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Fundos de Investimentos

BB reavalia cenário para as commodities na defesa do maior patrimônio de fundos de renda variável do mercado

Questão está em saber o que vai prevalecer nos preços: oferta reduzida ou menor demanda com recessão global

Data de publicação:23/06/2022 às 05:00 -
Atualizado 9 dias atrás
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Revisão constante de cenários macroeconômicos voltados especialmente ao exterior é uma das tarefas prioritárias do time de gestão de fundos de renda variável na BB Distribuição de Títulos e Valores Mobiliários em meio à tanta instabilidade. Os desafios são muitos e gigantes na defesa do maior patrimônio dos fundos multimercado e de ações de todo o mercado, em portfólios bem diversificados.

As bolsas globais que continuam em queda sem sinais de estabilização diante de inflação persistente, a ação mais rígida de bancos centrais na política monetária, as indicações de enfraquecimento de algumas commodities, tudo isso está no radar de Marcelo Arnosti, estrategista-chefe de Multimercado, Renda Variável e Offshore da BB DTVM.

BB
BB DTVM tem grande desafio para saber o que vai acontecer com as commodities - Foto: Reprodução

De um contexto surpreendentemente mais fávorável à bolsa local do início deste ano, em que a economia do País mostrou não só boa resiliência, mas a capacidade de reagir em meio às consequências da pandemia, o ambiente global era o que exigia mais cautela com inflação em alta e perpectiva de banco centrais de subir mais rapidamente os juros, desaceleração econômica e guerra na Europa, relata o executivo.

O horizonte mudou nos últimos meses com a chegada de novos fatores negativos e resultados mais fracos do mercado de ações. A volatilidade e as reações abruptas de movimentos têm levado os gestores do BB a um acompanhamento ainda mais de perto, análises e discussões dos contextos macro e, eventualmente, à reformulação de rotas.

Arnosti explica que a opção por commodities nos fundos costuma trazer mais estabilidade às carteiras em períodos de maior turbulência dos mercados, porque têm sustentação de preços em geral pela baixa oferta. No entanto, nos últimos dias, até mesmo esse tipo de estratégia está sendo checado: "Mais recentemente os preços das commodities passaram a cair, metais particularmente, na margem, o petróleo, e até mesmo de algumas agrícolas. É um desafio para o nosso portfólio".

Temor de recessão

É principalmente o medo de recessão global que está está por trás desse comportamento de enfraquecimento das commodities na opinião do estrategista-chefe.

Ele explica que, de um lado, os mercados olham com cautela o movimento dos principais bancos centrais na elevação os juros, com o Federal Reserve, o banco central americano, aumentando em 0,75 pp nos juros americanos, e o Banco Central Europeu sinalizando o início do ciclo de alta.

E, de outro, existe a questão de saber se vão partir para uma estratégia mais agressiva, o que levaria a uma queda ainda maior da atividade global. "O receio é o de que daqui até o fim do ano as principais economias, a americana, da zona do euro, entrem em recessão", diz Arnosti.

Essa percepção combinada com a de que a economia chinesa não deslancha lança dúvidas sobre o nível de demanda por commodities. Lembrando que a China é uma das principais compradoras de commodities do planeta. Será que a demanda será menor que a imaginada e projetada inicialmente pelos mercados? Daí porque os preços do petróleo vem cedendo, batendo o nível de US$ 110, assim como os das commodities ligadas a metais em geral.

Além da questão de freio na economia mundial, o estrategista aponta mais dois fatores que estão influenciando as commodities; a valorização do dólar nos últimos 50 dias no mercado internacional, que torna os produtos mais caros em moedas locais retraindo a demanda, e a própria aversão ao risco, que acabam por afetar o setor.

Ao mesmo tempo, não se pode ignorar que a oferta global de commodities tem sido prejudicada pela guerra na Europa, por questões climáticas, por falta de investimentos no setor de petróleo, mas tudo isso em contexto de estoques baixos.

Portanto, o grande desafio aí está em saber que fator será predominante para o setor de commodities: demanda menor provocada por uma recessão global, ou oferta reduzida com capacidade de sustentar as cotações? Esse é o debate, diz Arnosti.

A economia mundial está em queda, mas não ainda em recessão, na avaliação da equipe da BB DTVM. Por isso, posicionamentos em commodities serão mantidos, mas com possível revisão na dosagem.

Mercado descontado

Em relação ao cenário doméstico, um fator que pode ser decisivo para o mercado de ações, segundo o especialista, é a avaliação de que os papeis estão bem descontados, com valuation muito baixo, em relação a diferentes indicadores, seja a P/L ou Price to Book. E a reação é esperada assim que houver alguma estabilização dos mercados internacionais.

Boa performance

Arnosti explica que a BB DTVM conta com uma diversificação extensa de fundos de investimentos, com estratégias variadas para atender aos diferentes interesses de seus públicos: dos setoriais aos temáticos, dos passivos aos ativos ou retorno total.

Abaixo seguem os cinco fundos multimercado da BB DTVM em 12 meses são todos fundos espelho, quer dizer, seguem a composição de outros fundos. Nem todos do mesmo segmento e do BB conseguiram a mesma performance: o BB Multimercado LP Juros Moedas FIC FI, o maior deles, com patrimônio superior a R$ 19 bilhões e com 211.063 cotistas, rendeu 7,63% no ano.

FundoRend.12 mesesPatrimônio em
milhões R$
Nº cotistas
BB Espelho Mult. Legacy Capital Private 21,19% 223,259 3.115
BB Espelho Mult. Absolute Vertex 17,91% 124,615 1.187
BB Espelho Mult. Ibiúna Hedge Private 15,63% 299,141 859
BB Espelho Mult. Bahia Am Marau Pri. 11,39% 188,637 502
BB Espelho Mult. Kapitalo Kappa 11,16% 72,952 1.214
Fonte: Mais Retorno

Fundos de ações

Os fundos de ações sofreram mais em 12 meses do que os multimercado na BB DTVM, assim como em todo o mercado.

Os cinco de melhor desempenho seguem na tabela. O maior deles, o BB Ações Quantitativo FIC FI, com um patrimônio de R$ 1,478 bilhão e 26.441 cotistas, está negativo em 7,73% em 12 meses, até maio.

FundoRend. 12 mesesPatrimônio em
milhões R$
Nº cotistas
BB Ações BB FI 15,87% 362,618 21.011
BB Ações Cielo FI -6,12% 38,831 4.209
BB Ações Quantitativo FIC FI -7,73% 1.478,507 26.441
BB Ações Sustentabilidade -14,54% 22,778 4.107
BB Ações Alocação ETF FIA -18,15% 138,242 5.183
Fonte: Mais Retorno

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Sobre o autor
Regina Pitoscia
Editora do Portal Mais Retorno.