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Economia

Campos Neto: PIB sofre revisões para baixo em 2022 e inflação deve alcançar o pico em 12 meses

No entanto, para o próximo ano ao comandante da autoridade monetária reconhece que há revisões para baixo do indicador

Data de publicação:04/10/2021 às 12:10 -
Atualizado 7 meses atrás
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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta segunda-feira que o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil foi bom no combinado de 2020 e 2021, mas reconheceu que há revisões para baixo em 2022.

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Presidente do Banco Central do Brasil (BC), Roberto Campos Neto. - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

"Há previsões mais baixas para 2022. O Brasil tem crescimento estrutural mais baixo do que os outros países. Por isso, precisamos seguir com as reformas, para aumentar esse crescimento estrutural, disse Campos Neto, em participação de evento na Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O presidente do Banco Central destacou também surpresas negativas sobre o crescimento na Ásia e afirmou que a retomada global já está em desaceleração.

Em relação à Ásia, Campos Neto destacou as "batalhas particulares" da China, como a construção civil, com o problema com a Evergrande e imóveis vazios.

O presidente do BC também citou a regulamentação das empresas de tecnologia e seu desmembramento, a tentativa de se adequar às metas de carbono, que já vem causando racionamento de energia, e outros conflitos, como com a carne brasileira. "Já há uma reação inicial nos preços de ações e imóveis, com o governo chinês tentando amenizar a queda."

Além disso, Campos Neto destacou que alguns países estão alongando um pouco os auxílios criados na pandemia de covid-19, mas em menor intensidade.

Projeções

No boletim Focus divulgado durante a manhã pelo Banco Central, os economistas do mercado não mexeram nas projeções para o PIB em 2021 em relação à edição da semana passada. Segundo o documento, a previsão do indicador é de 5,04% para este ano.

Em relação aos próximos anos – 2022 e 2023 – a postura de manter as estimativas foi a mesma. No próximo ano, de acordo com o Focus, o crescimento do País deve ficar em 1,57% e em 2,20% para 2023.

Inflação alta

Sobre a inflação, o presidente do Banco Central destacou que a expectativa é a de que o IPCA, o índice oficial de inflação, alcance o pico em 12 meses em setembro.

Segundo Campos Neto, a inflação no nono mês do ano ainda deve ser alta, com o tema da energia. "Há persistência na inflação. Por isso temos sido mais incisivos nos juros", disse. Ele ressaltou que há um problema global na inflação de energia, mas reconheceu que o Brasil é um destaque.

O presidente do BC afirmou que vale ressaltar o comportamento do preço da gasolina no País, uma vez que seguiu subindo com a cotação internacional estável. Segundo ele, aqui, o preço é influenciado também pelo etanol e pelo valor do frete.

Campos Neto ainda ressaltou que a inflação ao consumidor no Brasil está entre as mais altas no mundo, mas os preços de serviços ainda estão mais baixos na comparação com outros países.

O presidente do BC, porém, reconheceu que já começou a aparecer um repasse represado no setor de serviços. "Os preços de serviços estão subindo, com a reabertura. Estamos monitorando de perto."

Curva de juros

Campos Neto afirmou que as taxas de juros longas voltaram a subir muito, em parte pelas preocupações fiscais, e que isso traz preocupação, uma vez que as taxas mais longas são importantes para projetos estruturantes.

"O Brasil tem um prêmio na curva muito alta. É a curva mais inclinada de juros. Um pouco está ligada ao fiscal. Eu acho que tem um tema de incerteza de curto prazo que deve arrefecer em breve."

Ele destacou que parece ter um ciclo de normalização de juros no mundo, com alguns países subindo juros, como México e Rússia, e outros retirando estímulos. / com Agência Estado

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