Mercado Financeiro

Os prognósticos para o ano que vem não poderiam ser melhores: inflação baixa e crescimento de pelo menos 2%.

Entretanto, isso não quer dizer que ele será fácil:

Diante desse cenário, a primeira coisa a se fazer é abandonar a ideia do “investimento ideal”. Dito isso, fica definitivamente pra trás a mania de “pular” de uma aplicação para a outra, na expectativa de acertar.

Quando considerados as taxas e os impostos que são deixados ao longo do caminho, até o mais abonado dos investidores corre o risco de terminar o ano com menos do que começou, por conta da falta de uma estratégia que sobreviva às baixas taxas de juros.

Para 2020, o que valerá é a proporção (percentual) que cada uma das alternativas para investir, apresentadas na sequência, terá na sua carteira.

Onde investir: Renda fixa

Renda fixa, ilustração.

Ela continua sendo a principal forma de se preservar o capital.

Excluindo-se a reserva de emergência, que pode continuar em Tesouro Selic 2025, pela segurança e liquidez que oferece, alguns fundos “DI” conseguem um retorno adicional se contarem com um percentual entre 30% e 40% de títulos privados de boa qualidade de crédito.

Fundos de crédito privado, por sua vez, também são indicados, dado que as empresas estão trocando dívidas no exterior, mais “caras”, por outras mais acessíveis, emitidas no mercado local. Quanto mais papéis dentro do fundo, desde que com níveis de risco semelhantes, melhor.

Para quem pretende fazer esse trabalho sozinho, valem as mesmas regras do início do ano: alongar os prazos para obter maior remuneração.

Lembrando das características dos papéis de renda fixa:

E partindo dos menos para os mais arriscados, temos:

Títulos públicos

Os títulos atrelados à inflação (Tesouro IPCA+ 2035 ou Tesouro IPCA+ 2045) ainda são uma opção para quem pode esperar bastante tempo.  Como vantagem, garantem o poder de compra, juntamente com uma taxa anual em torno de 3,35%.

Títulos privados

São os que contemplam os:

Por serem mais arriscados, devem considerar uma rentabilidade a partir de IPCA + 4%.

Especial atenção deve ser dada ao retorno com base no CDI. Se antes se comprava um título que rendia 110% do CDI, agora deve-se procurar por CDI mais uma taxa fixa. O exemplo abaixo ajuda a entender a diferença.

Para uma taxa de 4,50% ao ano:

A segunda rentabilidade, além de ser maior, por conta da taxa fixa, ainda indica, de forma mais clara, o grau de risco do papel.

Onde investir: Fundos imobiliários

Um dos setores que mais cresceu em 2019.

Apesar de permitir que qualquer pessoa possa investir em grandes empreendimentos como lajes corporativas e shopping centers, a verdade é que as cotas desses fundos já se valorizaram bastante.

Dito isso, as oportunidades estão em outros nichos:

Ainda assim, valem os mesmos cuidados. Fundos monoativos (com um único imóvel) sempre terão maior risco de vacância enquanto os que possuem imóveis alugados para uma única empresa sofrem também o risco de inadimplência.

O mercado imobiliário, por ter uma dinâmica distinta do mercado de capitais, pode eventualmente trazer outros ativos para novos fundos imobiliários por conta de 3 elementos que continuarão presentes nos próximos anos:

Onde investir: Multimercados

Multimercados, ilustração.

São os fundos com a maior flexibilidade para ganhar em qualquer contexto, sem dizer que servem como instrumento para a diversificação para a sua carteira na hora de investir. Eles são os únicos que podem investir, ao mesmo tempo, em renda fixa e variável, seja no Brasil ou no exterior.

Entretanto, são bem diferentes entre si, com variados graus de volatilidade (o quanto a cota oscila) e prazos para resgates. Entre as estratégias mais comuns estão:

Onde investir: Renda variável

Renda variável, ilustração

Uma das grandes apostas para 2020, visto que as empresas, com estruturas menores, lucram mais com o crescimento econômico. A redução dos juros também faz a sua parte, diminuindo o endividamento delas.

