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Quais são as melhores opções de investimento na renda fixa com a Selic a 13,75% ao ano

Com os juros próximos a 14% ao ano e um cenário ainda marcado por incertezas, decisões dependem do prazo, mas liquidez deve ser considerada

Data de publicação:04/08/2022 às 05:00 -
Atualizado 7 dias atrás
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou a Selic, taxa básica de juros, em meio ponto porcentual, para 13,75% ao ano, o maior patamar desde 2017. Com o ciclo de aperto monetário que passa o País desde meados de 2021, as opções da renda fixa têm ganhado cada vez mais espaço entre os investidores.

Em contrapartida, com a perspectiva de que o movimento de alta na taxa Selic pode já estar chegando ao fim e, em breve, o Copom pode afrouxar as políticas mais contracionistas, é preciso montar estratégias de investimentos que permitam aproveitar a curva dos juros, próximos de 14%.

IPCA-15 julho / Taxa básica de juros Selic
Copom eleva taxa Selic a 13,75% ao ano | Foto: Reprodução

Para especialistas ouvidos pela Mais Retorno, as decisões de investimento em renda fixa atualmente devem ser feitas considerando, sobretudo, o prazo da aplicação pretendida. Com um futuro ainda indefinido para a taxa Selic nos próximos meses, o investidor pode se beneficiar de uma carteira diversificada com diferentes prazos e indexadores.

O que esperar para a taxa Selic?

O cenário macroeconômico ainda é marcado por muitas incertezas. Christopher Galvão, analista da Nord Research, relembra que, na última semana, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia oficial da inflação, apresentou uma variação positiva de 0,13% em julho, a menor em dois anos.

Por isso, segundo o analista, o mercado espera números menores para o IPCA cheio de julho e também dos próximos meses. Um voo de galinha, de curtíssimo prazo, refletindo as medidas adotadas pelo governo, principalmente a redução do ICMS sobre combustíveis e energia elétrica.

Galvão destaca que o Copom deve continuar monitorando de perto os números da inflação, porque são eles que devem determinar novas altas na taxa Selic nas próximas reuniões ou um freio no ciclo de aperto monetário.

Em comunicado divulgado após a reunião desta quarta-feira, o Comitê sinalizou que, para o encontro marcado para 20 e 21 de setembro, uma nova elevação residual, de 0,25 pp, poderá ser aplicada aos juros.

"O Comitê avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião. O Copom enfatiza que seguirá vigilante e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas", diz o comunicado do Copom.

Trajetória da taxa Selic nos últimos anos

DataTaxa Selic
Dezembro de 20127,25% ao ano
Dezembro de 201310,00% ao ano
Dezembro de 201411,75% ao ano
Dezembro de 201514,25% ao ano
Dezembro de 201613,75% ao ano
Dezembro de 20177,00% ao ano
Dezembro de 20186,50% ao ano
Dezembro de 20194,50% ao ano
Dezembro de 20202,00% ao ano
Dezembro de 20219,25% ao ano
Agosto de 202213,75% ao ano
Fonte: Banco Central

Como investir na renda fixa focando no curto prazo?

De acordo com Bruno Brostoline, analista de Renda Fixa da Ativa Investimentos, considerando o curto prazo e a hipótese de que o Copom ainda pode promover novas altas nos juros, o investidor deve evitar os títulos prefixados. Esses produtos têm uma rentabilidade já definida na hora da compra. Assim, mesmo que a taxa Selic suba, o rendimento desses títulos não acompanha a variação.

Além disso, Brostoline pontua que, com as expectativas de que a inflação arrefeça no curto prazo por conta dos estímulos fiscais do governo, investir em títulos atrelados ao IPCA com vencimento em poucos meses (entre seis meses e um ano) pode não ser a opção mais vantajosa, já que o indexador do título fica exposto a um período de desvalorização.

Galvão, da Nord Research, afirma que, com mais uma alta da taxa Selic, "esse continua sendo o momento de ficar com uma carteira bem posicionada em títulos pós-fixados, de preferência com alta liquidez". Segundo o analista, com juros próximos a 14% ao ano, os títulos pós-fixados - os que têm sua rentabilidade atrelada ao desempenho de algum indicador (geralmente CDI ou Selic) - o investidor que opta por esses ativos está sendo bem remunerado.

"Liquidez é um ponto muito importante no cenário atual, dadas as incertezas em relação às eleições e à situação fiscal. Então, (um título pós-fixado com alta liquidez) te dá a possibilidade de aguardar, ser paciente, ser conservador, observar o cenário, o andar e a conclusão dessas eleições e, ao mesmo tempo, rendendo quase 14% ao ano".

Christopher Galvão, analista da Nord Research

Brostoline, no entanto, aponta que, entre títulos pós-fixados e híbridos - aqueles que são indexados a algum indicador e ainda contam com uma taxa prefixada -, ele prefere os híbridos "porque no passado não sofreram uma volatilidade tão grande como os pós, e o investidor consegue ter uma noção melhor de quanto o investimento dele vai render acima do indexador".

Como investir na renda fixa focando no médio e longo prazo?

Segundo o analista de renda fixa da Ativa, se o investidor está focado em um prazo maior que um ano, os títulos indexados ao IPCA são os mais atrativos. "Esses ativos sempre trazem uma rentabilidade muito boa no longo prazo e também protegem contra a perda do poder de compra que a inflação traz", pontua o especialista.

Para isso, Brostoline destaca os títulos bancários com CDBs, LCIs e LCAs atrelados ao principal indicador da inflação brasileira, mas comenta também sobre o Tesouro IPCA+ (títulos do Tesouro Nacional atrelados à inflação) e as debêntures incentivadas, que possuem prazos longos de investimento, mas contam com a isenção do imposto de renda e sempre possuem rentabilidade atrelada ao IPCA.

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Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno