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Mercado Financeiro

Mercado está de olho na decisão do Fed sobre juro e retirada de estímulos monetários da economia americana

Com números da inflação em alta, perspectiva é que processo será acelerado nos EUA

Data de publicação:15/12/2021 às 07:00 -
Atualizado 8 meses atrás
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A expectativa do mercado financeiro nesta quarta-feira, 15, está toda centrada nos Estados Unidos. No meio da tarde, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) anunciará a definição sobre o juro dos Fed funds, as taxas de curto prazo dos EUA, o equivalente à Selic brasileira. Por lá, os futuros operam mistos, com os investidores à espera dos novos direcionamentos da política monetária.

No cenário local, uma notícia que pode dar algum alento ao mercado chegou apenas na noite do dia anterior, dando conta de que a Câmara aprovou em primeiro turno as alterações na PEC dos Precatórios que abre espaço no Orçamento para bancar o pagamento do Auxílio Brasil no valor de R$ 400.

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Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Voltando ao Fed, as decisões podem provocar impacto no mercado financeiro global e também por aqui. Principalmente se indicar uma aceleração na retirada de estímulos monetários, com a redução no volume de recompra de títulos, ou alguma mudança no calendário para a elevação dos juros, prevista, em duas rodadas de ajuste, para o segundo semestre de 2022.

A atenção com a decisão do Fed ficou fortalecida após a divulgação de dados mais recentes que apontam para sinais de aumento de pressão inflacionária na economia dos EUA. O último deles foi o Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês), divulgado na terça-feira, que veio com alta superior às estimativas de analistas. 

Nesta quarta-feira pela manhã serão conhecidos ainda outros dados importantes que poderão influenciar a decisão que o Fed vai anunciar à tarde. Trata-se de dados sobre as vendas no varejo, considerado indicador importante de recuperação da economia e possível fonte inflacionária.

Mercado deve ficar em compasso de espera

Por tudo isso, especialistas esperam um mercado financeiro cauteloso e em compasso de espera nesta quarta-feira até conhecer a decisão sobre os juros nos EUA. Tudo isso complementado por declarações de dirigentes do Fed, após a reunião, que poderão acrescentar informações e lançar mais luz sobre a gestão de política monetária americana.

Foi nesse ambiente de ansiedade e expectativa com o que o Fed decidirá nesta quarta que o mercado financeiro teve mais um dia de fechamento negativo, de certa forma reprisando o comportamento de segunda-feira.

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, transitou boa parte do dia em terreno positivo, com alta que chegou a 1,64%, mas perdeu sustentação à tarde e fechou com baixa de 0,58%, em 106.760 pontos. O dólar seguiu trajetória inversa à da B3 e encerrou os negócios cotado por R$ 5,69, com valorização de 0,34%, a quarta consecutiva.

O dia também foi de fechamento negativo das bolsas americanas. O índice Dow Jones caiu 0,30%; o S&P 500 recuou 0,75% e o Nasdaq caiu 1,04%.

PEC dos Precatórios: aprovação da segunda parte

A Câmara aprovou na noite anterior a segunda parte da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios e garantiu a abertura de um espaço fiscal de R$ 106,1 bilhões para aumento de gastos em 2022.

Com isso, o governo do presidente Jair Bolsonaro poderá pagar o Auxílio Brasil no valor de R$ 400 e ainda negociar o restante para atender demandas de parlamentares. A expectativa é de que a promulgação ocorra ainda nesta semana, sem necessidade de nova votação no Senado.

Os deputados aprovaram o limite de pagamento de precatórios até 2026, e não mais até 2036, e a destinação do espaço fiscal da PEC para o Auxílio Brasil e despesas previdenciárias. Foram 327 votos a 147 no primeiro turno. O texto ainda precisa ser votado mais uma vez na Câmara.

A limitação para as despesas com sentenças judiciais abre uma folga de R$ 43,8 bilhões no teto em 2022. A mudança no cálculo do teto de gastos, promulgada na semana passada, garante mais R$ 62,2 bilhões no Orçamento.

No mesmo dia da votação, o ministro da Economia, Paulo Guedes, assinou uma portaria que destravou a execução de verbas do Orçamento de 2021 e autorizou o empenho de recursos até 31 de dezembro deste ano.

