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Recessão: saiba o que é e qual seu impacto na economia

Um dos termos mais comuns quando o assunto é a economia global é a chamada “recessão”. Mesmo aquelas pessoas que não possuem uma grande proximidade com…

Data de publicação:18/07/2022 às 05:00 -
Atualizado 4 meses atrás
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Um dos termos mais comuns quando o assunto é a economia global é a chamada "recessão". Mesmo aquelas pessoas que não possuem uma grande proximidade com o mercado financeiro já identificam que não se trata de um período positivo. No entanto, o que esse cenário representa de fato?

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Recessão é o o nome dado ao cenário econômico que retrata a contração da economia | Foto: Reprodução

Aproveitando o atual momento da nossa economia, no qual há uma grande discussão sobre uma eventual recessão ao longo dos próximos meses, hoje nós vamos explicar tudo que envolve esse termo tão comum no mercado financeiro e quais são os impactos para os brasileiros.

O que é recessão?

A recessão é o nome que caracteriza um cenário econômico no qual há uma contração da economia. Em outras palavras, simplificando o "economês", trata-se do período em que há uma redução do PIB (Produto Interno Bruto) de um país — algo que, por sua vez, representa que há uma perda de produção e consumo por parte da sua população.

Vale observar que o PIB representa a soma de toda a produção de um país. Logo, essa queda representa que as empresas estão vendendo menos para uma população que acaba gastando menos e perdendo o seu poder de compra. É comum também que ocorra uma elevação nos níveis de desemprego, contribuindo de forma negativa para a perda de confiança do consumidor na economia.

Por regra, considera-se uma recessão técnica aquele país que, durante dois trimestres seguidos, apresenta uma queda no seu PIB. No entanto, é necessário analisar caso a caso, pois um segmento específico pode puxar o resultado para baixo — e a recessão costuma ser determinada quando apresenta um efeito sistêmico (isto é, sobre toda a economia).

Quais são as características de uma recessão?

O período de recessão econômica, também batizado como "crise", costuma apresentar alguns sinais comuns. É por isso, aliás, que esse ambiente desafiador é facilmente percebido por uma população. Os efeitos, afinal, acontecem diretamente sobre o seu poder de compra.

O primeiro deles já mencionamos anteriormente: o desemprego. Como as empresas perdem força de venda durante uma contração econômica, elas também acabam reduzindo as suas receitas e, consequentemente, os seus lucros. Desta forma, não resta outra solução para manter o negócio saudável: cortar custos.

Na ponta do ambiente corporativo, quem sofre são os colaboradores, que em muitas crises acabam perdendo os seus empregos. E isso leva ao segundo fator comum de uma recessão: a redução da renda familiar. Ou seja, a população passa a ter salários menores (ou inexistentes) e torna inviável manter o seu consumo.

Some-se isso a um fator recorrente em períodos que antecedem as crises, que é o aumento da inflação. A economia é cíclica, com otimismo e recessão alternando ao longo do tempo. E, uma vez que o efeito da inflação leva ao aumento dos preços, temos então uma família com perda de poder aquisitivo, mas precisando comprar itens mais caros.

Essa conta não fecha, concorda? Portanto, o Banco Central precisa agir e tentar implementar a sua política monetária. Para conter a inflação, a principal ferramenta é a elevação da taxa de juros. Assim, o consumo é inibido para reduzir a inflação, mas acaba por afetar também os investimentos. Quem vai arriscar abrir um negócio durante uma crise?

É justamente esse ambiente que costuma caracterizar um período de recessão. E, diante de tantas adversidades, a população tende a perder confiança na economia e reduzir gastos. O desafio de normalizar a economia e retomar o consumo, portanto, é bem complexo.

Como superar uma recessão econômica?

Existem muitos fatores que podem levar um país a enfrentar uma recessão econômica. Um país muito exposto a uma determinada atividade (como o Brasil é com o agronegócio, por exemplo), pode ter resultados ruins de PIB caso aquele segmento enfrente uma turbulência muito severa.

Ao identificar a chegada de uma recessão, o governo deve agir. O primeiro ponto é evitar ao máximo que empresas quebrem por meio de incentivos financeiros e redução de impostos. Para a retomada econômica, manter a indústria viva é essencial, pois uma dificuldade maior pode afetar todo sistema nacional.

Além disso, é necessário retomar a confiança do consumidor que, em virtude da recessão, deixa de gastar em função do aumento da incerteza. É necessário, portanto, fazer o caminho inverso do que vimos no tópico anterior. Isto é, a população precisa consumir para elevar o faturamento das empresas, que por sua vez voltam a contratar e gerar empregos.

Por fim, em termos de política monetária, é dever do Banco Central adotar uma estratégia defensiva, reduzindo as taxas de juros assim que a inflação se mostra controlada. Um crédito mais barato, afinal, contribui diretamente para o consumo e para os investimentos.

Como se preparar para uma recessão?

Do ponto de vista individual, não há muito o que fazer para evitar uma recessão. Como vimos anteriormente, a economia é cíclica e, portanto, os momentos otimistas irão sempre se alternar com outros de crise.

Se não há como evitá-la, um bom investidor possui boas ferramentas para se preparar para esse cenário desafiador. É o caso, por exemplo, de montar uma reserva de emergência que ajude a lidar com gastos se o emprego for perdido.

É recomendável também ter uma carteira de investimentos diversificada, que ofereça exposição a diferentes classes de ativos. Mesclando CDI, IPCA e ações, por exemplo, você consegue aproveitar positivamente diversos ciclos econômicos.

A bolsa de valores traz bons retornos em períodos de otimismo, enquanto que a exposição aos indexadores de renda fixa ajuda a reduzir o impacto da recessão ao seu patrimônio. Essa mescla é saudável e positiva, equilibrando o risco e o retorno dos investimentos.

O Brasil vive uma recessão?

O atual cenário econômico é bem desafiador para os brasileiros. Com efeitos ainda não superados de uma pandemia, gasolina cara em função do petróleo elevado, forte pressão inflacionária, altas taxas de juros e a explosão de uma guerra na Europa, as características representam algo muito próximo ao que chamamos de crise.

No entanto, ao menos tecnicamente, não podemos dizer que o país está em recessão. Nos últimos seis trimestres, por exemplo, apenas um teve resultado negativo — o segundo trimestre de 2021. A última vez que tivemos dois períodos de PIB em queda foi durante o primeiro semestre de 2020, quando a pandemia da COVID-19 explodiu no Brasil.

Por outro lado, isso não significa que o período não seja desafiador. Com uma base baixa em função de uma queda forte em 2020, a recuperação econômica ainda é lenta. E o governo ainda precisa lidar com uma inflação elevada, sem poder deixar de ajudar a população por meio do Auxílio Emergencial.

Como comentamos, portanto, é de extrema importância se preparar para lidar com um cenário de recessão — ainda que, tecnicamente, o Brasil não esteja classificado dessa forma até a última atualização deste artigo.

Sobre o autor
Stéfano Bozza
Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

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