Mercado Financeiro

O mercado financeiro deve dirigir um olhar mais atento ao exterior a partir desta quinta-feira, 26.

Começa hoje e se estende até dia 28 o simpósio anual de Jackson Hole, um fórum de debates sobre a política monetária americana e global em que o foco de atenção serão as eventuais sinalizações de Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), sobre a economia, inflação e juros.

foto: Envato
Pelo segundo dia consecutivo Bolsa sobe e encosta nos 121 mil pontos

Enquanto espera por esse evento, o mercado financeiro deu continuidade no dia anterior à trajetória positiva iniciada na última terça-feira, 24, com nova alta da Bolsa e queda do dólar, refletindo um cenário internacional mais favorável, com a recuperação das commodities. O ambiente doméstico mais calmo, com menos ruído político, também ajudou a manter o bom humor dos investidores e dos mercados.

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, subiu 0,50%, a segunda valorização seguida, e encostou em 121 mil pontos (fechamento foi em 120.817,71 pontos) e o dólar colecionou a quarta queda seguida, ao recuar 0,97%, para R$ 5,21.

A declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, ontem à tarde, de que poderá furar o teto de gastos já na virada do ano se a escalada da inflação persistir e não houver um escalonamento para o pagamento de precatórios, cujo valor total em 2022 chega a R$ 90 bilhões, não chegou a perturbar os ânimos do mercado.

Mercado assimilou inflação acima do esperado

Foi nesse ambiente de menos tensão com o cenário político que o mercado assimilou a notícia de que a prévia de inflação de agosto, medida pelo IPCA-15, veio acima das expectativas, ao acelerar para 0,89%.  A alta surpreendeu negativamente alguns especialistas, mas outros consideraram o avanço em linha com a trajetória recente de elevação de preços, como os de combustíveis, energia elétrica e alimentos.

De todo modo, alguns analistas se apressaram em revisar as estimativas de inflação, que não é vista mais como temporária, e de taxa de juros para patamares mais altos, diante da expectativa de que o Banco Central acelere o processo de ajuste da taxa Selic para deter o avanço da inflação.

Esse sentimento de aperto monetário mais severo, contudo, não foi suficiente para manter a pressão sobre os juros futuros, que tiveram novo ajuste para baixo ontem, o que também contribuiu para a continuidade de valorização da Bolsa.

O ambiente mais calmo no mercado financeiro reflete um cenário político menos tenso, segundo especialistas, que destacam como fato positivo a desistência do presidente Bolsonaro de apresentar o pedido de impeachment contra o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), e também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Impeachment de Moraes: negado

Na véspera, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, rejeitou o pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, encaminhado pelo presidente Jair Bolsonaro. No início do mês, Pacheco já tinha barrado outra intenção do presidente: a da retomada do voto impresso.

Moraes se tornou um alvo de Bolsonaro por conduzir o inquérito das fake news , que tem como foco a fabricação e o financiamento de informações contra adversários do presidente.

No documento em que pede o impeachment do ministro, o presidente justificou que o Moraes desrespeitou as liberdades individuais quando determinou, por exemplo, a prisão do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson.

CPI da Covid: Francisco Araújo

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado ouve nesta quinta-feira o ex-secretário de Saúde do Distrito Federal, Francisco Araújo. Ele foi convocado pelo colegiado por ter sido denunciado na Operação Falso Negativo, que mirou suspeitas de desvio de vergas federais destinadas ao enfrentamento da pandemia.

Na véspera, a ministra Cármen Lúcia, do SFT, autorizou o ex-secretário a ficar em silêncio durante sua oitiva.

O ex-secretário chegou a ser preso preventivamente em agosto do ano passado, sob suspeita de comandar um esquema que teria usado o contexto de flexibilização das normas para compras e contratação, afrouxadas na emergência da pandemia, para dispensar licitações e adquirir produtos superfaturados e de qualidade duvidosa. O prejuízo estimado é de, pelo menos, R$ 18 milhões.

Ele virou réu pelos crimes de organização criminosa, fraude em licitação, peculato, entre outros. A defesa nega as acusações.

NY: futuros em queda

No cenário externo, em Nova York, os contratos futuros negociados nas bolsas por lá operam em queda, com os investidores em compasso de espera sobre as falas dos dirigentes do Fed que devem acontecer durante o simpósio Jackson Hole.

As opiniões estão divididas sobre se o discurso do presidente Jerome Powell na reunião de Jackson Hole, que acontece amanhã, fornecerá todas as respostas sobre a respostas sobre a redução do apoio emergencial do Fed, segundo Filipe Teixeira, sócio da Wisir Research.

Na semana passada, o BC americano sugeriu em ata de política monetária que poderá começar a reduzir suas compras mensais de ativos financeiros antes do fim do ano.

Embora a recuperação econômica em curso e a inflação elevada contribuam para o início da normalização política, a cepa do vírus delta, com seu rápido avanço, ameaça um ritmo de recuperação mais lento do que alguns esperavam.

Nesta quarta, o presidente dos EUA, Joe Biden, se reuniu com executivos de grandes empresas do setor de tecnologia, com a intenção de discutir o papel delas para ajudar a evitar ataques cibernéticos, além de relatarem esses episódios. 

Bolsas asiáticas fecham em baixa

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, após o Banco Central da Coreia do Sul (conhecido como BoK) elevar juros, tornando-se o primeiro grande BC da região a começar a retirar estímulos adotados em função da pandemia de covid-19.

O clima na Ásia também é de cautela antes de um aguardado discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), Jerome Powell.

O índice sul-coreano Kospi recuou 0,58% em Seul hoje, aos 3.128,53 pontos, interrompendo uma sequência de três pregões de ganhos. A queda veio após o BC do país elevar seu juro básico da mínima histórica de 0,50% - nível em que permaneceu por 15 meses - para 0,75%.

A decisão do BoK foi interpretada como uma forma de conter o avanço das dívidas das famílias e esfriar os preços dos imóveis, mesmo num momento em que o surgimento de novos surtos de covid-19 ameaça a recuperação econômica da Coreia do Sul.

Na China continental, o Xangai Composto caiu 1,09%, aos 3.501,66 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto teve queda de 1,53%, aos 2.437,15 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng se desvalorizou 1,08%, aos 25.415,69 pontos.

Já o índice japonês Nikkei conseguiu driblar a fraqueza na Ásia, com a ajuda de ações dos setores aéreo e ligado a chips, subindo 0,06% em Tóquio, aos 27.742,29 pontos. Outra exceção foi o Taiex, que registrou modesto ganho de 0,12% em Taiwan, aos 17.066,96 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana seguiu o tom predominante na região asiática, e o S&P/ASX 200 caiu 0,54% em Sydney, aos 7.491,20 pontos, reagindo a balanços corporativos desfavoráveis. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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