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Economia

Bitcoin e Ethereum caem e aprofundam crise das criptomoedas; o que está acontecendo?

No acumulado do ano, Bitcoin caiu 27,48% enquanto o Ethereum teve uma queda total de 36,62%

Data de publicação:24/02/2022 às 00:30 -
Atualizado 3 meses atrás
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Não está sendo um período fácil para as criptomoedas. Desde o final de 2021, moedas digitais como Bitcoin e Ethereum entraram em queda livre e geraram dúvidas ao redor do mundo sobre o futuro desses ativos digitais.

Só de ontem para hoje, o bitcoin, o principal ativo desse mercado, derreteu 6,22%, descendo à cotação de R$ 175.095 por volta das 8h30 desta quinta-feira, 24.

Afinal, as perdas se acentuam e parece não haver luz no horizonte. Por enquanto, o mercado não está fazendo movimentações expressivas em fundos. No entanto, especialistas alertam para um possível recuo de investimentos.

Foto: Pixabay ETF de bitcoin
Bitcoin é um dos principais pontos de preocupação de investidores ao redor do mundo (Foto: Pixabay)

Um olho no Bitcoin, outro no Ethereum

Até 24 de fevereiro deste ano, o Bitcoin não teve sequer um dia no verde. A principal moeda digital, que compõe carteiras de investimentos ao redor do mundo, recuou 14,36% em apenas cinco dias. Com isso, a moeda chegou a um valor de R$ 176.691,04 — cerca de R$ 29,6 mil em perdas. Uma arrancada para baixo impressionante no mercado.

O Ethereum não fica muito atrás: nos últimos cinco dias, caiu 7,35%, numa redução de R$ 950,26 de seu valor. Ao olhar mais para trás, porém, a crise se acentua. Em seis meses, o Ethereum caiu impressionantes 27,93%. No ano, 42,93%.

Os números só ficam verdes quando é observada a variação nos últimos cinco anos, partindo de um período em que as criptomoedas não eram tão valorizadas e presentes no mercado financeiro. Dentro desse período de tempo, o Bitcoin valorizou 4.356,29%, enquanto o Ethereum subiu 20.538,28% — mostrando que há certa base de confiança.

MoedaCinco diasSeis mesesAcumulado do anoUm anoCinco anos
Bitcoin-14,36%-29,35%-33,56%-34,29%4.356,29%
Ethereum-15,77%-27,93%-42,93%36,34%20.538,28%

“Como o preço de cripto é elástico, tende a se recuperar de forma mais rápida que outros mercados. A principal zona de desafio está em US$ 50 mil. Agora, nos US$ 37 mil, é momento de fazer aportes parciais. A zona de apoio mais importante é em torno de US$ 30 mil, excelente região de compra”, afirma Tasso Lago, gestor de fundos em cripto.

O que está acontecendo com as criptomoedas?

Toda essa tensão com as criptomoedas começou no final do ano passado, quando o Bitcoin começou a retrair. O motivo inicial foi a crise imobiliária na China — país que continua com muito impacto nas criptomoedas. Depois vieram outras questões que acentuaram a queda, como as discussões de taxas de juros nos Estados Unidos.

Por fim, há toda a tensão envolvendo a guerra entre Rússia e Ucrânia, com uma possibilidade cada vez mais forte de invasão e conflitos bélicos. "Isso impacta diretamente no mercado americano. Com isso, logo cai a S&P 500 e, com isso, cai o Bitcoin", explica a analista da Top Gain, Raquel Vieira, em entrevista concedida para a Mais Retorno.

Ainda há a instabilidade do pós-pandemia, com mercados como Brasil, EUA e Europa fragilizados. "O momento pós-pandemia traz uma incerteza e o Bitcoin vai nessa também. Ele ainda sente os efeitos em nível mundial, já que é negociado em todo lugar. Qualquer estresse afeta", diz Fernanda Guardian, analista de criptomoedas da Levante.

Assim, com tanto medo e insegurança no curto prazo, cresce a aversão ao risco e investidores buscam investimentos menos voláteis. Sobre as outras moedas, especialistas indicam que é natural que eles também caiam. "O Bitcoin é quem manda. Se ele sobe muito, carrega outras moedas, se cai muito, mesma coisa. Nenhuma criptomoeda é descorrelacionada", diz Fernanda.

É o momento de investir?

A maioria dos especialistas vê com bons olhos o futuro do Bitcoin e de outras moedas. Caio Villa, sócio-fundador da Uniera, exchange de criptomoedas, é positivo. "Nesses momentos é onde surgem as grandes oportunidades", diz. "Estamos aproveitando esse momento para estudar e investir em projetos que vão dar grande retorno a longo prazo".

Um estudo realizado pela plataforma Finder, que ouviu 33 especialistas em criptomoedas, segue o mesmo caminho ao apostar que o Bitcoin deve chegar a US$ 93.717 em 2022, ainda que com uma desvalorização ao longo do ano de 22%.

Villa acrescenta que detentores de longo prazo do Bitcoin estão acumulando a moeda. "[Eles estão] retirando-as das exchanges centralizadas; ao passo que os detentores de curto prazo, por medo, estão vendendo o ativo. Contudo, no curto prazo mais quedas poderão acontecer", complementa o analista, elencando as possibilidades de mercado.

Raquel Vieira, analista da Top Gain, também é otimista, mas com mais cautela. "É difícil, neste momento, saber se teremos mais queda ou se iremos reverter para uma forte tendência de alta. Mas, tecnicamente falando, temos um suporte nos US$ 33 mil e, no semanal, pode ter uma reversão de tendência. É momento de observação", complementa.

Sobre o autor
Matheus Mans
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