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Ladrões de criptomoedas estão mais ousados e roubos alcançam valores recordes

No último domingo, um hacker invadiu o Beanstalk e roubou US$ 182 milhões em ativos digitais

Data de publicação:22/04/2022 às 14:27 -
Atualizado 24 dias atrás
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Os ladrões de criptomoedas estão cada vez mais ousados. No domingo, 17, um hacker invadiu o Beanstalk, um novo projeto de stablecoin e roubou US$ 182 milhões em ativos digitais, eliminando todo o ethereum detido pelo fundo.

Com essa retirada, o valor da própria stablecoin chamada Bean caiu para 10 centavos de US$1 no dia, segundo informações da empresa de dados CoinGecko. Recentemente, a criptomoeda foi negociada a 6 centavos.

Ladrões de criptomoedas estão mais ousados e roubos alcançam valores recordes
Roubo de criptomoedas Bean foi o quinto maior já registrado no mundo - Foto: Envato

Após o colapso da Bean, o hacker obteve um lucro de cerca de US$ 76 milhões, de acordo com uma postagem no blog da Beanstalk Farms, grupo que opera o projeto.

Esse foi o quinto maior roubo de criptomoedas já registrado, de acordo com a Rekt.news, que rastreia roubos de criptomoedas. O roubo ficou atrás de uma outra invasão, que resultou em perda de US$ 540 milhões, no mês passado, da plataforma do jogo online Axie Infinity.

Roubos cada vez mais constantes

O ritmo de um roubo por semana em 2022 segue a mesma movimentação do ano passado, porém a quantidade roubada vem aumentando, de acordo com a Rekt. Desde agosto, ocorreram 37 roubos em 38 semanas, que drenaram cerca de US$ 2,9 bilhões em criptomoedas, próximo do nível dos US$ 3,2 bilhões roubados no ano passado, segundo a empresa de análises Chainalysis.

Os hackers estão encontrando oportunidades de fazer roubos mais significativos em meio ao aumento dos projetos de finanças descentralizadas, ou DeFi, por conta da natureza de código aberto dessas iniciativas.

De acordo com a Chainalysis, os hackers podem gastar tempo examinando o código e tentando identificar seus pontos fracos. Mesmo as plataformas que já auditaram seu código já foram invadidas. A empresa enfatizou que os protocolos DeFi precisam ter uma abordagem mais completa à segurança.

Mecânica do roubo

De acordo com a empresa de análise de blockchain Elliptic, o hacker emprestou cerca de US$ 1 bilhão em diferentes stablecoins, utilizando um tipo de empréstimo de curto prazo chamado flashloan, e depois adicionou isso aos fundos do Beanstalk. Isso foi o suficiente para dar a eles uma porcentagem esmagadora de poder de voto.

O hacker propôs doar dinheiro para a Ucrânia e votou pela aprovação da ideia. A proposta, no entanto, incluía um código que enviava todos os fundos bloqueados no protocolo Beanstalk para uma carteira controlada pelo hacker, segundo a Elliptic. Uma vez que eles roubaram os fundos, eles pagaram o empréstimo e embolsaram a diferença.

Ironicamente, apontou Max Galka, executivo-chefe da empresa forense de criptomoedas Elementus, o hacker estava seguindo as regras estabelecidas pelo Beanstalk.

Segundo ele, o problema é que não houve contingência para alguém assumir o mecanismo de votação. “Tudo o que esse cara fez foi consistente com o código”, enfatizou.

Segundo a reportagem do The Wall Street Journal, o Publius, grupo de desenvolvimento que lançou o Beanstalk, não comentou o assunto.

Ainda não está claro se algum dos fundos pode ser recuperado. Os desenvolvedores por trás do Beanstalk pediram ao hacker para devolver os fundos, mas manter 10% como uma “recompensa de bugs”. Até o momento não houve resposta a esse pedido.

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Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.