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Mercado Financeiro

Após dias de recuperação, mercado está um pouco mais receoso nesta quinta-feira

Recado de continuidade de aumento de juros e de nova alta de igual calibre em ferereiro de 2022 estão em linha com expectativa do mercado

Data de publicação:09/12/2021 às 07:00 -
Atualizado 5 meses atrás
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Após uma semana de forte recuperação, os índices acionários operam de lado nesta quinta-feira, 9. Os investidores seguem monitorando a nova variante do coronavírus, a ômicron. E, no campo externo, estão atentos à reunião do Fomc, o Copom norte-americano, que acontecerá na próxima semana.

Após nova alta da véspera, de 0,31%, o S&P 500 tem contratos futuros em leve baixa, de 0,3%. Na Ásia, o Nikkei fechou em queda de 0,5%, o Shanghai subiu 1%. No velho continente, o Stoxx Europe 600 subia 0,2% por volta das 8h30 ( horário de Brasília).

Mercado
Mercado segue mais receoso nesta quinta-feira, com ômicron no radar e reunião do Fomc na próxima semana - Foto: Envato

Aqui no Brasil é preciso monitorar como o mercado vai reagir ao comunicado do Banco Central (BC), que ontem, após subir a Selic em 1,50 ponto porcentual, decisão absolutamente esperada em sem nenhum impacto nos mercados hoje, disse que deve promover reajuste igual à taxa de juros em fevereiro, na primeira reunião do Copom de 2022.

O comunicado revelou um tom surpreendente ao mercado. Para Fernanda Consorte, economista-chefe do banco Ourinvest, o quadro inflacionário continua no centro das preocupações do Banco Central e o documento “enfatiza o tom de alerta, principalmente em relação ao cenário fiscal e possíveis impactos que um descontrole nos gastos poderia ter sobre a inflação”.

A mensagem que o Banco Central passa, de acordo com Fernanda, é que fará o possível (aumento de juros) para conter qualquer um avanço mais expressivo da inflação e ancorar as expectativas dos agentes econômicos e financeiros.

O recado da autoridade monetária, assim como a indicação no comunicado de nova alta de igual calibre na próxima reunião do Copom, em fevereiro de 2022, está alinhado com as projeções do mercado que apontam uma Selic de 11,25% ou ainda acima no fim de 2022.

Mercado de ações viveu quinto dia consecutivo de alta

À espera da decisão do Copom, divulgada no início da noite, o mercado financeiro passou o dia em ambiente de muita volatilidade, mas os dados finais de fechamento apontaram nova valorização do mercado de ações e queda das cotações do dólar.

Deram suporte a esse comportamento positivo também a promulgação de parte da PEC dos Precatórios, após acordo entre Câmara e Senado pelo fatiamento do projeto, e notícias menos preocupantes no front da nova variante ômicron do coronavírus.

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou o pregão com alta de 0,50%, aos 108.096 pontos. Foi a menor valorização da sequência recente de altas, mas o suficiente para assegurar o quinto dia positivo da bolsa. O dólar recuou 1,42%, cotado por R$ 5,53 na venda.

Em Nova York, o índice Dow Jones teve alta de 0,10%, para 35.755 pontos; o S&P 500 avançou 0,31%, para 4.701 pontos, e o Nasdaq, da bolsa eletrônica, subiu 0,64%, para 15.787 pontos.

Investidores e gestores de mercado, tanto no Brasil como nos EUA, estão com a atenção voltada aos dados de inflação que serão divulgados nesta sexta-feira.

Aqui, o foco é a inflação oficial de novembro calculada pelo IPCA; nos EUA, o relatório de inflação com o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) que pode desenhar um cenário que pode influenciar o Fed (Federal Reserve, banco central americano) na gestão futura de política monetária.

Exterior

Nova York

Nos Estados Unidos, os futuros nas bolsas americanas operam em leve baixa, muito próximos da estabilidade, com os investidores apostando que a recuperação global será resistente à nova cepa ômicron, que vem se espalhando pelo mundo.

