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O que esperar das ações da Magazine Luiza, Via e Americanas daqui para frente

Nos últimos cinco dias, as ações da empresa de Luiza Trajano subiram próximo de 14%

Data de publicação:18/07/2022 às 17:58 -
Atualizado 2 meses atrás
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O caminho não tem sido nada fácil para as varejistas em 2022, principalmente as que têm sua atuação fortemente ligada ao e-commerce com um mix variado de produtos em seu portfólio.

Após tomarem tombos acentuados nos seis primeiros meses do ano, papeis de gigantes como Magazine Luiza, Via e Americanas mostram sinais de que querem sair do vermelho.

Magazine Luiza
Ações da Magazine Luiza subiram 14% nos últimos cinco dias, mas recuaram mais de 60% no primeiro semestre do ano - Foto: Reprodução

Nos últimos cinco dias, as ações da empresa de Luiza Trajano subiram próximo de 14% e as da Via, 9%. Nesta segunda-feira, 18, os papeis das duas empresas estiveram entre as maiores altas da Bolsa, mas fecharam o dia em queda de 0,36% e 3,33%, respectivamente.

A Magazine Luiza vem ganhando os holofotes nos últimos dias não somente pela valorização de suas ações, mas por declarações de investidores e movimentos feitos pela própria empresa, que sinalizam, de acordo com a visão do mercado, que a gigante vive dias sombrios.

Há poucos dias, o megainvestidor Luiz Barsi, durante sua participação em uma entrevista, afirmou que o Magazine Luiza um dia vai quebrar.

“Pelo menos 40 empresas de varejo quebraram e as próximas quebrarão. O Magazine Luiza um dia vai quebrar. Não sei quando, mas vai. Eu não sou profeta, estou falando em termos de histórico”.

Luiz Barsi, em entrevista

E nesta segunda-feira circulou um vídeo no qual a dona da gigante varejista, Luiza Trajano, anuncia o oferecimento de um crédito pré-aprovado para 10 milhões de clientes e convida-os a ir às lojas fazer um carnê “o quanto antes” para aproveitar essa oportunidade.

Em vídeo, Luiza Trajano convida clientes a fazer um carnê na loja - Fonte: Economista Sincero

As opiniões ficaram divididas. Enquanto alguns criticaram e apontaram um suposto “desespero” da varejista em busca de aumentar o consumo, outros já acham que essa é uma estratégia acertada da companhia para sensibilizar os clientes por meio da figura da própria Luiza Trajano.

Por que os papeis mudaram de rumo?

Para os especialistas entrevistados para essa matéria, alguns fatores estão por trás dessa tentativa de virada de jogo. Entre eles estão a divulgação de alguns dados econômicos, que mostram a atividade do País em aquecimento.

Romero Oliveira, sócio da Valor Investimentos, aponta que números como a taxa de desemprego no Brasil e as revisões positivas do PIB estão impulsionando a elevação desses papeis.

“Havia a expectativa de que o desemprego ficaria elevado por mais tempo, mas hoje estamos com uma taxa com menos de dois dígitos. O mesmo aconteceu com o PIB. O mercado esperava uma desaceleração do crescimento econômico e hoje as projeções estão sendo atualizadas para cima”, pontua.

Romero Oliveira, da Valor Investimentos

PEC Kamikaze: aumento do consumo das classes mais baixas

Outro movimento que reforçou os ânimos desses papeis foi a aprovação da PEC Kamikaze – ou PEC das Bondades – que prevê a distribuição de R$ 41,2 bilhões em auxílios sociais até o fim deste ano. Apesar de ter sido vista como pessimismo de forma geral pelo mercado, por conta da elevação do risco fiscal,

“Isso vai trazer um ganho no poder de compra das classes mais baixas, o que deve beneficiar os papeis dessas companhias no curto prazo”.

Gustavo Pazos, analista do time de research da Warren Asset

A visão de curto prazo está ligada ao fato de que o auxílio tem data para terminar: dezembro de 2022. A partir daí, de acordo com Pazos, o cenário deve mudar.

Tempos difíceis

Antes dessa maré de alta, as ações das varejistas vivenciaram tempos difíceis desde o final do ano passado. Para se ter ideia da magnitude desse cenário, vamos aos números.

Os papéis da Magazine Luiza, uma das ações mais queridinhas dos brasileiros, fechou o primeiro semestre do ano com uma desvalorização de 67,45%, constituindo a maior queda das empresas que compõem o Ibovespa na primeira metade do ano. Na sequência, veio a Via, com perdas na ordem de 63,24% e a Americanas S.A, com baixa de 56,54%.

De acordo com Oliveira, da Valor Investimentos, o setor tem uma forte correlação com a movimentação dos juros e vem sentindo o impacto do ciclo de alta da Selic, que teve início no começo do ano passado e levou a taxa de 2% a 11,25% em um prazo de 12 meses.

O ciclo de aperto monetário – que ainda está em curso, mas deve arrefecer nos próximos meses, segundo especialistas – adotado pelo Banco Central teve como intuito frear o avanço da inflação no País, o que tende a refletir no bolso do consumidor e tirar seu poder de compra.

“Com a inflação em alta, os consumidores passam a deixar de consumir produtos supérfluos, reduzindo a força do varejo discricionário. Eles acabam priorizando as necessidades básicas, como alimentos e remédios”, destaca Oliveira.

Concorrência

Enquanto a alta de juros estava em curso, o mercado varejista também enfrentou outro problema: o aumento da concorrência, com a entrada no campo de novos jogadores, como as empresas internacionais Shopee, Amazon, Shein, Aliexpress, além do amadurecimento das operações do Mercado Livre.

“São empresas que têm se destacado em oferecer produtos com preço atrativo e no serviço prestado. O grande desafio para as tradicionais do mercado é conseguir esse diferencial para não perder mercado”, enfatiza o especialista da Valor.

Pazos, da Warren, aponta ainda que a velocidade de avanço das concorrentes internacionais tem sido significativa.

Ele traz como exemplo um indicador denominado share of search (ou participação nas buscas, na tradução para o português), que envolve justamente a participação que uma marca tem nas buscas dentro do mercado no qual está inserida e está diretamente relacionada ao seu market share.

“O share of search da Magalu (dados de março de 2022) é de 10%, enquanto o da Amazon é de 9%. Estamos falando de uma empresa que está há 60 anos no mercado brasileiro e outra que não tem nem uma década”.

Pazos, da Warren

O que esperar daqui para frente?

Para Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos, as três varejistas não devem voltar ao patamar do ano passado em termos de crescimento com essa nova leva de altas.

“Não há um cenário semelhante ao do ano passado, com juros na casa dos 2%, lockdown e gastos focados somente no e-commerce”, ressalta.

Rodrigo Crespi, da Guide

Romero Oliveira, da Valor, acredita que ainda deve haver muita volatilidade nas ações do setor, “até o mercado ter uma visão clara sobre as perspectivas de consumo”.

Na visão de Gustavo Pazos, da Warren, as três empresas estão bastante endividadas e combinação disso com a queda no consumo e forte concorrência “pode ser uma combinação explosiva”.

Além disso, pegando carona na declaração de Barsi, Pazos aponta que “não há espaço para todo mundo no setor varejista”. “Ter mais de três gigantes buscando mercado em um subsegmento do setor varejista me parece irreal”.

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