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Kinea: Estados Unidos estão mais preocupados com inflação do que emprego

Perspectiva é de acelerar retirada de estímulos monetário e aumentar os juros no mercado americano

Data de publicação:13/12/2021 às 05:00 -
Atualizado 7 meses atrás
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Há mudança de rota importante de prioridades na economia americana: os Estados Unidos passam a se preocupar mais com o dragão da inflação do que com o crescimento e emprego. Esse é o ponto de partida e eixo central de análise da Kinea Investimentos, do banco Itaú. sobre as consequências de alteração de condução da política monetária americana para a economia global.

Já aqui no Brasil, a casa destaca o nível baixo nos preços dos ativos e a elevação dos juros, que devem ser notados e atrair os investidores internacionais.

Em sua carta mensal enviada aos investidores, o Kinea afirma que sai de cena o vírus, as preocupações com a pandemia e seus efeitos para a entrada do dragão da inflação.

EUA e dragão da inflação
Kinea: Estados Unidos terão de domar o dragão da inflação para conquistar o eleitor | Foto: Envato

Vagas de emprego

“Durante os últimos meses, os frutos do enorme esforço monetário-fiscal dos Estados Unidos se tornaram presentes: o país tem dez milhões de vagas de emprego abertas, número superior ao de ainda desempregados”, relata o documento.

Os indicadores econômicos, como os de consumo, vendas ao varejo, e novas vagas de empregos estão mostrando aceleração nos últimos meses. Assim, “lockdowns e desemprego aos poucos se desfazem da memória dos eleitores, e a perda de poder aquisitivo se torna um tema dominante”.

Pesquisas de opinião começam a mostrar insatisfação com a perda do poder aquisitivo e indicam que o tema virou prioridade para o eleitor americana. O preço da gasolina, bens e serviços relembram diariamente ao eleitor que, embora empregado, sua renda real está caindo. A questão política se sobressai a qualquer outra de ordem econômica.

Estados Unidos terão de enfrentar o dragão da inflação, diz Kinea

“No novo cenário político norte-americano, Joe Biden terá que entrar na arena para enfrentar o dragão e tentar domesticá-lo. Falhar nessa tarefa implica perder o trono nas eleições de 2022”. Em uma referência ao controle dos democratas no congresso.

É nesse xadrez político-econômico que passa a ser compreensível um Banco Central americano tão preocupado com empregos e recuperação até o momento mude o foco e venha a público mencionar a necessidade de reagir aos riscos inflacionários presentes.

Assim, como a manutenção de Jay Powell, um republicano, que é reconduzido à presidência do FED em detrimento da democrata Lael Brainard, de visões mais acomodatícias.

Contexto que abriu a porta para um processo de tapering mais curto e um movimento mais forte de normalização de juros. A partir dele, a Kinea informa que foi mantido o posicionamento da casa “em juros norte-americanos, com parte do portfólio migrando para juros reais, uma vez que a postura anti-inflacionária deve, em algum momento, se fazer sentir na inflação implícita dos Estados Unidos”.

Na esteira desse processo, é provável que ocorra uma performance mais consistente da moeda norte-americana em relação aos seus pares. Nessa questão, não só o diferencial de juros deve ajudar, como também o fato que, mais recentemente, os Estados Unidos têm se destacado na reaceleração do crescimento em relação a seus pares.

Ainda o vírus: Kinea fala sobre queda do Euro e do petróleo

A notícia de uma nova cepa do coronavírus identificada inicialmente no continente africano pegou o mundo de surpresa no fim de novembro. Embora não se saiba com mais precisão sobre a natureza dessa nova cepa, letalidade ou capacidade de resistir a vacinas, “como fizemos durante toda essa pandemia, vamos aprender sobre essa nova cepa e, se necessário, ajustar nossas estratégias a potenciais mudanças no cenário econômico global”.

Independentemente da ômicron, já é fato uma nova onda do vírus na Europa, a qual recentemente levou a um lockdown na Áustria, o que trouxe dúvidas também sobre a necessidade de medidas mais restritivas na Alemanha.

“Essa nova onda já gerou efeitos nos juros e nas moedas europeias, com má performance do Euro durante o mês de novembro e fechamento de juros no continente. Nosso posicionamento em dólar e juros nos Estados Unidos – e não na Europa, beneficiou o resultado do mês. Estamos atentos ao desenvolvimento de novas ondas durante o período de inverno.”

Outro efeito do vírus no mês foi um forte impacto no preço do petróleo, o qual sofreu uma correção de mais de 20% de seu pico mais recente. Na Black Friday, dia do anúncio da nova cepa do vírus, a commodity chegou a cair 14% em um só dia, uma das maiores quedas diárias já registradas em sua história.

“Nossa visão é que o desequilíbrio entre oferta e demanda de petróleo deve permanecer ao longo dos próximos meses, com a OPEP mantendo controle sobre esse mercado, e que o anúncio de redução de reservas estratégicas por parte dos Estados Unidos e outros países é pouco relevante para o balanço do mercado. Permanecemos com posição comprada na commodity”.

Para Kinea, Brasil é atrativo pelos juros e preços baixos

Os atrativos dos países emergentes se resumem a três: crescimento, diferencial entre os juros de uma moeda para outra (carrego), e diferencial de preços dos ativos.

“Quando olhamos para o Brasil, no momento, certamente o diferencial de crescimento não está a nosso favor. Após uma década de queda na renda per capita do país, vamos novamente enfrentar um ano difícil em 2022 com baixo crescimento econômico mesmo considerando o enorme hiato de produto e empregos que temos no momento”, traz o relatório.

Mas em relação aos outros dois quesitos, “carrego” e preço, o Brasil começa a parecer atrativo. Com os aumentos sucessivos da Selic e elevação dos juros na curva, o real  a cada dia conta com um carrego mais diferenciado em termos de juros nominais e reais em relação aos seus pares globais. Não só temos uma moeda barata, mas logo passaremos a ter um dos maiores carregos do mercado global.

Na bolsa, B3, o prêmio de risco em relação à renda fixa atingiu níveis não vistos no passado recente, sendo o maior patamar observados das últimas décadas, superior mesmo ao pico observado durante os piores momentos do governo Dilma.

Na renda fixa, a curva já precifica Selic superior a 13% na metade de 2022, sugerindo que ofereceremos uma das maiores taxas de juros reais do planeta no próximo ano. Também a inflação implícita na curva para anos subsequentes se encontra em patamares superiores a 6%, sugerindo perda de metas inflacionárias pelo Banco Central.

“Reconhecemos as dificuldades estruturais de nosso país para entregar crescimento, mas consideramos que os níveis de preços atuais não podem ser ignorados e continuamos a agir taticamente com viés de compra para os ativos locais”

Kinea Investimentos

Por isso, no momento, a casa mantém uma posição comprada em bolsa via nosso livro longbiased, embora ainda em empresas de características defensivas.

E na renda fixa uma posição tática aplicada na parte curta da curva juntamente com posição tomada em inclinação com venda de inflação implícita para o período 2023-2025.

Inflação nos Estados Unidos

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos - que reflete a inflação oficial dos EUA - subiu 0,8% em novembro ante outubro, segundo dados com ajustes sazonais publicados na última semana pelo Departamento do Trabalho.

O resultado veio ligeiramente acima da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, de alta de 0,7%.

Apenas o núcleo do CPI, que exclui os voláteis preços de alimentos e energia, avançou 0,5% na comparação mensal do mês passado, conforme previsto pelo mercado.

Sobre o autor
Regina Pitoscia
Editora do Portal Mais Retorno.