Se o intuito for buscar o potencial de crescimento da economia brasileira para poder investir, a forma mais simples de se fazer isso é investindo em um ETF do índice Bovespa. Não existe meio mais acessível, barato e diversificado de colocar a renda variável em uma pequena parcela da carteira.

Para ganhos maiores na hora de investir, mesmo que não haja a disponibilidade para se acompanhar diretamente as empresas, existem os fundos de gestão ativa com várias teses de investimento. Os fundos de ações, sozinhos, ficaram com aproximadamente metade das ofertas de ações do ano que está terminando.

Escolher um deles não é difícil. Basta ler os relatórios de gestão (ao invés da tabela de retorno, já que a rentabilidade passada de um fundo não garante o seu desempenho no futuro). É ali onde estão a estratégia e todas as demais informações, inclusive os prazos para os resgates. Muita gente não sabe, mas eles variam de um fundo para outro.

Quem espera por novas operações (follow-on ou IPO) para entrar diretamente na bolsa também encontrará opções, quando considerados os números de 2019. Em um período de 10 meses (janeiro a outubro), nada menos do que R$ 71,3 bilhões foram levantados por meio de ofertas na B3.

Para o próximo ano, os setores mais promissores são:

Apesar das perspectivas, o investidor precisará de mais cuidado para não errar a mão: se ele perder na bolsa, vai esperar muito mais tempo para recuperar o prejuízo caso volte aos juros baixos da renda fixa. Se no passado essa espera era de meses, agora a conta é de vários anos.

Onde investir: investimentos internacionais

Investimentos internacionais, ilustração

Recentemente, foi postado um artigo sobre as principais formas de se acessar o mercado internacional.

Elas continuam válidas para o ano que vem e oferecem excelentes alternativas para quem quer aumentar o grau de diversificação da carteira ou deseja investir em setores não representados na B3 (como o farmacêutico, por exemplo).

Adicionalmente, algumas empresas brasileiras têm optado por se listarem em bolsas no exterior. Essa seria a oportunidade para o investidor local participar do crescimento delas.

Onde investir: investimentos alternativos

Investimentos alternativos, ilustração

Compostos pelos fundos de private equity, de incorporação imobiliária, de participações e de empresas com restrições de crédito, eles são, por enquanto, um mercado restrito no Brasil. Para quem deseja se familiarizar com o tema, sugiro esse artigo.

O mesmo pode ser dito sobre as moedas e os ativos virtuais. Como não há uma regulamentação para ambos no país, só são permitidos os que são registrados em jurisdições que contam com um mínimo de segurança para os investidores (como a Suíça, por exemplo).

Conclusão

Toda carteira de investimentos precisa ser revista, pelo menos uma vez por ano, para verificar se ainda:

Uma vez passadas as festas de fim de ano, esse é o melhor momento para se avaliar a necessidade de ajustes.

Como pode-se ver, não existe uma única alternativa. O melhor investimento para 2020 é aquele cujas proporções irá gerar o que todo mundo sempre procura: liquidez, diversificação e rentabilidade.

Para quem tem poucos recursos, os fundos de fundos ou os multimercados de baixa volatilidade permitem investir em grandes casas de gestão, sem a necessidade de altos valores de aporte.

Já para quem vai selecionar os seus próprios fundos, é preciso ter em mente que todos eles contemplarão mais riscos, seja porque:

  1. Existe uma quantidade maior de títulos privados no mercado;
  2. Empresas menos conhecidas emitirão ações;
  3. O cenário externo apresenta o seu próprio contexto de cautela.

Por fim, mesmo que não seja o mais recomendável, ainda existe a possibilidade de se fazer tudo sozinho. Para quem vai se aventurar, algumas dicas finais:

Não se engane:

“Decisões baseadas em emoções não são decisões.  São instintos.”

House of Cards
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Possui MBA em Finanças e LLM em Direito do Mercado Financeiro (ambos pelo Insper/SP). É gestora de uma carteira proprietária, além de ser responsável por um Family Office.

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