próxima reunião: 1,50 ponto porcentual? Ou pouco mais ou pouco menos? Uma alta idêntica à esperada para a reunião desta quarta-feira empurraria a Selic projetada na reunião seguinte, dias 15 e 16 de março, para além de 11,75% estimada no momento para o fechamento do ano.

A expectativa com a reunião do Copom não tirou o mercado financeiro da toada positiva que vem seguindo no período mais recente, com nova valorização da bolsa de valores e renovada queda do dólar.

Impulsionada pelas compras de capital estrangeiro e puxada pela valorização das duas principais blue chips, Petro e Vale, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, embicou acima de 113.000 pontos e se sustentou acima desse nível. Encerrou o pregão com valorização de 0,97%, em 113.228 pontos, nível mais elevado desde 18 de outubro, quando fechou em 114.428 pontos. Petrobras (PETR4) subiu 2,01% e Vale (VALE3), 5,49%.

O dólar teve desvalorização de 0,68%, cotado por R$ 5,27 na venda.

As bolsas americanas também tiveram uma terça-feira positiva. O índice Dow Jones subiu 0,78%, para 35.405 pontos; o S&P avançou 0,69%, para 4.546 pontos, e o índice Nasdaq, da bolsa de tecnologia, subiu 0,75%, para 14.346 pontos.

Exterior

Wall Street no positivo

Os futuros das bolsas de Nova York seguem no positivo nesta quarta-feira, com os investidores no aguardo da Variação de Empregos Privados (ADP, na sigla em inglês), que é considerada uma prévia do payroll, que será divulgado na próxima sexta-feira, 4.

De acordo com Victor Hugo Israel, especialista em Renda Variável da Blue3, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem duas funções principais: a busca pelo pelo emprego e controle da inflação. "Caso interprete que a sua primeira função esteja em compasso com o esperado, a autoridade monetária irá focar seus máximos esforços em conter a inflação, que fechou 2021 na casa dos 7%".

O especialista destaca ainda que, apesar de janeiro ter sido bastante "sangrento" para os índices norte-americanos, o mês de fevereiro mostra "vitória dos touros", com dois pregões consecutivos de alta, respaldados principalmente nos robustos resultados corporativos do último trimestre.

Sobre os balanços do período, após a Alphabet registra alta de 32% na receita líquida do período e suas ações saltarem 9% no after market, nesta quarta-feira é a vez do mercado conhecer os números da Meta.

Futuros/bolsas de Nova York

  • S&P 500: + 0,79%
  • Dow Jones: + 0,12%
  • Nasdaq 100: + 1,48% (dados atualizados às 7h47)

Bolsas europeias em alta

Nesta quarta-feira, as bolsas no continente europeu operam em alta. Por lá, os investidores repercutem os dados da taxa anual de inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro, que em janeiro atingiu a máxima histórica de 5,1% em janeiro, acelerando levemente em relação à alta de 5% observada em dezembro, segundo dados preliminares divulgado pela Eurostat. Apesar do dado preocupante, o apetite ao risco segue em curso.

O resultado do mês passado frustrou os analistas do mercado, que previam um arrefecimento da taxa a 4,3%. O CPI recorde amplia pressões para que o Banco Central Europeu (BCE) aperte sua política monetária. A meta de inflação da autoridade monetária do continente, que revisará sua política nesta quinta-feira, é de 2%.

O núcleo do CPI, que desconsidera os preços de energia e alimentos, teve acréscimo anual de 2,3% em janeiro, significativamente maior do que o aumento de 1,9% projetado pelos especialistas.

Bolsas europeias/principais praças financeiras

  • Stoxx 600 (Europa): + 0,78%
  • FTSE 100 (Londres): + 0,93%
  • DAX (Frankfurt): + 0,45%
  • CAC 40: + 0,41% (dados atualizados às 7h50)

Conflito entre Rússia e Ucrânia: novos capítulos

Na geopolítica, o presidente russo Vladimir Putin acusou o Ocidente no dia anterior de criar um cenário destinado a atrai-lo para a guerra e ignorar as preocupações de segurança da Rússia sobre a Ucrânia.

Em seus primeiros comentários públicos diretos sobre a crise em quase seis semanas, Putin não demonstrou sinais de recuar em exigências de que a Otan nãos e envolva no conflito. "Já está claro agora...que as preocupações russas fundamentais foram ignoradas", disse o presidente em entrevista com o primeiro-ministro da Hungria, um dos vários líderes da Otan que tentam interceder à medida que a crise se intensifica.

Bolsas asiáticas fecham em alta. China segue com mercados fechados

As bolsas da Ásia e do Pacífico encerraram os negócios desta quarta-feira em alta, mais uma vez seguindo o bom desempenho de Wall Street.

Em Tóquio, o índice japonês Nikkei subiu 1,68%, a 27.533 pontos, impulsionado por empresas que divulgaram balanços sólidos, caso da Keyence e da ANA Holdings, cujas ações saltaram mais de 6%.

Outros mercados acionários asiáticos, como os da China, Hong Kong, Taiwan e Coreia do Sul, permaneceram fechados hoje devido a feriados para a comemoração do ano-novo lunar.

Na Oceania, a bolsa australiana foi sustentada por papéis de mineradoras e de grandes bancos domésticos. O S&P/ASX 200 avançou 1,17% em Sydney, a 7.087 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.