Economia

O esticão da taxa Selic e, em sua esteira, o tombo do dólar beneficiam algumas empresas e prejudicam outras. E a perspectiva de resultados vai mexer com suas ações negociadas em bolsa. Veja, então, quem ganha e quem perde na bolsa com juros em alta e dólar em queda, e saiba por quê.

Juros afetam o nível de atividade doméstica, na economia real. Já o dólar interfere no resultado de companhias que atuam no comércio exterior. E a oscilação nesses ativos produz um realinhamento de preços relativos.

Bancos e importadoras são favorecidos com alta dos juros e queda do dólar

Seus efeitos mais diretos e contundentes recaem em alguns setores específicos de atividade. Para o bem ou para o mal, em empresas expostas mais diretamente à variação desses dois importantes preços da economia: juros e câmbio.

Quem ganha na bolsa com a alta dos juros

O setor bancário é, para analistas, um dos que se beneficiam com a elevação dos juros. É o momento que os bancos ampliam o spread (diferença entre o custo de captação e o juro cobrado de clientes).

O ganho vem do descompasso entre o repasse imediato de juro maior nos empréstimos, mas uma correção mais lenta das taxas de captação, as que são oferecidas por seus papeis de renda fixa.

As seguradoras também são favorecidas pela alta dos juros, pontua a   equipe econômica da XP investimentos. Uma das fontes de receita está nos ganhos obtidos com a aplicação dos recursos da venda de seguros. Como grande parcela está na renda fixa, o retorno fica maior.

Assim, entram na lista das ações beneficiadas, as de grandes bancos privados, como Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11), BTG Pactual. Entre as seguradoras, as do BB Seguridade (BBSE3) e SulAmérica (SULA11).

Quem perde na bolsa com a elevação dos juros

Estão entre as que tendem a ser prejudicadas pelo aumento da Selic, pelo estudo da XP, empresas de setores como varejo, elétrico e locação de veículos. Isso porque a alta dos juros tende a inibir o consumo, fica mais caro levantar um financiamento para os gastos. No entanto, sentirão ainda mais os efeitos, as que estiverem mais endividadas, que trabalham com capital intensivo e precisam financiar seus projetos.

E como fica o mercado imobiliário?

O setor imobiliário é outro que pode passar por retração com a retomada de subida da Selic, avalia Alexandre Almeida, economista da CM Capital. O motivo, para ele, é que a Selic subiu mais que o previsto, nesta primeira rodada de alta. E, mais, já está engatilhado novo aumento, de igual calibre, para maio. “À medida que a economia se recupere, a Selic pode subir mais para um ajuste adequado às taxas dos títulos públicos.”

A avaliação de Eduardo Santalucia, sócio da Santa Investimentos, destoa da de Almeida. Ele entende que o atual ciclo de alta da Selic não afetará o mercado imobiliário nem o de financiamento habitacional. E tampouco influenciará o valor das ações de construtoras na bolsa. “Comparado com nosso histórico perverso de juros altos, a atual Selic, mesmo com novas altas, não deverá ter força para desestimular o mercado imobiliário.”

É possível que avaliações díspares derivem, em parte, de análises também distintas sobre a Selic. Alexandre Almeida, da CM Capital, estima uma taxa básica de 6% ao ano no fim de 2021. Previsão um ponto porcentual acima da de 5% projetada pela equipe de economia da XP Investimentos. O prognóstico de Santalucia aponta para pouco abaixo, 4,5%.

Quem ganha com a queda do dólar

Empresas importadoras são beneficiadas pelo efeito baixista no dólar provocado pela subida dos juros. A alta da Selic, pela diferença que abre entre o juro interno e os do mercado externo, costuma levar à queda do dólar.

Ou à valorização do real, porque taxas de juro mais elevadas atraem capital estrangeiro que entra à procura de maior rentabilidade. Esse movimento provoca um aumento de oferta de dólar no mercado interno e deprime as cotações da moeda americana. Com o dólar mais baixo, as importações ficam mais baratas.

Assim, especialistas dizem que os principais beneficiários do recuo do dólar são as empresas que importam produtos e insumos com custos atrelados ao dólar. Com a valorização do real, pagam menos pelas compras no exterior.

Um dólar mais barato favorece ainda companhias endividadas em moeda americana, que terão redução no valor da conta. Com moeda nacional mais forte, terão de desembolsar menos reais para o pagamento da dívida.

Quem perde com o recuo do dólar

Empresas do setor exportador são os que mais perdem com a desvalorização do dólar. Ao ingressar com os recursos no País, recebem menos reais por suas exportações.

As companhias que atuam nas duas pontas, exportam manufaturados e importam insumos, podem ficar no empate. O que deixa de entrar no caixa na venda compensaria o que deixa de sair também na importação.

Nessa balança de relativo equilíbrio entre os pratos, especialistas apontam que o diferencial está no aumento de produtividade e de volumes de exportação. O que fortalece também a competitividade que poderá dar mais brilho às ações dessas empresas na bolsa de valores.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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