Empresa

Em maio, houve uma agenda intensa de pagamentos generosos de dividendos. Juntas, 15 empresas, que distribuíram parte dos lucros obtidos em 2020, desembolsaram nada menos que R$ 6.020.240.145,43 bilhões em proventos aos acionistas.

A JBS informou na última quarta-feira a aprovação da distribuição de dividendos no valor de R$ 2.511.135.770,00 (R$ 1,01667969 por ação).
JBS foi a empresa que pagou o dividendo mais expressivo do mês de maio - Foto: JBS/Reprodução

A reportagem do portal Mais Retorno levantou as empresas que mais pagaram dividendos neste mês. Como o mês ainda não fechou, algumas ainda estão prestes a fazer o desembolso de proventos até o dia 31 e as cifras podem ser mais altas.

No entanto, já é possível ter uma radiografia dos setores que se destacam nessa lista. Entre eles encontram-se os de frigorífico, energia, financeiro, mineração e siderurgia, construção civil, entre outros.

Entre as 15 primeiras, a JBS ocupa o topo do pagamento de dividendos, com um valor que ultrapassa os R$ 2,5 bilhões. Segundo os analistas que foram entrevistados pela reportagem, a geração de caixa acima da média foi o principal fator que propiciou a distribuição de proventos tão expressiva.

Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos, explica que houve uma quebra do fornecimento de carne suína por outras empresas internacionais para a China, um espaço que foi ocupado pela JBS, em um mercado que tem um forte consumo do produto, além de ser gigante.

O dólar em um patamar mais elevado também contribuiu para o cenário favorável para a empresa. “A recuperação do preço da carne lá fora, além da reabertura dos restaurantes americanos e a vacinação avançada acabou gerando um forte caixa para as empresas do segmento. No caso da JBS, esse resultado foi impulsionado pela geração de caixa da National Beef, que integra o grupo lá fora”, afirma o analista.

Energia elétrica

As empresas de transmissão de energia Taesa e Isa Cteep, conhecidas no mercado por sua tradição em pagar bons dividendos, também integram a lista de maio. Carvalho aponta que a provisão de um fluxo de caixa considerável permitiu que essas empresas fizessem largas distribuições de proventos.

“Essas companhias mantêm uma geração de caixa grande, independente de quando enfrentam crises hídricas e da inadimplência do consumidor”, avalia o analista da Toro.

O gestor de investimentos da Warren, Igor Cavaca, ressalta que a Taesa e Isa Cteep são reconhecidas por sua governança e eficiência. “O setor de energia não foi atingido pela pandemia, não houve perda de transmissão. Além disso, as duas empresas implementaram uma produção mais eficiente”.

Mineração

O cenário para as commodities continua favorável: a estabilização do dólar em um patamar mais elevado, combinada com preço mais baixo do minério de ferro no mercado interno resultou em mais dinheiro para o bolso das siderúrgicas e mineradoras, como é o caso da Usiminas, de acordo com Cavaca.

A empresa se beneficiou também, de acordo com o gestor da Warren, das políticas fiscais e de investimento de infraestrutura de vários países. “O minério e o aço são fundamentais para iniciar as obras de infraestrutura. Além disso, o fato de a moeda local estar depreciada também ajudou no reporte de lucros”.

Bancos

Com o histórico de serem bons pagadores de dividendos, os bancos também fazem parte da lista de maio, representados pelo Banco do Brasil, que desembolsou mais de R$ 212 milhões em proventos e cerca de R$ 970 milhões em Juros sobre Capital Próprio (JCP).

Lucas Carvalho, da Toro, aponta que alguns fatores ainda prejudicaram a performance de pagamento do BB. “O desempenho do banco na Bolsa foi afetado em 2020 por conta da movimentação política e de troca de comando da instituição. No entanto, na contramão, a empresa perseguiu os bancos privados, baixando os custos e reduzindo o número de agências”.

O analista da Toro enfatiza ainda que a empresa está na lista de recomendação de ações mais baratas da B3. “O dividend yield do Banco do Brasil está maior do que a taxa de juros Selic, em 5,6%”, aponta.

