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Mercado Financeiro

Bolsa fecha com queda de 1,60% com commodities e alta da inflação e juros; dólar sobe 1,30%

Queda nos preços do minério de ferro e petróleo ajudou na queda da Bolsa nesta segunda-feira

Data de publicação:14/03/2022 às 19:35 -
Atualizado 2 meses atrás
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O mercado financeiro encerrou esta segunda-feira, 14, com comportamento negativo, depois de iniciar os negócios do dia em tom relativamente otimista.

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou o pregão com queda de 1,60%, em 109.927, a pontuação mais baixa desde meados de janeiro. O dólar foi na contramão da B3 e avançou 1,30%, para R$ 5,12 na venda.

bolsa
Foto: Reprodução

A bolsa de valores começou o dia com sinal positivo, animada com a ausência de novidades ruins na guerra da Ucrânia. E apostando também no avanço de mais uma rodada de negociações de cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia.

A perspectiva de evolução nas conversas, que deu alento também às bolsas internacionais, durou pouco. O Ibovespa logo perdeu força, afirma Pedro Gosuen, especialista em Renda Variável da Blue 3. E a partir daí passou a pesar sobre o mercado de ações a forte queda das commodities os fatores pontuais domésticos.

Os desempenhos negativos de minério de ferro e petróleo no mercado internacional “foram de novo os grandes drives, levando volatilidade para as ações do setor”. Não apenas volatilidade, causaram acentuadas baixas em Vale e em ações de companhias ligadas ao petróleo e à siderurgia.

Os movimentos de commodities apenas reforçaram o tom negativo nos mercados, que “já vivem uma semana agitada de expectativas de política monetária, no Brasil e nos Estados Unidos”, analisa Romero Oliveira, head de Renda Variável da Valor Investimentos.

O humor de investidores e gestores piorou com a nova revisão, mais elástica, na projeção de inflação para este ano. A estimava de IPCA de analistas e economistas do mercado no boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira avançou de 5,65% para 6,45%.

A estimativa quase 1,50 ponto acima do teto inflacionário de 5,00%, definida para 2022, que o BC mira ao calibrar os juros, reforçou o mal-  estar nos mercados. Gosuen, especialista da Blue3, diz que a reunião do Copom esta semana está cada vez no foco de investidores.

O Comitê de Política Monetária (Copom) decide nesta quarta-feira a nova Selic. A previsão do mercado é um aumento de 1 ponto porcentual, de 10,75% para 11,75%, mas o IPCA mais alto, segundo especialistas, deve colocar pressão maior sobre o BC. “Seguem no radar também as ações do governo para reduzir os impactos da alta do preço dos combustíveis”, acrescenta Gosuen.

As expectativas de inflação e Selic mais altas pressionaram com força, mais uma vez, os juros futuros. As taxas de contratos negociados na B3 dispararam, sobretudo em contratos de vencimentos mais longos. O efeito desse esticão refletiu-se na bolsa, em ações de empresas do setor de varejo. Magazine Luiza (MGLU) liderou a coluna negativa das cinco maiores baixas do Ibovespa, com queda de 5,98%.

As demais ações que sofreram no pregão de ontem são de empresas ligadas a commodities. Minério de ferro e petróleo tiveram fortes quedas no mercado internacional e afundaram as ações ligadas ao setor.

O sobe e desce na bolsa brasileira

Maiores altas

  • JHSF (JHSF3)                                            6,24%
  • Santander (SANB11)                                4,21%
  • GPA (PCAR3)                                           1,45%
  • EZTC3 (EZTC3)                                        1,38%
  • (Equatorial Energia (EQTL3)                 
  • 1,18%

Maiores baixas

  • Magazine Luiza (MGLU3)                       5,98%
  • CSN (CSNA3)                                          5,91%
  • CSN Mineração (CMIN3)                       5,90%
  • VALE3                                                       5,57%
  • Petrorio (PRIO3)                                      5,26%

Bolsas americanas também em rota de queda

Influenciadas pela guerra na Ucrânia e pelas expectativas com a reunião do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), “que deve aumentar os juros americanos”, as bolsas de Nova York também tiveram fortes quedas.

Notícias de novas sanções econômicas de países europeus contra a Rússia e de que a China estaria disposta a fornecer assistência militar à Rússia na campanha miliar na Ucrânia fortaleceram o pessimismo. A informação, que teria sido sinalizada pelos EUA, saiu foi publicada no Financial Times e aumentou a aversão ao risco global.

O índice Dow Jones fechou praticamente estável, em 32.294 pontos; o S&P 500 recuou 0,74%, para 4.173 pontos. E o ambiente mais pesado de aversão ao risco pegou mais forte o Índice Nasdaq, da bolsa eletrônica, que se desvalorizou 2,04%.

Sobre o autor
Regina Pitoscia
Editora do Portal Mais Retorno.