Logo Mais Retorno
Economia

IBC-Br e indicadores mostram fôlego da economia; é hora de apostar nos setores de varejo e serviços?

Preocupação é com desafios de 2022, como o avanço da variante ômicron, da inflação e crescimento econômico fraco

Data de publicação:18/01/2022 às 00:30 -
Atualizado 4 meses atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

Não deixa de ser surpreendente números da economia brasileira saírem acima das expectativas no final de 2021, quando o País já enfrentava um cenário macroeconômico adverso. Nesta segunda-feira, 17, o Banco Central divulgou o IBC-Br de novembro que subiu 0,69% e mostrou fôlego da economia após três quedas consecutivas.

Na semana anterior, o mercado conheceu os números dos setores de serviços e varejo, que também apontaram altas inesperadas de 2,4% e 0,6%, respectivamente, em novembro. Esses dados seriam suficientes para definir posições em ações desses setores? Por enquanto ainda não, segundo analistas. Por várias razões, o momento ainda exige cautela, acompanhe.

IBC-Br fôlego da economia
IBC-Br, dados do varejo e de serviços mostraram fôlego da economia em novembro de 2021 - Foto: Reprodução

Embora as surpresas tenham sido boas com os últimos números, há alguns aspectos importantes para serem considerados antes ancorar o dinheiro em ativos de ambos os setores. O avanço da ômicron no País – números de novos casos ultrapassaram os 100 mil em 24 horas, na última semana – gera temor sobre possíveis novas restrições de mobilidade.

O cenário macroeconômico atual, em que o Banco Central adotou uma postura mais dura em relação ao ciclo da taxa de juros, é outro ponto que joga contra os setores. Há quem já aposte que a Selic termine 2022 acima de 12% ao ano. Por enquanto, segundo o Boletim Focus, a expectativa está em 11,75% ao ano, mas projeções de alguns bancos chegam a 12,5%.

Descompasso e um mês de novembro nada animador

O que chama a atenção é que, enquanto as projeções econômicas apontam para um PIB mais fraco em 2022 – segundo o Focus desta segunda-feira, 17, os economistas estimam um crescimento econômico de 0,29% - os números setoriais mostraram uma economia em movimento no final do ano passado.

O dado do IBC-Br reforçou ainda mais essa tendência ao ter vindo acima da mediana projetada de 0,65% e ter sido o mais forte desde a alta de 1,67% apontada em fevereiro do ano passado.

Segundo os analistas, na contramão, o mês de novembro do ano passado foi marcado por vários desafios, como o cenário fiscal cheio de incertezas, por conta da PEC dos Precatórios, o surgimento da variante ômicron e as vendas da Black Friday menos aquecidas.

Para Camila Abdelmalack, economista da Veedha Investimentos, os bons resultados de forma geral não mudam a percepção da deterioração econômica em 2022 por parte do mercado.

“O poder de compra do consumidor está comprometido, a inflação vai continuar relevante e no patamar de dois dígitos neste ano. Apesar dos números melhores de novembro, as projeções não mudaram”.

Camila Abdelmalack - Veedha Investimentos

Sinalização sobre a alta de juros pelo Fed favoreceu o mercado

Apesar do cenário mencionado acima, Everton Medeiros, especialista em renda variável da Valor Investimentos, aponta que o 4º trimestre tradicionalmente tende a ser mais positivo para o mercado, por conta da entrada da primeira parcela do 13º salário e das vendas no período de pré-Natal e Natal.

Para o especialista, a postura mais incisiva do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ao sinalizar a elevação da taxa de juros americanos pode ter ajudado nessa alta.

“Se a gente olhar para o mercado nos últimos 20 anos, todas as vezes que o Fed elevou os juros dos EUA, a economia brasileira cresceu. Se a bolsa de lá andar de lado, os investidores buscam os países emergentes para investir”, enfatiza.

Everton Medeiros - Valor Investimentos

2021 encerra no positivo, mas o grande desafio é 2022

Para os especialistas, os dados econômicos de 2021 devem ser positivos, apresentando um melhor desempenho da atividade econômica, impulsionada pelo ritmo dos negócios do setor de varejo e serviços, que costumam apresentar um ritmo mais acelerado no fim de ano.

Segundo relatório de análise sobre os dados do IBC-Br assinado pelos especialistas da XP Investimentos, a projeção preliminar para o indicador de dezembro aponta crescimento de 0,4% em comparação a novembro, avanço de 0,5% nas receitas reais do índice geral do setor de serviços e aumento de 0,4% para as vendas do varejo.

O prognóstico mais desafiador, no entanto, se apresenta para 2022, que tem como pano de fundo as eleições presidenciais – que costumam trazer mais volatilidade para o mercado financeiro. A XP aposta em um PIB estável no período, com variação de 0%, após ter um crescimento esperado de 4,4% em 2021, de acordo com o documento de análise.

BofA também vê dificuldades para cenário de curto prazo

Os dados de novembro também surpreenderam os analistas do Bank of America (BofA), em que a atividade econômica teve resultado melhor do que os projetado e esperado por eles. Seja pela alta de 0,69% do IBC-Br em novembro, ou de 0,43% em bases anuais, pelo avanço de 2,4% do setor de serviços, ou de 0,6% das vendas do varejo.

Embora tenha havido um novembro positivo, os especialistas do BofA apontam para uma atividade fraca à frente. Os números de dezembro podem ainda registrar recuperação, mas eles ressaltam que os riscos de crescimento permanecem altos para 2022.

"O ruído político aumentará à medida em que se aproximarem as eleições, a inflação e os juros em alta continuarão a desacelerar a atividade econômica. A nova onda de covid, com a contaminação causada pelo ômicron pode ser outro grande obstáculo ao crescimento"

Bank of America

As projeções do banco para o PIB de 2021 continua em 4,9%, e de 1,1% para 2022.

Varejo deve crescer com as gigantes do setor

Camila Abdelmalack aponta que há uma expectativa grande de recuperação do mercado em relação às gigantes varejistas. “Olhando as condições microeconômicas, os papéis dessas companhias estão sendo negociados com múltiplos muito abaixo e têm potencial de recuperação”, analisa. Os reflexos da retomada de um crescimento mais forte só devem ser sentidos em 2023.

Se a vontade é aproveitar as oportunidades para obter ganhos no longo prazo, Everton Medeiros orienta o investidor a olhar para as gigantes varejistas brasileiras, como é o caso do Magazine Luiza que, mesmo tendo acumulado queda de mais de 70% em suas ações no ano passado, tem um histórico positivo.

“A rede fez boas aquisições no mercado, tem boas empresas em seu portfólio, investe fortemente em inovação e tem um caixa sólido”, analisa o especialista da Valor Investimentos.

A especialista da Veedha destaca o atacarejo como segmento interessante para alocar recursos. “As empresas desse mercado mostram resiliência em relação ao quadro macroeconômico, pois as pessoas não deixam de se alimentar em momentos de crise”.

Serviços tem retomada só no segundo semestre

Em relação ao setor de serviços, a especialista da Veedha destaca que os bons resultados de novembro também estão relacionados com o período no qual as pessoas começam a tirar férias e demandam mais consumo por viagens, algo que se estende até os primeiros meses de 2022.

Para Camila, a partir do segundo trimestre deve haver uma desaceleração no consumo de serviços pelo quadro de incertezas econômicas, o que deve melhorar somente a partir do segundo semestre.

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.