Mercado Financeiro

A Bolsa fechou em queda de 1,73% nesta quinta-feira, 26, depois de dois pregões de altas expressivas. O Ibovespa novamente perdeu o patamar dos 120 mil pontos, aos 118.723,97 no final do pregão, puxado pelas empresas ligadas à commodities e os bancos.

O desempenho negativo da B3 acompanhou as principais bolsas internacionais, que refletiram, sobretudo, a divulgação de dados da economia americana e a cautela do mercado em relação às falas de membros do Fed (Federal Reserve, o banco central americano). No cenário interno, os investidores continuaram de olho nas tensões políticas e riscos fiscais do País.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Mesmo com o preço de minério de ferro em alta por mais um dia nas bolsas asiáticas, as siderúrgicas registraram baixas acentuadas em suas ações neste pregão. Vale, CSN, Usiminas e Gerdau caíram 1,28%, 3,02%, 3,46% e 2,10%, respectivamente.

As petroleiras também apresentaram queda nesta quinta-feira, após os contratos futuros de petróleo fecharem no negativo, num movimento de realização de lucros por parte dos investidores, depois de um último pregão de valorização. A Petrobras e a PetroRio recuaram 0,87% e 4,55%, respectivamente.

Seguindo a mesma trilha das commodities, as ações dos bancões - que respondem por cerca de 17% da carteira teórica da B3 - caíram. Itaú, Bradesco e Santander reportaram queda de 2,42%, 1,92% e 1,11%.

Economia e política monetária nos EUA

No cenário externo, em Nova York, as bolsas fecharam em baixa, com os investidores digerindo os últimos dados econômicos – PIB e volume de seguro-desemprego - e em compasso de espera sobre a fala de Jerome Powell no evento de Jackson Hole, que acontece a partir de hoje. O índice S&P 500 caiu 0,59%, Dow Jones recuou 0,54% e Nasdaq 100 também registrou queda de 0,59%.

Durante a manhã, o mercado conheceu os dados atualizados do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, que cresceu 6,6% no segundo trimestre, levemente abaixo das expectativas dos analistas, que previam avanço de 6,7%.

Além disso, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, em inglês), subiu 6,5% entre abril e junho, um pouco mais do que o cálculo inicial de 6,4% positivos.

Esse dado chama a atenção por ser importante para os preços internacionais dos ativos financeiros, uma vez que o Fed utiliza do PCE para calibrar sua política monetária.

Outro dado importante que mexeu com o mercado foi o número de pedidos de auxílio-desemprego no país, que teve alta de 4 mil na semana encerrada em 21 de agosto, totalizando 353 mil solicitações. O montante ficou acima do aguardado pelos analistas, que previam 350 mil pedidos.

Para os analistas da Levante, os números do PCE e a divulgação de uma inflação possivelmente mais elevada na próxima sexta-feira, 27, pode ser o argumento que faltava ao Fed para começar a elevar os juros e reduzir as medidas de estímulo econômico, mantendo os preços sob controle. “Por isso, os resultados de amanhã podem ser um divisor de águas no mercado”, apontam.

As opiniões do mercado estão divididas sobre se o discurso do presidente Jerome Powell na reunião de Jackson Hole, que acontece amanhã, fornecerá todas as respostas sobre a redução do apoio emergencial do Fed, segundo Filipe Teixeira, sócio da Wisir Research.

A presidente da distrital do Fed, em Kansas City, Esther George, defendeu hoje que a autoridade monetária inicie em breve a retirada de estímulos, processo conhecido como tapering.

Em entrevista, a dirigente afirmou que a diminuição do relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês) deve começar "mais cedo ou mais tarde", em meio a leituras elevadas de inflação e desequilíbrios no mercado imobiliário residencial dos Estados Unidos.

Para ela, o processo poderia ter início já este ano. Esther George comentou ainda que o Fed tem visto progressos na recuperação do mercado de trabalho americano. 

James Bullard, presidente do Fed se St. Louis, reforçou o discurso ao afirmar que "provavelmente, não precisaremos das compras de ativos neste momento".

Sobe e desce da B3

Após dois pregões de elevação acentuada na Bolsa, as ações da Cyrela sofreram um movimento de correção nesta quinta-feira e caíram 5,94%, liderando as baixas do dia. Já entre as altas mais expressivas, destaque para os papéis do Banco Inter, que saltaram 4,66%.

A CVC também reportou valorização em seus papéis no início do dia, depois da notícia de que o fundo Opportunity HDF e a Opportunity Gestão de Investimentos compraram ativos da companhia. No entanto, as ações da empresa inverteram o sinal e recuaram 3,10%.

A Oceanpact disparou 8,82% no pregão, com a atualização das estimativas das ações da empresa pelo Itaú BBA. O preço-alvo da ação foi ajustado de R$ 16 neste ano para R$ 9 em 2022. O Itaú BBA manteve a recomendação outperform.

Dólar em alta

O dólar fechou em alta nesta quinta-feira, acompanhando a tendência no exterior e refletindo o ambiente político e monetário do País. A moeda americana à vista avançou 0,97%, cotada a R$ 5,262.