Os deputados também aprovaram a proposta do Senado de tornar o Auxílio Brasil um programa permanente na Constituição, mas sem necessidade de apontar fonte de financiamento para implantar o benefício de R$ 400, driblando a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Além disso, o texto aprovado prevê a criação de uma comissão no Congresso para fiscalizar a expedição e o pagamento de precatórios a partir do próximo ano, movimento batizado de "meteoro" pelo ministro Paulo Guedes.

Exterior

Nova York

Por lá, os investidores se preparam para uma retirada mais rápida do estímulo do Fed na reunião desta quarta-feira, avaliando ainda os sinais de desaceleração do crescimento econômico chinês.

A autoridade monetária está lutando contra os níveis de inflação mais altos em 39 anos. Na véspera, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) subiu 0,8% em novembro ante outubro, acima dos 0,5% esperado pelos analistas, e apontou um aumento anual de 9m6%m acima dos 9,2% projetados.

Além disso, as tensões entre a China e os Estados Unidos continuam. O governo Biden está considerando a imposição de sanções mais duras à Semiconductor Manufacturing, a maior fabricante de chips chinesa. Segundo o Financial Times, os EUA vão adicionais mais oito empresas chinesas a uma listra de restrição de investimento.

Enquanto isso, um projeto de lei para aumentar o teto da dívida dos EUA em US$ 2,5 trilhões foi enviado ao presidente americano para sua assinatura, após ser aprovado pelos legisladores.

Futuros/bolsas americanas

  • S&P 500: - 0,09%
  • Dow Jones: + 0,01%
  • Nasdaq 100: - 0,28% (dados atualizados às 8h55)

Europa

Na zona do euro, o clima é mais ameno, mesmo com o avanço da nova variante ômicron pelo continente. A Organização Mundial da Saúde está preocupada com o fato de que nova cepa está sendo considerada leve, embora se espalhe mais rápido do que qualquer outra variante anterior.

Itália, Escócia e Holanda estão aumentando as restrições, enquanto a Coreia do Sul está reforçando medidas de distanciamento social.

Bolsas/zona do euro

FTSE MIB (Milão): - 0,63%
Stoxx 600 (Europa): + 0,39%
DAX (Frankfurt): + 0,30%
CAC 40 (Paris): + 0,64%
PSI 20 (Lisboa): + 0,01%
Ibex 35 (Madrid): - 0,68% (dados atualizados às 9h05)

Ásia

As bolsas da Ásia fecharam sem direção única nesta quarta-feira, com o Fed no radar. Os mercados chineses caíram em bloco, em meio à cautela referente à disseminação da variante ômicron do coronavírus.

Um estudo conduzido pela Universidade de Hong Kong indicou que duas doses da vacina produzida pela Sinovac, conhecida como Coronavac, não induziram proteção suficiente contra a nova cepa do vírus. A notícia deflagrou um movimento de fuga de risco nas mesas de operações do país asiático, onde o imunizante é amplamente utilizado.

Indicadores mistos da segunda maior economia do planeta também ficaram no radar de operadores. A produção industrial chinesa cresceu 3,8% na comparação anual de novembro, ante expansão de 3,5% em outubro.

Por outro lado, as vendas no varejo desaceleraram e tiveram aumento de 3,9% na mesma base comparativa. As vendas e preços de moradias chinesas também perderam força.

Na Oceania, o Estado mais populoso da Austrália, New South Wales, registrou hoje 1.360 novos casos de coronavírus, o maior número diário desde 11 de setembro. Autoridades sanitárias dizem que o avanço é impulsionado pela variante Ômicron. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Fechamento/principais praças financeiras da Ásia

  • Xangai (China): - 0,38% (3.647 pontos)
  • Shenzen (China): - 0,58% (2.543 pontos)
  • Hang Seng (Hong Kong): - 0,91% (23.420 pontos)
  • Taiex (Taiwan): + 0,35% (17.660 pontos)
  • Kospi (Coreia do Sul): + 0,05% (2.989 pontos)
  • S&P/ASX 200: - 0,70% (7.327 pontos)
Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.