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Renda Fixa

Com o fim do ciclo de aperto monetário mais próximo, títulos prefixados são as melhores opções dentro da renda fixa, diz Guide

Historicamente, títulos prefixados e indexados à inflação desempenham melhor do que pós-fixados em momentos de fim de alta nos juros

Data de publicação:22/08/2022 às 05:00 -
Atualizado um ano atrás
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Em sua última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou a Selic, taxa básica de juros, em meio ponto percentual a 13,75% ao ano, como forma de reduzir a forte pressão inflacionária que atinge o Brasil desde o ano passado. Na ata divulgada após a reunião, o colegiado afirmou que, para o próximo encontro, pode ser adequada uma nova alta de menos magnitude, de 0,25 ponto percentual.

Embora o Copom afirme que permanece atento à trajetória da inflação e aos riscos fiscais do País, especialistas já dão como certo de que o Brasil está se aproximando do fim do seu ciclo de aperto monetário e que, na próxima reunião, deve ocorrer a última alta dos juros por algum tempo. Neste contexto, analistas da Guide Investimentos consideram que o investidor de renda fixa precisa estar atento às oportunidades.

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Guide acredita que renda fixa prefixada é a melhor opção | Foto: Reprodução

"Mantemos nossa preferência por renda prefixada neste momento. As taxas encontram-se em patamares historicamente elevados, estamos perto do fim do ciclo aumento de juros no Brasil, o que indica que o momento é oportuno para investir em renda fixa. Em especial, recomendamos títulos de vencimentos mais longos. Historicamente esses são os que mais se beneficiam após períodos de alta dos juros."

Fernando Siqueira, Victor Beyruti e Rafael Pacheco, equipe de investimentos da Guide

Por que escolher a renda fixa prefixada?

Para a análise da Guide, foram levado em conta três tipos de títulos, sendo eles:

  • IMA-B 5 e IMA-B 5+: títulos indexados à inflação e que oferecem, também, uma taxa anual prefixada (os famosos NTN-Bs), com vencimentos em até cinco anos ou superior a cinco anos, respectivamente;
  • IRF-M 1 e IRF-1+: títulos prefixados, com vencimento em até um ano ou superior a um ano, respectivamente;
  • IMA-S: títulos pós-fixados atrelados à taxa Selic.

Os especialistas pontuam que, ao analisar o desempenho médio de cada um desses índices durante os ciclos de aperto monetário que tiveram suas últimas altas de juros em 2005, 2008, 2011 e 2015, perceberam que os títulos com maiores prazo de vencimento apresentam uma performance superior aos mais curtos, tanto em período de análise 12 meses, quanto em 24 meses.

Segundo os analistas, logo após o D0 (dias em que o BC terminou o ciclo de alta de juros em cada período analisado), os títulos prefixados e os atrelados à inflação performaram pior que a Selic, mesmo que o cenário não fosse o mesmo em cada um dos anos.

"No ciclo de 2015, por exemplo, o mercado ainda esperava uma nova alta dos juros na reunião seguinte do BC - fato que não se concretizou. Em 2008, o desempenho dos índices também foi similar. No ciclo atual, porém, a trajetória dos índices foi contrária, na medida em que o mercado já precifica o fim do ciclo mesmo com a possibilidade de mais uma alta."

Fernando Siqueira, Victor Beyruti e Rafael Pacheco, equipe de investimentos da Guide

Em contrapartida, com o passar dos meses, foram esses os títulos que mais renderam na renda fixa, superando o desempenho da taxa básica de juros e, consequentemente, dos títulos pós-fixados. Dessa forma, a decisão da Guide para a sua carteira de investimentos é manter maiores posições em IMA-B e IRF-M, "dado que historicamente essas são as classes que registraram os melhores desempenhos".

Perspectivas para o cenário macroeconômico

20222023
IPCA de 12 meses7,0%5,8%
Taxa Selic13,75%10,75%
Produto Interno Bruto (PIB)2,0%0,5%
Taxa de câmbio (R$/US$)R$ 5,00R$ 4,95
Taxa de desemprego9,6%10,1%
Fonte: Guide Investimentos

Os analistas da Guide destacam que a inflação surpreendeu para baixo em julho, após o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrar queda de 0,68%. No entanto, eles pontuam que essa baixa foi puxada sobretudo pelos preços administrados.

"A redução de tributos, em especial da alíquota do ICMS, resultou na maior deflação mensal da série histórica iniciada na década de 1980. Ainda que seja uma medida artificial, enxergamos alguma tendência mais generalizada de desinflação em outros setores para os próximos meses", pontuam.

Para 2023, os especialistas consideram que essa deflação pode voltar como uma inflação acelerada nos primeiros meses do anos, mas "a redução dos preços decorrentes da queda das commodities e manutenção da bandeira tarifária de energia elétrica verde são fatores que deverão continuar", o que tende a contribuir para uma desaceleração rápida do IPCA - principalmente tendo em vista que a inflação importada também tende a cair com os bancos centrais de outros países reduzindo seus juros.

Neste cenário, os analistas dizem acreditar que o patamar de juros atual já é suficientemente contracionista para justificar um fim de ciclo de aperto monetário na visão do Copom.

"Como o próprio Banco Central mencionou, um ajuste residual, de menor magnitude, será considerado na próxima reunião. O que deve pesar sobre a decisão é, de um lado, a perspectiva para o fiscal no próximo governo, o que influenciará as expectativas de inflação e, do outro, a possibilidade de uma desaceleração mais forte da atividade econômica e preços internacionais. De uma forma ou de outra, o comunicado deixou claro que estamos no fim do ciclo".

Fernando Siqueira, Victor Beyruti e Rafael Pacheco, equipe de investimentos da Guide

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Sobre o autor
Bruna Miato
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