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Economia

Fed inicia o “tapering” e o que devemos esperar para o dólar?

A piora do ambiente fiscal no Brasil e o inicio do processo de redução de compras de ativos pelo Fed (“tapering”) provocou uma desvalorização relativamente acentuada…

Data de publicação:05/11/2021 às 16:29 -
Atualizado 7 meses atrás
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A piora do ambiente fiscal no Brasil e o inicio do processo de redução de compras de ativos pelo Fed (“tapering”) provocou uma desvalorização relativamente acentuada do dólar/real conforme podemos observar no gráfico abaixo, que mostra as cotações de fechamento semanal destas duas moedas (atualizado até 04/11/21). Note que a distância entre as linhas reduziu drasticamente, deixando o dólar mais forte.

dólar

Sobre os “dois motores” que atuam em nossa moeda:

Motor externo: o DXY está em tendência de alta de médio prazo e de longo prazo e não está muito distante da máxima do ano. O Fed começou o processo de normalização monetária ao iniciar a redução das compras de ativos.

A inflação segue muito elevada, bem acima do objetivo do Fed, mas a autoridade monetária insiste na tese de inflação transitória e acredita que os preços recuarão para a meta de longo prazo daqui alguns meses, com a normalização das cadeias de suprimentos. Assim, não esperamos uma alta muito forte do dólar enquanto o Fed mantiver esse discurso. Caso o Fed capitule e mude o discurso, aí sim, o dólar terá mais força para subir.

Motor interno: o Congresso segue produzindo muito pouco, principalmente o Senado. O principal tema é a PEC dos precatórios, que foi aprovada em primeiro turno na Câmara e ainda tem um longo caminho para ser aprovada com o texto original.

A Reforma Administrativa e a Reforma Tributária deverão ficar para o próximo governo, uma pena, pois são temas muito importantes para o desenvolvimento do nosso país. Algumas reformas microeconômicas devem ser aprovadas, mas é muito pouco para deixarmos otimistas do ponto de vista macroeconômico.

O Banco Central subiu a Selic para 7,75%, mas ficou “refém” do mercado, que exige uma Selic de dois dígitos para compensar um desajuste fiscal. A melhora nas contas não é considerada devido o discurso muito ruim do governo.

Mansueto Almeida, economista do BTG Pactual e ex-Secretário do Tesouro Nacional, explica porque é muito importante se comunicar de forma clara e objetiva, garantido que o furo no teto de gastos será apenas em 2022 devido a um mecanismo de transição de saída da pandemia. Ou seja: que não haverá mais mudanças nas regras fiscais. Vale a pena assistir ao vídeo indicado no link abaixo! https://www.youtube.com/watch?v=bJ9Zg3hkwW0&ab_channel=BTGPactualdigital.

Em resumo: os dois motores estão ligados para favorecer o dólar a subir!

Retrospectiva

Reunião do FOMC de 03 de novembro: o Comitê de Política Monetária do Fed (FOMC) decidiu iniciar a redução das compras de ativos (“tapering”) a razão de $15 bilhões por mês e, desta forma, o atual programa deve ser extinto em junho de 2022. O programa atual prevê compras mensais de títulos de U$120 bilhões.

Jerome Powell, presidente do Fed, disse na coletiva de imprensa que “achamos que podemos ser pacientes (para subir os juros). Se houver necessidade de uma resposta, não hesitaremos” e que não é um bom momento para subir os juros “porque queremos que o mercado de trabalho se recupere ainda mais”.

O comunicado pontua que “a inflação está elevada, refletindo em grande parte fatores que se espera sejam transitórios. Os desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia e a reabertura da economia contribuíram para aumentos consideráveis de preços em alguns setores”.

Conclusão: o Fed iniciou a redução dos incentivos e acompanhar a evolução da inflação nos próximos 6 a 9 meses será essencial para entender o movimento do dólar no mundo. Se a inflação se provar transitória, o dólar terá pouco espaço para subir porque o Fed somente deverá subir os juros em 2023. Caso contrário, se a inflação se provar estrutural, o dólar irá subir mais (e as bolsas devem cair) devido a antecipação da alta dos juros.

Próximos eventos relevantes:
• 05 de novembro – Payroll (EUA)
• 10 de novembro – CPI (EUA) e IPCA (Brasil)
• 21 de novembro – prévias do PSDB
• 08 de dezembro – reunião do Copom
• 15 de dezembro – reunião do Fed (comunicado, conferência de imprensa e novas projeções)

Caminhos para o dólar/real

Na última coluna comentamos que o dólar/real caminhava para a faixa de R$ 5,70 e que as intervenções do Banco Central seriam inócuas. De fato, foi exatamente isso o que aconteceu. Do ponto de vista de tendência, deveremos ver o dólar/real pressionado para cima.

Há muitas dúvidas na cabeça dos investidores. Certamente a aprovação da PEC, sem que essa seja desconfigurada por emendas, será um passo importante para acalmar o mercado.

Além disto, será preciso melhorar a comunicação para que os investidores acreditem que a mudança na regra do teto de gastos ocorreu com a necessidade de elevar os gastos sociais devido a pandemia e com o volume financeiro muito elevado dos precatórios e que o compromisso fiscal permanece.

Naturalmente, o cenário eleitoral pesou a favor do aumento de gastos, tema que abordamos na coluna de 08 de junho e que será atualizado em breve https://maisretorno.com/portal/entenda-por-que-o-dolar-esta-caindo-e-o-real-esta-se-valorizando A maior dificuldade de acreditar no compromisso fiscal de longo prazo ocorre devido o cenário eleitoral, já que há candidatos defendendo o fim das âncoras fiscais.


Desejo a todos uma ótima semana e bons negócios!


Abraços,


José Faria Júnior


Disclaimer: este material foi elaborado com a exclusiva finalidade de apresentar conteúdo meramente indicativo, não devendo, em nenhuma hipótese, ser interpretado como um texto, relatório de acompanhamento, estudo ou análise sobre câmbio ou valores mobiliários que possam auxiliar ou influenciar no processo de decisão. As informações utilizadas para a sua elaboração foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis e de boa fé, porém não há nenhuma garantia, expressa ou implícita, sobre mudanças, que não implica na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Desta forma, a Wagner Investimentos e o analista envolvido em sua elaboração não aceitam responsabilidade por qualquer perda direta ou indireta decorrente da utilização do conteúdo deste documento.

Sobre o autor
Jose Faria Júnior
José Raymundo de Faria Júnior é economista graduado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e mestre em Administração pela Fecap. Sócio desde 2006 da Wagner Investimentos, possui as certificações financeiras CFP®️, CNPI, CGA e é Consultor de Valores Mobiliários.