Renda Variável

O Ibovespa fechou em alta de 0,56% nesta segunda-feira, 29, aos 115.419 pontos. O viés comprador do principal indicador de desempenho das ações brasileiras foi puxado pelas ações de commodities como Vale (subiu 2,3%) e CSN (subiu 3,59%). No entanto, o movimento ficou limitado pela tensão política.

O Ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o Ministro da Defesa, General Fernando Azevedo e Silva, deixaram seus cargos.

A maior alta do índice, contudo, foi do Pão de Açúcar. As ações subiram 7,10%, em um movimento de recuperação das quedas recentes e com notícias na imprensa de possível venda da fatia na Cnova. Mesmo com a alta de hoje, #PCAR3 cai 50,7% em março.

Na ponta negativa, Notre Dame Intermédica caiu 0,81% e Hapvida recuou 1,32%.

Fora do Ibovespa, Oi ON #OIBR3 valorizou 5%, a R$ 1,89, após reportar que teve lucro de R$ 1,8 bilhão no quarto trimestre de 2020, revertendo assim prejuízo um ano antes. Segundo o Research do BTG Pactual, R$ 1,80 a ação é uma ótima oportunidade de investimento. Os analistas estão confiantes de que a venda da operação móvel e da empresa de infraestrutura será concluída de forma satisfatória e projetam um bom crescimento proveniente dos negócios de fibra da empresa.

Intraday

O mercado financeiro segue nesta segunda-feira, 29, com a bolsa operando em rota oscilante. Às 15h19, apontava alta de 0,21%, aos 115.018,68 pontos. Às 15h03, o Ibovespa atingia queda de 0,25%, aos 115.064,43 pontos. A leve alta está sendo puxada pelo desempenho de papeis de empresas como Oi e Cemig, que apresentaram seus balanços financeiros.

A telecom (OIBR3 e OIBR4) se mantém em rota de subida na Bolsa, com fortes altas de 6,36% e 5,91%, respectivamente, às 15h09.

Bom desempenho dos papeis das siderúrgicas reflete em leve alta da bolsa nesta segunda-feira

Já a Cemig, que destacou em seus resultados um salto de 136% no lucro líquido do quarto trimestre de 2020, continuam em alta nesta segunda-feira. A empresa anunciou há poucos dias que avalia a venda de fatia na transmissora Taesa.  Às 15h12 os papéis da empresa (CMIG4 e CMIG3) apresentaram avanço de 2,98% e 2,25%, respectivamente. E os da Taesa também apontam forte alta. Às 14h57, as ações valorizavam 5,12%.

A alta do preço do minério de ferro na China também influenciou no desempenho das ações das mineradoras e siderúrgicas nesta segunda. Às 15h14, A Vale (VALE3), em valorização de 2,01%, a Gerdau (GGBR3) seguia em curva ascendente de 1,34%. e a CSN segue liderando a a alta das empresas do setor, com 3,04%.

O dólar se mantém em alta ao longo do dia. Às 15h03, a moeda americana sinalizava avanço de 0,31%, com preço de venda a R$ 5,759.

Demissão do ministro Ernesto Araújo e impacto nos investimentos

Após pressão de parlamentares, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pediu demissão hoje. O motivo está ligado às duras críticas em relação à sua atuação perante à pandemia.

Segundo Marcio Loréga, analista técnico da Ativa Investimentos, o peso desse acontecimento não deve exercer grande impacto no mercado financeiro no dia de hoje por conta da agenda de outros cenários mais relevantes, como a maquiagem do Orçamento 2021, o pacote monetário do governo dos Estados Unidos e os ajustes inflacionários no mercado doméstico.

Orçamento 2021 na pauta

O mercado segue caminhando para o fechamento do mês de março e sem dar sinais de que deixou a volatilidade para trás - com as mesmas preocupações com as contas públicas, com a atividade econômica, inflação e a pandemia do coronavírus. E tudo mais que tira o sono dos investidores.

