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ETFs de Commodities: saiba como investir e sua importância

O mercado de commodities promete um ciclo positivo ao longo dos próximos anos. Veja se vale a pena investir em um ETF do setor

Data de publicação:17/12/2021 às 07:00 -
Atualizado 4 meses atrás
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Os Exchange Traded Funds (ETFs) estão fazendo sucesso entre os investidores brasileiros. Uma vez que eles permitem o acompanhamento de índices de mercados específicos, funcionam muito bem para uma estratégia de diversificação. O total de negócios investido com ETFs gira em torno de R$ 343 bilhões este ano, segundo dados da B3.

Outro mercado que desperta muita atenção e curiosidade é o de commodities. Os produtos, afinal, possuem toda uma negociação global envolvida e os preços acabam refletindo a oferta e demanda do momento.

ETFs de commodities
Os ETFs de commodities permitem a diversificação de investimentos com exposição ao exterior

E que tal seria unir o útil ao agradável com a oferta de ETFs de commodities? Pois é: essa já é uma realidade na bolsa de valores do Brasil. E é sobre essa novidade que vamos conversar hoje.

O que são ETFs de commodities?

A melhor forma de entender a lógica de um ETF de commodities é separar os termos e compreendê-los individualmente. Vamos lá!

O que é um ETF?

Um ETF, como adiantamos, é um fundo negociado em bolsa de valores. É justamente o que o nome desse produto (Exchange Traded Funds) representa em tradução livre para o português.

Na prática, os ETFs funcionam como fundos de índices. Isto é, eles replicam a carteira teórica de um indexador, permitindo que os investidores possam colocar uma parcela do seu capital exposta ao comportamento de um determinado mercado.

Um ótimo exemplo disso é o índice Ibovespa, principal representante do mercado acionário brasileiro. Esse indicador reflete o comportamento de uma cesta com as principais ações brasileiras, mas não permite investimentos diretamente nele.

Assim, pensando em facilitar a vida do investidor, algumas casas passaram a criar ETFs que repliquem o desempenho do Ibovespa. É o caso do BOVA11, por exemplo.

O que são as commodities?

Já as commodities são as principais mercadorias negociadas no nosso planeta. Elas podem ser de diversos tipos e categorias. Veja abaixo alguns exemplos:

  • Petróleo
  • Minério de ferro
  • Ouro
  • Boi gordo
  • Soja
  • Milho
  • Açúcar
  • Gás natural

Esses ativos são diariamente negociados no mercado financeiro. E o desempenho de cada um deles depende diretamente de fatores como oferta e demanda de cada mercado.

Portanto, ETFs de commodities nada mais são do que fundos negociados em bolsa que permitem ao investidor a exposição a um índice que represente a variação de preços de uma determinada mercadoria ou um conjunto de commodities.

CMDB11: o novo ETF de commodities da bolsa brasileira

No final de 2021, o BTG Pactual lançou um novo ETF que visa justamente oferecer a exposição do mercado de commodities ao investidor brasileiro. O ticker de negociação do fundo é CMDB11.

Esse produto visa replicar o índice Teva Ações Commodities Brasil, um indicador que oferece uma carteira com ações brasileiras de empresas que atuam como produtoras e/ou exportadoras de commodities.

Para fazer parte da carteira teórica do índice (e, consequentemente, entrar no CMDB11), uma companhia precisa atender os seguintes requisitos:

  • Ser uma empresa classificada como produtora de commodities;
  • Apresentar uma capitalização de mercado mínima de R$500 milhões;
  • Ter um volume de negociação mensal na bolsa de valores de ao menos R$100 milhões;
  • Oferecer ao menos 4% das suas ações em free float (livre circulação de mercado).

A taxa de administração do CMDB11, ao menos até a última revisão deste artigo, era de 0,50% ao ano. O investimento mínimo é de R$10.

Quais os setores presentes no CMDB11?

O Brasil é um país muito forte em exportações. Isso significa que, ao investir em um ETF de commodities como o CMDB11, você já garante uma excelente diversificação setorial.