A recuperação global passa por um importante teste, de acordo com Teixeira, da Wisir, com os investidores de olho na alta volatilidade até que haja mais clareza sobre a ameaça da ômicron para a economia, além dos números da inflação ao consumidor dos EUA (CPI, na sigla em inglês) de novembro, que serão conhecidos nesta sexta-feira, 10, e da próxima reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), marcada para a próxima semana, que pode fornecer pistas sobre o ritmo de redução gradual e aumentos nas taxas de juros.

Projetando 2022, a LPL Financial "espera um sólido crescimento econômico e de lucros para ajudar as ações dos EUA a obterem ganhos adicionais no próximo ano". Para a consultoria, o S&P 500 poderia ser razoavelmente avaliado em 5 mil a 5.100 pontos no final de 2022. Além disso, os analistas da consultoria favorecem os EUA em relação a outros mercados desenvolvidos, e as ações de setores cíclicos em relação aos defensivos.

Na véspera, a Apple subiu 2,28%, apesar de informações sobre paralisação na produção por falta de componentes. Para Moya, a indicação é de que a empresa "continuará sendo uma posição chave para muitos investidores, especialmente agora que sua capitalização de mercado está se aproximando de US$ 3 trilhões".

A Tesla teve alta de 1,64%, em dia no qual o presidente Joe Biden assinou um decreto relativo às metas para a transição verde nos EUA. Dentro do objetivo mais abrangente de zerar as emissões de carbono até 2050, uma série de intenções relativas à adoção de veículos elétricos nas próximas décadas constam no documento. O papel da Rivian, destaque recente no setor, teve ganho de 5,11%.

No dia anterior, a Pfizer informou que a vacina produzida pela farmacêutica é eficaz na prevenção da variante ômicron do coronavírus quando aplicada em regime de três doses. Segundo estudos preliminares, três doses do imunizante da Pfizer com BioNTech demonstraram capacidade de proteção contra a nova cepa, mas o esquema de duas injeções teve nível "significativamente menor" de atividade neutralizante.

Ásia

As bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em alta nesta quinta-feira. A exceção ao movimento positivo foi em Tóquio, pressionada por ações dos setores automotivo e eletrônico.

A notícia, divulgada ontem, sobre a vacina da Pfizer forneceu suporte aos mercados asiáticos e empurrou para segundo plano preocupações quanto novas restrições à mobilidade, além da crise de liquidez no mercado imobiliário chinês.

Na China continental, a bolsa de Xangai encerrou a sessão com ganho de 0,98%, aos 3.673 pontos. Menos abrangente, Shenzhen subiu 0,87%, aos 2.543 pontos. Em Taiwan, o índice Taiex valorizou 0,46%, aos 17.914 pontos.

Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1,08%, aos 24.254 pontos. Volátil nos últimos dias, o papel da Evergrande saltou 4,05%, em recuperação parcial após o tombo da véspera, em meio a dificuldades da incorporadora de honrar compromissos financeiros.

A Fitch rebaixou o rating da Kaisa, que deixou de pagar US$ 400 milhões e teve negociações suspensas na bolsa do território semiautônomo.

Na Coreia do Sul, o Kospi teve o sétimo dia consecutivo de ganhos e aumentou 0,93%, aos 3.029 pontos, na máxima do dia, em Seul. As aéreas Asiana Airlines (+4,08%) e Korean Air Lines (+1,89%) estiveram entre os destaques do pregão, em meio ao arrefecimento dos temores quanto ao impacto da Ômicron na aviação.

Exceção ao clima positivo na região, o índice Nikkei, em Tóquio, perdeu 0,47%, aos 28.725,47 pontos, na mínima intraday. As montadoras Isuzu Motors e Toyota caíram 2,58% e 0,56%, respectivamente, enquanto Tokyo Electron baixou 0,45%. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Fechamento/principais bolsas asiáticas – 9/12 (quinta-feira)

  • Nikkei (Japão): -0,47% (28.725 pontos)
  • Xangai (China): + 0,98% (3.673 pontos)
  • Shenzen (China): + 0,87% (2.543 pontos)
  • Taiex (Taiwan): + 0,46% (17.914 pontos)
  • Hang Seng (Hong Kong): + 1,08% (24.254 pontos)
  • Kospi (Coreia do Sul): + 0,93% (3.029 pontos)
Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.