No âmbito político doméstico, o último final de semana foi marcado por forte ruído político. O ministro da Economia, Paulo Guedes, alertou o presidente Jair Bolsonaro de que o Orçamento 2021 ficará “inexequível” com as manobras contábeis aprovadas pelo Congresso para acomodar o festival de emendas parlamentares.

Cálculos da equipe econômica mostram que a máquina do governo teria que funcionar com apenas R$ 49,5 bilhões até o final do ano, praticamente a metade do que os especialistas consideram o patamar mínimo para não ter uma paralisação.

E no Congresso, a pauta sobre o impeachment do presidente Bolsonaro voltou a ser discutida. Segundo Mauro Morelli, estrategista da Davos, isso aumenta o risco Brasil, e, consequentemente, a preocupação dos investidores estrangeiros no país.

Durante o final de semana, vários economistas se manifestaram sobre o orçamento, contra o fato de que foram retirados quase R$ 30 bilhões de despesas obrigatórias por lei para aumentar emendas parlamentares na forma de investimentos.

No cenário da covid-19, o Brasil registrou 1.605 novas mortes pela doença. A média móvel para os últimos sete dias ficou em 2.598, recorde de toda a pandemia.

Segundo dados do consórcio de imprensa, 7.2% da população do Brasil está vacinada com pelo menos uma dose.

Bolsas sem rumo definido em Wall Street e sinal positivo na Europa

Em Nova York, as bolsas seguem em comportamento misto. Às 15h16, o índice S&P estava em queda de 0,11%, Dow Jones com valorização de 0,18% e Nasdaq na contramão, em queda de 0,20%.

Os investidores estão atentos às próxima declarações do presidente Joe Biden sobre seu plano de infraestrutura, que pode custar cerca de US$ 3 trilhões. Ele deve se pronunciar na próxima quarta-feira.

No país, 28,2% dos americanos receberam pelo menos uma dose, enquanto 15,5% já receberam a imunização. Até a manhã do último domingo já foram aplicadas mais de 143 milhões de vacinas contra covid-19.

Na Europa, o índice Stoxx 600 abriu o dia com trajetória de alta. Às 15h25, indicava valorização de 0,16%.

Philip Lane, economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), defendeu no último final de semana que, para enfrentar os riscos econômicos impostos pela pandemia do coronavírus, é fundamental que a instituição atue como uma força estabilizadora e impulsionadora de confiança, comprometendo-se com a preservação de condições favoráveis de financiamento.

Segundo Lane, esse compromisso do BCE tem sido cumprido através do conjunto de instrumentos de política monetária da instituição. Entre eles, a orientação de baixa taxa de juros, programas de compra de ativo e políticas de garantia.

Na Ásia, as bolsas fecharam, em sua grande maioria, com sinal positivo nesta segunda-feira, estimuladas pela expectativa de recuperação da economia americana.

Em Tóquio, o índice japonês Nikkei subiu 0,71%, aos 29.384,52 pontos, impulsionado por ações de eletrônicos, e-commerce e montadoras. No setor financeiro, porém, a Nomura Holdings sofreu um tombo de 16,33% hoje, o maior desde pelo menos junho de 1974, após revelar que poderá registrar fortes perdas relacionadas a transações com um cliente dos EUA não identificado.

Na China, o Hang Seng teve alta sensível de 0,01% em Hong Kong, aos 28.338,30 pontos, e o Taiex avançou 1,04% em Taiwan, aos 16.475,97 pontos. O Xangai Composto se valorizou 0,50%, a 3.435,30 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto apresentou ganho de 0,18%, aos 2.218,79 pontos.

O índice sul-coreano Kospi seguiu o rumo contrário e fechou em baixa de 0,16% em Seoul, aos 3.036,04 pontos. E na Oceania, a bolsa da Austrália também seguiu a mesma trilha e concluiu o pregão no vermelho, pressionada por ações de turismo e consumo. O S&P/ASX 200 caiu 0,36% em Sydney, aos 6.799,50 pontos.

Com o avanço da vacinação na Ásia, segundo Morelli, da Davos, começa-se a discussão para a retirada de incentivos para a região, o que aponta um potencial de crescimento menor para os países. E isso impacta nas negociações com os mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Equipes desencalham navio do Canal de Suez

Após seis dias obstruindo a passagem do Canal de Suez, o meganavio Ever Given foi desencalhado pela equipe que está trabalhando no local desde o acidente. O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira,, pela Leth Agencies.