Incertezas no cenário local

O cenário local segue permeado por incertezas quanto ao quadro fiscal, embora os recentes acenos de compromisso com a responsabilidade nas contas públicas tenham amenizado a tensão.

O agravante agora é a crise hídrica, que já vem se pronunciando há tempos, mas que já mostra seus efeitos mais fortemente na inflação, com risco de colocar um freio na retomada econômica.

Na véspera, o ministro da Economia, Paulo Guedes, comentou sobre o assunto e sua fala rendeu críticas. “Se ano passado que era um caos, nos organizamos e atravessamos, por que vamos ter medo agora? Qual é o problema agora que a energia vai ficar um pouco mais cara porque choveu menos?”, disse Guedes.

Com racionamento de energia tornando-se uma possibilidade cada vez mais concreta, o mercado fica na expectativa do reajuste da bandeira vermelha 2, que está sendo avaliado pela Aneel, agência reguladora do setor.

Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro voltou a avaliar que a economia brasileira "está se recuperando", porém, a retomada, de acordo com ele, "não vai ser tão rápida quanto muitos querem'".

Diante da alta da inflação no País, o chefe do Executivo disse que há solução, mas acrescentou: "Não consigo resolver sozinho, passa pelos governadores". 

Impeachment de Moraes: negado

Bolsonaro criticou, na manhã desta quinta-feira, a decisão do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, de rejeitar o pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

O chefe do Executivo queixou-se de o parlamentar ter aceito a determinação do também membro da Corte, Luís Roberto Barros, de abertura da CPI da Covid - que investiga a responsabilidade do governo federal pelo agravamento da crise sanitária provocada pela pandemia do novo coronavírus.

"O presidente do Senado entendeu e acolheu uma decisão da sua advocacia, da advocacia do Senado. Agora, quando chegou uma ordem do ministro Barroso para abrir a CPI da Covid, ele mandou abrir, e ponto final. Ele agiu de maneira diferente de como agiu no passado", reclamou.

Frustrado com mais uma derrota em sua investida contra o Judiciário, Bolsonaro disparou contra Moraes, que, assim como Barroso, se tornou alvo preferencial do presidente.

"Ele simplesmente ignora a Constituição, desconhece vários incisos do artigo 5º, que fala do direito de ir e vir, da liberdade de expressão", disse. "Simplesmente começa a investigar qualquer um. Ele prende, tira a liberdade", completou.

Moraes determinou a prisão do presidente do PTB e aliado do governo, Roberto Jefferson, por este ter feito ameaças às instituições em publicações na internet nas quais posa com armas e faz insinuações golpistas.

CPI da Covid: Francisco Araújo

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado ouve nesta quinta-feira o ex-secretário de Saúde do Distrito Federal, Francisco Araújo. Ele foi convocado pelo colegiado por ter sido denunciado na Operação Falso Negativo, que mirou suspeitas de desvio de vergas federais destinadas ao enfrentamento da pandemia.

Na véspera, a ministra Cármen Lúcia, do SFT, autorizou o ex-secretário a ficar em silêncio durante sua oitiva.

O ex-secretário chegou a ser preso preventivamente em agosto do ano passado, sob suspeita de comandar um esquema que teria usado o contexto de flexibilização das normas para compras e contratação, afrouxadas na emergência da pandemia, para dispensar licitações e adquirir produtos superfaturados e de qualidade duvidosa.

O prejuízo estimado é de, pelo menos, R$ 18 milhões. Araújo virou réu pelos crimes de organização criminosa, fraude em licitação, peculato, entre outros. A defesa nega as acusações.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, após o Banco Central da Coreia do Sul (conhecido como BoK) elevar juros, tornando-se o primeiro grande BC da região a começar a retirar estímulos adotados em função da pandemia de covid-19.

O clima na Ásia também é de cautela antes de um aguardado discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), Jerome Powell.

O índice sul-coreano Kospi recuou 0,58% em Seul hoje, aos 3.128,53 pontos, interrompendo uma sequência de três pregões de ganhos. A queda veio após o BC do país elevar seu juro básico da mínima histórica de 0,50% - nível em que permaneceu por 15 meses - para 0,75%.

A decisão do BoK foi interpretada como uma forma de conter o avanço das dívidas das famílias e esfriar os preços dos imóveis, mesmo num momento em que o surgimento de novos surtos de covid-19 ameaça a recuperação econômica da Coreia do Sul.

Na China continental, o Xangai Composto caiu 1,09%, aos 3.501,66 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto teve queda de 1,53%, aos 2.437,15 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng se desvalorizou 1,08%, aos 25.415,69 pontos.

Já o índice japonês Nikkei conseguiu driblar a fraqueza na Ásia, com a ajuda de ações dos setores aéreo e ligado a chips, subindo 0,06% em Tóquio, aos 27.742,29 pontos. Outra exceção foi o Taiex, que registrou modesto ganho de 0,12% em Taiwan, aos 17.066,96 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana seguiu o tom predominante na região asiática, e o S&P/ASX 200 caiu 0,54% em Sydney, aos 7.491,20 pontos, reagindo a balanços corporativos desfavoráveis. / com Tom Morooka e Agência Estado

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