Construção civil

Reflexo de um 2020 bastante positivo para o setor, com taxas de juros baixas e apetite para a compra de imóveis, a construção civil marca presença entre as empresas que estão remunerando bem seus acionistas.

Um dos fatores que levou a Eztec a partir seu bolo e dividir uma fatia expressiva com seus acionistas, de acordo com o analista de construção civil da XP, Renan Manda, foi o fato da companhia não ter dívidas e um gordo caixa de R$ 1 bilhão.

“Historicamente, a incorporadora carrega mais caixa do que dívida. Em 2019, aumentou seu capital o que sustentou seu crescimento. Por conta da covid-19, a alocação de recursos da companhia foi postergada, o que facilitou o pagamento de dividendos”, analisa Manda.

Já a Even tinha uma alavancagem mais alta, porém a empresa “se dedicou para reduzir esse processo, monetizar seu estoque, enxugar a operação e contou ainda com alguns eventos para aumentar o caixa, como o IPO da Melnik, braço da companhia no Sul do País”, diz.

Com uma operação um pouco diferente, voltada para o público de baixa renda, a MRV cresce sem a necessidade de utilizar uma grande soma de capital de giro, de acordo com o analista da XP, diferentemente da Eztec e Even.

“Hoje a MRV é a maior incorporadora do Brasil. Com a geração de caixa, a empresa consegue pagar dividendos expressivos. No atual momento, a empresa tem mexido um pouco nele para diversificar seu portfólio de produtos”, avalia Manda.

As melhores pagadoras do mês

  1. JBS (JBSS3)
    Valor: R$ 2.511.135.770,00 (R$ 1,01667969 por ação).
  2. Isa Cteep (TRPL3 e TRPL4)
    Valor: R$ 1.055.612.384,95 (ou R$ 1,602123 por ação)
  3. Taesa (TAE4)
    Valor: R$ 561.943.908,97 (R$ 0,54373071298 por ação e R$ 1,63119213894 por Unit)
  4. Cosan (CSAN3)
    Valor:  R$ 481.000.000,00 (R$ 1,03059279 por ação)
  5. Banco do Brasil (BBSA3)
    Valores: R$ 212.106.576,44 em dividendos (ou R$ 0,07433470709 por ação)
                  R$ R$ 970.473.460,21 em JCP complementares (ou R$ 0,34011137994 por ação)
  6. Qualicorp (QUAL3)
    Valor: R$ 200.000.000,00 (ou R$ 0,705176770 por ação)
  7. Usiminas (USIM3, USIM5 e USIM6)
    Valor: R$159.787.587,29 (ou R$0,119923828 por ação ordinária e R$0,131916211 por ação preferencial)
  8. M. Dias Branco
    Valor: R$ 155.000.000,00 (ou R$ 0,457221386 por ação)
  9. MRV (MRVE3)
    Valor: R$ 130.658.407,34 (ou R$ 0,270585065 por ação)
  10. Metal Leve (LEVE3)
    Valor: 119.202.007,50
    R$ 70.621.261,25 (ou R$ 0,4678417413 por ação ordinária)
    R$ 48.580.746,25 em dividendos complementares (ou R$ 0,3786245358 por ação ordinária)
  11. Even (EVEN3)
    Valor: R$116.863.165,34 (ou R$ 0,56420831 por ação)
  12. Eztec (EZTC3)
    Valor: R$ 96.237.814,99 (ou R$ 0,423955132 por ação ordinária)
  13. Cielo (CIEL3)
    Valor: R$ 85.151.121,21 (ou R$ 0,03152578584 por ação)
  14. AES Brasil (AESB3)
    Valor: R$ 67.992.792,38 (ou R$ 0,17036252099 por ação ordinária)
  15. EMAE (EMAE4)
    Valor: R$ 67.648.609,02 (ou R$ 0,766738949 por ação ordinária e R$ 0,843412844 por ação preferencial)
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Repórter do Portal Mais Retorno.

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