Segundo a empresa, o navio foi retirado do banco de areia e desobstruiu a passagem do canal, após intensos trabalhos com equipamentos de dragagem, rebocadores e também com a ajuda da maré alta de primavera.

Acompanhando essa movimentação, o preço do petróleo WTI opera em queda nesta segunda-feira. Às 7h25 apontava recuo de 0,43%, sendo barril vendido a US$ 60,41. Já o Brent também segue na mesma linha, com leve baixa de 0,03%, a US$ 64,41 o barril.

Março foi mês de incertezas e insegurança

O cenário de volatilidade que deu o tom aos mercados ao longo do mês, que chega ao fim, em meio ao cenário de dúvidas crescentes. Incertezas de toda ordem.

Um cenário que não deve sair tão cedo das preocupações do mercado, acredita Alexandre Almeida, economista da CM Capital. O risco fiscal, lembra, mexeu e mexe muito com os mercados.

Dois momentos emblemáticos dessa influência. Causou estresse a possibilidade de que, no debate do auxílio emergencial, os gastos com o aumento salarial dos servidores da segurança ficassem fora do teto de gastos.

A votação do Orçamento 2021, na última semana, trouxe o temor com o risco fiscal de volta. Com outra roupagem. Desta vez, foram as emendas turbinadas de deputados e senadores que inflaram as despesas.

O risco fiscal, agravado pelo aumento dos gastos com a crise do coronavírus, está no topo das inquietações. O temor é que o governo perca o controle da dívida pública e, com ele, a capacidade de pagar os credores. Isto é, investidores que compram os títulos da dívida pública.

Crescimento econômico e inflação também preocupam

O ritmo de atividade fraca também chama a atenção, porque influencia a evolução da dívida pública. Uma economia que cresce gera mais receitas com impostos e contribui para o equilíbrio das contas do governo.

Inflação alta, que puxa os juros para cima, e descontrole da pandemia, sem uma política articulada de combate e com a vacinação em marcha lenta, também deixam os investidores ressabiados. E os mercados sem definição de trajetória mais clara.

O comportamento do mercado financeiro, nessa toada de incertezas, tem sido mais uma resposta a fatos pontuais do que uma reação a expectativas positivas e duradouras.

Exemplo. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, avançou firme na quinta-feira, animada com a aprovação do Orçamento e o recuo dos juros futuros – o vaivém dos juros futuros influencia a tomada de decisões na bolsa. Uma queda das taxas aumenta a atratividade das ações.

A B3 ensaiou repetir a trajetória na sexta-feira, escorada, desta vez, no saldo positivo de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em fevereiro. Uma conta que, ao contrário da financeira, reflete o fluxo de recursos estrangeiros para investimento no setor produtivo, em equipamentos, no País. O resultado ficou acima das expectativas. Foi de US$ 9 bilhões, quando o mercado esperava US$ 6,1 bilhões.

O alento, porém, durou pouco. Aa bolsa perdeu força ao longo do dia.  Chegou a transitar momentaneamente pelo terreno negativo, mas recuperou-se e fechou com alta de 0,91%, no nível de 114.780,62 pontos.

As preocupações com a fragilidade das contas públicas deságuam no câmbio, na forma de aumento de procura por dólar. “É a aversão ao risco que leva à maior demanda por dólar”, afirma Almeida, da CM Capital. Uma busca pela proteção que pressiona o dólar e desvaloriza o real.

Bolsa tem rendimento negativo no ano

A B3 ficou no negativo na semana, com queda acumulada de 1,24%. No mês, o balanço é positivo, com alta de 4,31%, que fica negativo no ano, com perda acumulada de 3,56%.

O dólar avançou 4,74% na semana. O resultado é positivo também no mês e no ano. Em março, até agora, acumula valorização de 2,50%, que sobe para 10,60% no ano, até o momento. / com Tom Morooka e Agência Estado

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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