Veja como era parte da composição do CMDB11 em dezembro de 2021 em relação à composição por setor dentro da bolsa brasileira:

  • Açúcar e álcool: Raízen e São Martinho;
  • Agrícola: BrasilAgro e SLC Agrícola;
  • Mineração: Vale;
  • Metalurgia: Ferbasa e Gerdau;
  • Papel e celulose: Klabin e Suzano;
  • Petróleo: 3R Petroleum, Petrobras e PetroRio;
  • Proteínas: BRF, JBS e Marfrig;
  • Siderurgia: CSN e Usiminas;
  • Outros: Braskem e Unipar.

Vale destacar que o CMDB11 também leva em consideração a importância de cada companhia dentro do índice. Portanto, há uma concentração de quase 70% do patrimônio em cinco empresas: Petrobras, Vale, JBS, Suzano e Gerdau.

Quais são as vantagens dos ETFs de commodities?

Existem alguns benefícios interessantes de investir no CMDB11. Em primeiro lugar, por ser um ETF, você já tem algumas vantagens inerentes ao produto como a facilidade de diversificação (vimos no tópico anterior quantas empresas fazem parte do fundo).

Além disso, a praticidade também é válida. Enquanto investidor individual, não seria nada fácil replicar a carteira teórica do Índice Teva Ações Commodities Brasil. E o CMDB11 permite essa exposição com apenas uma aplicação.

Pensando especificamente em um ETF de commodities, temos ainda outros dois benefícios bem atrativos para o investidor.

O primeiro é que o Brasil é um dos principais países exportadores do mundo. Desta forma, o CMDB11 permite que você acompanhe uma das principais atividades econômicas do nosso PIB. Segundo dados do próprio BTG Pactual, esse ETF cobre aproximadamente 97% das commodities brasileiras exportadas.

Além disso, justamente por atuarem como empresas exportadoras, as companhias que fazem parte do ETF de commodities CMDB11 possuem uma grande exposição à economia global e receitas dolarizadas. Ou seja, é uma ótima forma de buscar diversificação geográfica mesmo sem sair do país.

Quais são os riscos do CMDB11?

Todo investimento possui riscos — e o CMDB11 não é diferente neste sentido. Mas quais seriam eles?

Para começar, os ETFs são negociados na bolsa de valores. Portanto, pensando no curtíssimo prazo, o seu investimento está exposto às variações naturais da renda variável.

Além disso, a própria natureza do produto traz uma certa dependência de alguns agentes econômicos. No caso das petrolíferas, por exemplo, há uma considerável influência das ações da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Para o minério de ferro, por outro lado, a demanda chinesa é extremamente relevante.

Portanto, apesar de envolver uma cadeia global, há sim uma exposição a alguns dos maiores agentes de cada mercado. E, como o preço das commodities depende diretamente da relação entre oferta e demanda, esse é um ponto que deve ser monitorado pelo investidor.

Por fim, no caso específico do CMDB11, percebemos que há concentração em poucas empresas. E uma delas é uma companhia estatal (a Petrobras), que pode ser utilizada para objetivos políticos. Isso significa que, apesar da enorme diversificação de companhias, o resultado dessas cinco organizações acaba impactando fortemente o desempenho do ETF.

Vale a pena investir no ETF de commodities CMDB11?

Os investimentos em commodities possuem uma característica bem particular: a ciclicidade.

Como o preço das mercadorias varia de acordo com a relação entre demanda e oferta, as commodities tendem a performar melhor com economia aquecida, caindo a sua procura em tempos de recessão.

Neste momento, a expectativa para as empresas é bem positiva. Há um "superciclo" em andamento que estimula os investimentos no setor. No entanto, ao investir nesse produto, você deve entender que os preços não vão subir sempre. E é preciso saber lidar com a volatilidade em períodos mais desafiadores.

Ademais, vale a pena estudar cada segmento. Por mais que sejam todas empresas exportadoras, as condições econômicas para o mercado de proteínas e petrolíferas, por exemplo, podem ser diferentes.

De qualquer forma, para quem deseja uma exposição ao mercado de commodities, mas sem acompanhar companhias individualmente, o CMDB11 é uma opção interessante. Lembrando que não se trata de uma recomendação de investimento, pois a exposição ao ETF depende diretamente dos seus objetivos como investidor, bem como o seu perfil.

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Sobre o autor
Stéfano Bozza
Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.