Mercado Financeiro

Impulsionada principalmente pela Petrobras e pelos bancões, a Bolsa de Valores brasileira, a B3, fechou o pregão desta terça-feira, 5, com alta residual de 0,06%, aos 110.457,64 pontos, acompanhando o otimismo dos mercados internacionais. A valorização do Ibovespa chegou a ser mais expressiva, acima de 1%, ultrapassando os 111 mil pontos, mas a divulgação de dados econômicos internos, ruídos políticos e cautela com a crise hídrica fizeram com que a alta recuasse ao longo do dia.

Já o dólar viveu mais um pregão de avanço frente ao real com a persistências de fatores externos e domésticos que trazem aversão ao risco aos investidores, como a crise financeira da Evergrande, gigante chinesa do setor imobiliário, e a escalada da inflação e alta nos juros aqui no Brasil. A moeda americana subiu 0,45%, cotada a R$ 5,478.

Foto: B3/Divulgação bolsa
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

De acordo com Rafael Riberio, analista da Clear Corretora, a recuperação do Ibovespa após um pregão de queda generalizada, mesmo que tímida, está relacionada ao bom desempenho das ações da Petrobras nesta terça-feira, que renovaram a máxima do ano com mais um dia de valorização do petróleo. A petroleira registrou avanço de 2,19% na B3. A PetroRio também subiu na Bolsa, mas com uma variação positiva menos expressiva, de 0,81%.

Ribeiro destaca que, na véspera, a OPEP+ confirmou que deve manter sua produção de petróleo no nível atual, apesar da pressão de alguns países por um crescimento na taxa de produção. "Ou seja, existe maior demanda pela commodity e a decisão de não aumentar a produção reflete no aumento dos preços", afirma o analista.

Os chamados bancões também contribuíram para que a B3 fechasse o dia no azul. Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander estiveram entre as maiores altas do dia, subindo 4,76%, 2,42%, 1,69% e 2,86%, respectivamente. Os papéis do setor financeiro são responsáveis por cerca de 17% da composição do Ibovespa e são a principal porta de entrada para os estrangeiros que querem investir na Bolsa brasileira por sua liquidez.

Cenário doméstico

Na manhã desta segunda-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados de produção industrial no Brasil em agosto, que caiu 0,7% frente a julho. Com o resultado, o índice acumula perdas de 2,3% em três meses.

Os dados impactaram negativamente os papéis do setor industrial da B3. Gerdau, Cyrela, Grupo Soma e Eztec caíram 0,59%, 2,23%, 4,74% e 0,26%, na sequência.

Também seguem no radar dos investidores a crise hídrica, um dos principais fatores que deve continuar elevando a inflação no País, e os desdobramentos da denúncia sobre as empresas offshore dos principais dirigentes econômicos do País. Hoje, a Câmara convocou o ministro da Economia, Paulo Guedes, para prestar explicações sobre o caso. A data da audiência ainda não foi definida.

Embora o ambiente interno apresente algumas incertezas para o mercado, os juros futuros fecharam o dia praticamente estáveis. A maior variação do pregão ficou por conta dos contratos com vencimento em abril de 2023, que fecharam com taxa de 9,5%, ante 9,48% registrado anteriormente.

No mercado de ações, os destaques negativos ficaram por conta das empresas ligadas à aviação e turismo. A Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata, na sigla em inglês) informou, nesta terça, que, mesmo com a volta parcial das atividades, o prejuízo líquido das companhias aéreas deve atingir US$ 51,8 bilhões neste ano.

O montante ficou acima dos US$ 47,7 bilhões de perdas projetadas pela entidade em abril. Isso quer dizer que, ao fim de três anos no vermelho por causa da pandemia de covid-19, o setor poderá perder globalmente US$ 200 bilhões.

Neste contexto, CVC e Embraer recuaram 5,90% e 4,53% no pregão, enquanto Azul e Gol caíram 1,92% e 3,17%, respectivamente.

Bolsas de Nova York

No cenário externo, as bolsas de Nova York registraram altas expressivas neste pregão, apesar do ambiente de incertezas, mas alguns dados foram positivos. Os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq 100 subiram 1,05%, 0,92% e 1,40%, na sequência.

Durante a manhã, o Departamento do Comércio dos EUA divulgou o déficit comercial do país, que aumentou 4,2% em agosto ante julho, a US$ 73,3 bilhões. O resultado veio bem acima das estimativas dos analistas, que previam déficit de US$ 70,7 bilhões.

Já o saldo negativo da balança de julho foi levemente revisado para cima, de US$ 70,05 bilhões para US$ 70,3 bilhões. As exportações dos EUA cresceram 0,5% na comparação mensal de agosto, a US$ 213,7 bilhões, mas as importações avançaram em ritmo mais forte, de 1,4%, a US$ 287 bilhões.

Dissemina-se cada vez mais no exterior a ideia de agravamento da crise global de energia, cujo risco se elevou, como indicam a escalada dos preços do petróleo e do gás natural. Movimentos que geram um efeito indesejável, a ampliação de pressões inflacionárias e, em sua esteira, a perspectiva de elevação das taxas de juro.

Além de ser um tema acompanhado de perto pelos investidores no mercado local, a elevação da inflação também está no foco de atenção, principalmente quando o assunto é o país norte-americano.

O mercado acredita que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve começar a retirada de estímulos monetários, com a redução da recompra de títulos, já no próximo mês, o que traz um cenário desafiador para a renda variável.

Ainda, o temor sobre um possível default da dívida do governo dos Estados Unidos segue pairando entre os investidores. A secretária do Tesouro norte-americano, Janet Yellen, destacou novamente que se isso ocorrer seria "catastrófico", pois minaria a confiança no país, poderia prejudicar o status de moeda de reserva do dólar e levaria à recessão.

Outro fator que persiste na preocupação dos mercados é o cenário de possível calote da incorporadora chinesa Evergrande, que carrega uma dívida perto de US$ 300 bilhões. Segundo especialistas, a gigante não tem quitado a conta semanal dos juros que deve aos credores.

As ações da empresa tiveram os negócios suspensos ontem em Hong Kong. O temor é que um eventual default ou falência da construtora contamine a economia da China, que tem dado sinais de perda de tração a cada divulgação de dados econômicos.

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