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Mercado Financeiro

Mercado monitora IPCA-15 nesta quarta-feira

Sanções americanas à Rússia foram leves na visão dos investidores

Data de publicação:23/02/2022 às 00:30 -
Atualizado 3 meses atrás
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A inflação preliminar de fevereiro, que será conhecida com a divulgação do IPCA-15 pelo IBGE nesta quarta-feira, 23, é o principal foco de investidores e gestores do mercado financeiro. A expectativa de especialistas é que o índice antecipe o rumo que a inflação oficial está tomando e deve se mostrar acentuada, por conta da pressão dos combustíveis, segundo analistas.

O IPCA fechado do mês será anunciado na segunda semana de março e está estimado em 0,85%, acima do de 0,54% de janeiro, de acordo com as projeções de economistas de mercado no boletim Focus.

mercado

A prévia de inflação do mês dividirá a atenção dos mercados com novas informações vindas do exterior sobre o conflito entre Ucrânia e Rússia. As sanções dos Estados Unidos contra a Rússia, anunciadas na véspera e vistas como brandas pelos analistas, foram consideradas insuficientes para agravar a tensão entre os países.

E isso agradou aos investidores, o que reflete no comportamento dos futuros americanos e no fechamento positivo dos mercados asiáticos nesta quarta-feira.

Futuros/bolsas americanas

  • S&P 500: +0,82%
  • Dow Jones: +0,64%
  • Nasdaq 100: +1,19% (dados atualizados às 7h36)

Faz parte das punições à Rússia a proibição de transações de instituições financeiras americanas com os bancos russos e de negociações com a dívida soberana da Rússia. O Canadá também seguirá o caminho dos EUA e aplicará os mesmos tipos de sanções. Somam-se a eles ainda nessa conduta o Reino Unido, Japão e Austrália, além da União Europeia.

Para Anderson Alves, da ActivTrades, as sanções dos EUA contra Moscou foram mais fracas do que se temia. Ele admitiu, no entanto, que Washington ainda dispõe de opções mas agressivas, como reduzir o acesso da Rússia ao sistema Swift de transações bancárias globais.

Mercado influenciado por entrada de capital estrangeiro

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, interrompeu três quedas seguidas ao fechar com valorização de 1,04%, em 112.892 pontos, depois de transitar o pregão de ponta a ponta com sinal positivo.

O dólar permaneceu em trajetória de baixa. Com queda de 1,07%, a cotação recuou para 5,05%, o nível mais baixo desde julho do ano passado. Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest, atribui a fragilidade do dólar ao “apetite pelo risco Brasil”, pela diferença de taxas de juro no Brasil e nos Estados Unidos.

Outro fator que pressiona o dólar para baixo, além do diferencial de juros na renda fixa, é o fluxo de capital estrangeiro para a bolsa de valores, “embora o cenário macro, de preocupação com a questão fiscal, não tenha mudado”, comenta Cristiane.

As bolsas americanas destoaram das altas que marcaram as principais bolsas internacionais. O índice Dow Jones recuou 1,41% para 33.597 pontos; o S&P 500 caiu 1,02%, para 4.305 pontos, e o Nasdaq, da bolsa eletrônica, recuou 1,23%, para 13.382 pontos.

Balanços corporativos no radar dos investidores

Outro ponto que divide a atenção dos investidores é a temporada de balanços corporativos no Brasil. Nesta quarta-feira, o destaque fica por conta dos lucros referentes ao quarto trimestre de 2021 de gigantes como a Gerdau, divulgado antes da abertura do mercado, e da Petrobras, após o fechamento do pregão.

Aprovação de projeto para regular o mercado de criptos no Brasil

Na véspera, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado brasileiro aprovou um projeto de lei para reconhecer e regular os mercados de bitcoin e criptomoedas no Brasil, segundo comunicado oficial.

A aprovação unânime do PL 3825/19 do senador Flavio Arns e elaborado em conjunto com o Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Receita Federal, representa um passo inicial para um projeto de lei que tenta criar regras básicas para o uso diário do bitcoin em transações financeiras e como ativo de investimento.

O PL visa regular o estabelecimento e operação de provedores de serviços de bitcoin no Brasil, definindo as entidades como aquelas que fornecem negociação, transferência, custódia, administração ou venda de criptomoedas em nome de terceiros.

Exterior

Europa: bolsas em alta com alívio no exterior

Refletindo um pouco de alívio por conta das sanções impostas à Rússia, os mercados financeiros europeus operam em alta, seguindo os futuros americanos.

Por lá, a União Europeia (UE) também concordou com novas sanções contra Moscou, quando o chanceler alemão, Olaf Scholz, na véspera, suspendeu o novo gasoduto Nord Stream 2 entre a Rússia e a Grã-Bretanha e também tomou medidas contra os bancos russos.

Durante a madrugada, novos dados econômicos do bloco foram divulgados pela Eurostat, agência de estatísticas da UE. Segundo ela, a taxa anual de inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro atingiu a máxima histórica de 5,1% em janeiro, acelerando levemente em relação à alta de 5% observada em dezembro.

O resultado confirmou a estimativa preliminar e veio em linha com a expectativa de analistas do mercado. O CPI recorde amplia pressões para que o Banco Central Europeu (BCE) aperte sua política monetária. A meta de inflação da autoridade monetária europeia é de 2%.

Bolsas europeias/principais praças financeiras

  • Stoxx 600 (Europa): +0,71%
  • FTSE 100 (Londres): +0,42%
  • DAX (Frankfurt): +0,91%
  • CAC 40 (Paris): +1,23% (dados atualizados às 7h39)

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas asiáticas fecharam em alta nesta quarta-feira, se recuperando das perdas da véspera, quando foram pressionadas pela escalada das tensões entre Ucrânia e Rússia. Os mercados da China continental lideraram os ganhos, impulsionados por ações da indústria de chips. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Fechamento/bolsas asiáticas

  • Shenzhen Composto (China continental): +1,75% (2.237 pontos)
  • Xangai Composto (China continental): +0,93% (3.489 pontos)
  • Hang Seng (Hong Kong): +0,60% (23.660 pontos)
  • Kospi (Seul): +0,47% (2.719 pontos)
  • NIkkei (Tóquio): bolsa fechada (feriado)
  • S&P/ASX 200 (Sydney): +0,62% (7.205 pontos)
Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.