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‘Começa um cenário em que a Selic não vai chegar a 12%’, diz economista

Preocupações se voltam para 2023, que pode ser também um ano recessivo

Data de publicação:09/12/2021 às 18:02 -
Atualizado 5 meses atrás
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O economista Tony Volpon, estrategista-chefe da WHG (Wealth High Governance) e ex-diretor do Banco Central (BC), acredita que 12% deveriam ser o limite para o atual ciclo de alta da Selic. Ele afirma que, pelos indicadores mais recentes (PIB, vendas no varejo, produção industrial), o ritmo de desaceleração da atividade está mais rápido do que o esperado. "Colocar os juros em 13% só piora a recessão."

Selic
Colocar a Selic a 13% só vai piorar a recessão

Volpon lembra também que só uma pequena parcela da alta dos juros já teve impacto na atividade. "Tem um caminhão de juros para jogar na cabeça da economia", diz. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Até quando o Copom deve subir os juros para conter a inflação?

Chegamos a precificar uma Selic de 14%. Mas parece que estamos tendo uma desaceleração da economia mais rápida do que o mercado estava prevendo. Temos uma sequência de dados da atividade econômica bem fracos. Esse é um elemento novo que deveria impactar o que o BC irá fazer na primeira reunião de 2022. Agora, está começando a pintar um cenário em que a Selic não vai chegar a 12%. Acredito que a última alta de juros ocorra na reunião de fevereiro, e o ciclo se encerre com uma taxa entre 11% e 12%, mas não acima de 12%.

Agora, a questão é de dosagem dos juros?

Sim. Ninguém está discutindo que o juro não tenha de subir. Da mesma maneira que o BC errou na dosagem baixando (o juro) para 2%. O BC não pode cometer, agora, o erro com o sinal trocado.

O BC errou?

Errou muito e teve azar. Teve crise hídrica, a bagunça fiscal que começou em janeiro e se estendeu por quase o ano inteiro, o câmbio desvalorizou muito.

O intervalo entre a alta dos juros e o impacto na economia real é de cerca de seis meses. Então, uma parte da alta de juros dos últimos meses não se manifestou?

Não se manifestou, por isso o cenário é meio preocupante. Estamos vendo a desaceleração da atividade em dezembro. E, em tese, estamos pegando um pouquinho da alta do juro, quando ele foi de 2% para 2,75%. Tem um caminhão de juros para jogar na cabeça da economia. O impacto dos juros começa em seis meses e pode se estender por até dois anos. Esse aumento de juros pode prejudicar a economia em 2023. A gente acha que 2023 pode ser recessivo, mas tem uma eleição no meio. Por outro lado, se o mercado e a economia real se preocuparem menos com o resultado eleitoral e um eventual ganhador da eleição disser coisas certas, como os preços dos ativos caíram muito um pouquinho de expectativas positivas no fim do processo eleitoral poderá salvar 2023. /Agência Estado

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