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Fundos de Investimentos

Estratégia com títulos do crédito privado pode estar por trás da queda de 56,9% na captação dos fundos no 1º trimestre do ano

Maior oferta de títulos de crédito e isenção de imposto podem ter atraído o investidor

Data de publicação:08/04/2022 às 04:30 -
Atualizado um mês atrás
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A queda de 56,9% na captação líquida dos fundos de investimentos no primeiro trimestre deste ano pode estar ligada à estratégia de investidores em aplicação direta em papeis do crédito privado, que são isentos de imposto.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) divulgados nesta quinta-feira, 7, apontam que o segmento de fundos captou líquido R$ 46,1 bilhões contra os R$ 107,0 bilhões do primeiro trimestre do ano passado.

fundos captação
Estratégia com fundos de crédito privado pode ter reduzido a captação de fundos no primeiro tri de 2022 - Foto: Shtterstock

Fundos de renda fixa dividem atratividade com títulos

O minilockdown da virada de ano, pela propagação da variante ômicron, pode ter dirigido um fluxo pouco maior de recursos, que ignoraram os fundos, para títulos de renda fixa, avalia Pedro Tiezzi, estrategista da SVN Investimentos.

Em vez de um fundo de renda fixa, um dos poucos dessa classe de ativos que registraram entrada líquida de recursos no trimestre, o investidor teria preferido a proximidade - uma sensação de contato - que sente pelo título de renda fixa. Principalmente papeis de dívida privados.

Até porque, lembra Tiezzi, foi um período que coincidiu com uma oferta maior de títulos de dívida corporativos - papeis como debêntures incentivadas, CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRAs (de Crédito do Agronegócio), com juros atraentes e isentos de imposto.

“Pode ter sido uma estratégia de aplicação direta em títulos isentos de imposto, em vez de fundo de renda fixa”.

Pedro Tiezzi, da SVN Investimentos

Uma opção a que teria sido levado o investidor também pelo temor diante dos rumores crescentes de risco de uma guerra entre Rússia e Ucrânia – que teve início em 24 de fevereiro.

Outros fatores de incerteza influenciam escolha

A motivação para uma entrada menor de recursos em renda variável, principalmente nos fundos de ações e multimercado, vai além das incertezas com o conflito, diz outro especialista. “Havia o temor em relação à guerra, mas também com a covid e as eleições”, aponta Virgílio Lage, da Valor Investimentos.

O dinheiro que virou as costas para os fundos de investimento, principalmente macro e de renda variável, está sendo direcionado para múltiplos usos, avalia Lage. Diante do cenário de instabilidade política e geopolítica, o investidor tem diversificado o emprego do dinheiro.

“Boa parte do dinheiro novo que chega ao mercado está indo para a renda fixa ou sendo usada para a compra de ativos de proteção, como o ouro”.

Virgílio Lage, da Valor Investimentos

E parte do dinheiro antes investido está saindo da aplicação para compras e gastos pessoais, em ambiente de maior liberdade com a flexibilização de regras anti-covid.

Renda fixa lidera a captação no trimestre

Os fundos de renda fixa, pelos dados da Anbima, mantiveram a atração de investidores, movimento iniciado em 2021 com o ciclo de alta dos juros, via ajuste na taxa básica. A Selic subiu de 2,00% em março para 9,75% no fim de 2021 e tornou cada vez mais atraente a rentabilidade da renda fixa.

O segmento fechou o primeiro trimestre com saldo positivo de R$ 109,2 bilhões, volume 71,2% ou R$ 45,4 bilhões maior que o volume líquido captado em igual período de 2021.

Apenas em março entraram R$ 43,4 bilhões, em captação líquida, volume superior ao saldo líquido da indústria como um todo, de R$ 36,4 bilhões, no período.

Para especialistas e a própria Anbima, parcela significativa desses recursos originou da migração da renda variável para os fundos de renda fixa, atraídos pela contínua elevação dos juros. A Selic está em 11,75% ao ano, mas a expectativa é que ela escale mais um degrau, para 12,75%, no fim do atual ciclo de alta, já sinalizado pelo Banco Central, em maio.

O desempenho positivo do Ibovespa no trimestre, com valorização acumulada de 14,48%, não foi suficiente para manter o investidor na Bolsa de Valores. A saída de recursos, em processo de realização de lucros, apontam os especialistas, apenas em março chegou a R$ 12,8 bilhões.

Os fundos de ações fecharam o trimestre com um saldo negativo (volume de resgates acima do de depósitos) de R$ 31,8 bilhões.

Um dado que, destaca a Anbima, aponta para a maior saída de recursos desses fundos dos últimos cinco anos. Um baque no fluxo que essa classe de ativos não enfrentou nem mesmo durante o estresse da pandemia, no início de 2020.

Dois anos atrás, o investidor embarcou em um movimento anticíclico que gerou um fluxo positivo de R$ 46,1 bilhões nesses fundos.

Os fundos multimercado perderam menos em março, com saldo negativo de R$ 6,0 bilhões, mas passaram por uma sangria maior no trimestre. Pelos dados da Anbima, essa classe de ativos acumulou saldo negativo de R$ 41,0 bilhões nos primeiros três meses do ano, o maior entre os fundos.

A indústria de fundos de investimento fechou março com patrimônio total de R$ 7,2 trilhões, um crescimento de 11,7% em 12 meses.

Captação líquida de cada classe de fundos

FundosCaptação 1º tri/2021
em R$ bilhões
Captação 1º tri/2022
em R$ bilhões
Captação março/2022
em R$ bilhões
Renda Fixa 63,8109,2 43,4
Ações -10,8-31,9-12,8
Multimercado 38,9-41,0- 6,0
Cambial -54,4 milhões 1,4 343 milhões
Previdência Privada 11,0 -3,2 - 2,2
ETF 1,2 -2,0 392 milhões
Fonte: Anbima

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Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.