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Fundos de Investimentos

Grandes fundos de ações em patrimônio e cotistas estão negativos em 12 meses; saiba quais são e os motivos

Apesar do desempenho negativo, a rentabilidade dos fundos superou a do Ibovespa no período

Data de publicação:20/06/2022 às 05:00 -
Atualizado 11 dias atrás
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Fundos de ações de grande porte não têm tido uma performance positiva nos últimos 12 meses. Em um levantamento feito pela Mais Retorno, dois deles se destacam pelo total de recursos que administram e cotistas que possuem: o BB Ações Quantitativo FIC e o XP Trend Bolsa Americana Dólar FIA.

fundos de ações
Fundos de ações com patrimônio e número de cotistas expressivos registram queda na rentabilidade em 12 meses - Foto: Shutterstock

Os fatores que influenciam no desempenho de cada um deles são diversos, embora tenham o desempenho das bolsas de valores como benchmark. Enquanto o BB Ações Quantitativo FIC está atrelado ao Ibovespa, o XP Trend Bolsa Americana Dólar FIA segue o S&P 500, índice que reúne as 500 maiores empresas americanas.

Um dos pontos que também chama a atenção é o tamanho do patrimônio administrado por cada um deles. O do fundo do BB soma R$ 1,36 bilhão, o maior dentro do universo considerado para a pesquisa, enquanto o XP Trend conta com R$ 319, 2 milhões.

Quando o recorte é feito pelo número de cotistas, o porte dos fundos ganha relevância. Apesar de ter um patrimônio menor, o XP Trend Bolsa Dólar conta com 38,7 mil.

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Fonte: Mais Retorno

De acordo com os dados fornecidos pela ferramenta Comparador de Ativos da Mais Retorno, a rentabilidade dos dois fundos está negativa em 12 meses. No entanto, apesar de os dados estarem no vermelho, ambos os fundos tiveram um desempenho melhor do que o Ibovespa desde janeiro de 2019, quando todos os ativos estavam em operação.

Enquanto o principal índice da B3 acumula perdas de 20,46% de janeiro de 2019 a maio de 2022, o BB Ações Quantitativo FIC foi o que apresentou uma rentabilidade negativa menos acentuada, de -11,08%, enquanto o XP Trend Bolsa Americana Dólar contabilizou -16,09%.

fundos de ações
Fonte: Mais Retorno

Segundo Bruno Bariotto Pellicano, sócio e gestor da SVN, o fundo XP Trend investe no mercado acionário com uma estratégia de se expor ao S&P 500, mas com mais peso nas ações large caps, papéis que possuem alta capitalização nas bolsas de valores e cujas empresas são reconhecidas por liderar o mercado no qual atuam.

“É uma forma de trazer menos volatilidade do que se expor ao índice puro, uma vez que as ações large cap possuem mais estabilidade de mercado”.

Bruno Pellicano, da SVN

A performance negativa no último ano, de acordo com Pellicano, ocorre por conta de “uma inflação estrutural e que deve ser combatida por uma política monetária restritiva”.

O gestor refere-se à postura adotada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre elevar a taxa de juros dos Estados Unidos de forma mais agressiva – na semana passada, a autoridade monetária comunicou que subirá a taxa básica de juros do país em 0,75 ponto porcentual, após duas altas de 0,50 p.p.

E isso, segundo ele, “gera um movimento de risk-off no mercado, no qual ativos de risco tendem a performar mal”.

Em relação ao BB Ações Quantitativo, Pellicano aponta que o fundo possui uma estratégia semelhante ao fundo da XP, mas com uma proporção de 65% do fundo exposto em ações e 15% em fundo de índice.

“O restante é uma estratégia de renda fixa que hoje está focada em NTN-B 35, que entrou na carteira por volta do meio de 2021 e vem ganhando espaço gradativamente”, complementa.

Pellicano, da SVN

O aumento da exposição em inflação, de acordo com o especialista, ajuda a explicar um pouco o rendimento acima do Ibovespa em 12 vezes, “uma vez que a inflação se manteve em níveis elevados, enquanto a Bolsa tem sentido esse movimento global de risk-off”.

Conheça um pouco mais sobre os fundos de ações do BB e da XP

BB Ações Quantitativo FIC

De acordo com dados de janeiro deste ano, o BB Ações Quantitativo mantinha 64% do seu patrimônio alocado em ações – em um total de 25 diferentes papeis – o que reforça sua característica de diversificação de ativos.

Com a Bolsa caindo como um todo em um ano marcado pela volatilidade, por conta da proximidade das eleições, riscos fiscais e reflexos do cenário externo, o fundo sentiu o impacto dessa movimentação.

O fundo tem 10 gigantes – que representam 72% do posicionamento em ações – dos setores de commodities, financeiro e de saneamento em sua carteira, sendo a Vale com maior participação (9,03%), seguida das ações PN da Petrobras (7,58%) e JBS na sequência, com 5,63%.

Apesar da alta do preço das commodities, por conta dos efeitos da guerra na Ucrânia, alguns papeis que integram o setor e fazem parte da carteira do fundo também tiveram rentabilidade negativa no período, como é o caso da VALE3, com baixa acumulada de 11,74% em 12 meses.

Já na contramão, a Petrobras, que também tem forte peso, obteve uma valorização de 43,53% no período. E a JBS, com alta de 26,15%.

Na mesma linha da Vale, com a nova onda de lockdowns na China por causa da covid-19, a Gerdau também reportou perdas, porém menos expressivas, de 4,99%.

Com taxa de administração de 1% ao ano e investimento inicial a partir de R$ 0,01, o fundo tem ainda 18,80% investido em operações compromissadas em títulos públicos.

XP Trend Bolsa Dólar FIA

O fundo XP Trend Bolsa Dólar FIA, também de acordo com dados da carteira de janeiro deste ano, conta com 63,93% dos ativos atrelados em cotas no do iShare S&P 500, ETF internacional que está fechado desde 2018, 16,80% em títulos públicos, 14,57% no ETF IVVB11, entre outros.

Com taxa de administração de 0,50%, o fundo tem investimento mínimo de R$ 100.

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.