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Mercado Financeiro

Perspectivas 2022: das eleições à pandemia, confira o que pode mexer com os investimentos

Banco Central deve manter rigidez na política monetária e continuar aumentando os juros

Data de publicação:03/01/2022 às 00:10 -
Atualizado 4 meses atrás
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Entre as perspectivas para 2022, o mercado financeiro tem à frente um ambiente coalhado de incertezas, em que tudo está em jogo: sucessão presidencial, inflação persistente, quadro fiscal indefinido e economia estagnada no Pais. No cenário internacional, o risco é a variante ômicron, que volta a assombrar o mundo. Tudo isso deve afetar os investimentos.

O caminho está pontilhado de dúvidas, indefinições e tudo o mais que torna o horizonte do novo ano bastante nebuloso por aqui. Em meio a esse cenário desafiador, em que a inflação ainda não dá sinais de trégua e o quadro fiscal preocupa, o único instrumento de que tem à mão o Banco Central para o controle da alta de preços é a política de juros altos. Um remédio amargo para uma economia que precisa de tração para uma retomada consistente.

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Eleição presidencial deve trazer instabilidade aos mercados - Foto: Reprodução

Internamente, o principal fator de inevitável instabilidade nos mercados, de acordo com os especialistas, será a eleição presidencial. Um evento que deve manter a polarização entre os dois extremos das forças políticas em disputa pelo menos até o primeiro turno das eleições, em outubro.

Eleição presidencial sempre causa volatilidade no mercado financeiro. Senão por outros motivos, pelas dúvidas e insegurança que provocam nos investidores em relação à transição de governo e a possíveis alterações na política econômica. Desta vez, o embate promete ser mais acirrado.

A condução da política monetária

Em meio a turbulências associadas ao risco do processo eleitoral, que devem permear os negócios ao longo do ano, investidores e gestores contam com pelo menos com um cenário aparentemente mais claro em relação à política monetária, que deve seguir um tom duro, como vem sinalizando sistematicamente o Banco Central.

O ano começa com a expectativa de continuidade de elevação da Selic, que poderá, de acordo com as estimativas, chegar a um pico entre 11,50% e 11,75% ao ano, no fim do atual ciclo de alta, em março. A previsão é que, no momento seguinte, o juro básico permaneceria em patamar elevado, enquanto a inflação se manteria alta, mas em desaceleração.

Um cenário que tende a reforçar a atratividade da renda fixa, que vem passando por uma recuperação gradual do rendimento nominal, com a Selic em 9,25% ao ano, mas ainda sem premiar a investidor mais conservador com ganho real, acima da inflação.

Olhando à frente, um juro de dois dígitos – taxas futuras chegam a apontar uma Selic de 12% ou até pouco mais – não são convite apenas para posições defensivas ou de retranca. Para analistas, nesse cenário é possível ganhar mais que a Selic, remunerando o risco em período eleitoral. Uma Selic acima de dois dígitos para uma inflação em 2022 perto do teto, em torno de 5%, renderia um juro real nada desprezível.

Um título público que acenou com essa rentabilidade no último dia útil de 2021 foi o Tesouro IPCA+ 2026, vencimento em 15/08/2026, que ofereceu correção monetária pelo IPCA mais juro real prefixado de 5,10% ao ano.

Perspectivas para 2022 no mercado internacional

No front externo, especialistas apontam o comportamento dos juros americanos e a evolução da variante ômicron do coronavírus como os dois principais fatores de incerteza que podem influenciar os mercados.

Uma decisão do Fed (Federal Reserve, banco central americano) de elevar os juros, como reação a uma pressão inflacionária, ou um processo de agravamento da pandemia, com efeitos negativos sobre a economia global, tende a deprimir a bolsa de valores e a pressionar o dólar.

“O mercado deve monitorar o avanço da ômicron de olho também, com mais atenção, nos movimentos dos integrantes do Fed”, avalia Gustavo Bertotti, head de Renda Variável da Messem Investimentos.

Questão fiscal preocupa

Para Everton Medeiros, especialista da Valor Investimentos, “o tema mais sensível à bolsa está no campo fiscal brasileiro”, pois uma deterioração das contas públicas, agravada por gastos com o processo eleitoral, “afeta a capacidade de investimento do setor público e, por tabela, as expectativas de crescimento econômico”.

Medeiros afirma que, em qualquer cenário de disputa entre os dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas, “existe um risco fiscal que já está em grande medida precificado na bolsa de valores”. De acordo com ele, “o Ibovespa como um todo está barato, mas sem as commodities não parece tão barato”.

Pelos cálculos do especialista, o indicador P/L (Preço/Lucro) de 12 meses indica que o Ibovespa está em um patamar 30% menor comparado com a média de 15 anos, “o que é um grande desconto”. Mas, sem as empresas de commodities, “o índice sobe para 11,6%, um desconto de apenas 5,7%”.  Significa que “o Ibovespa como um todo está barato, mas, sem as empresas de commodities, não parece estar tão barato”.

Os setores negociados atualmente abaixo da média histórica na relação P/L, para Medeiros, são os de telecomunicações, elétrico, commodities e energia. São os que embutem também os prêmios de risco mais atraentes, aos quais acrescenta seguradoras e bancos. “As commodities, ademais, oferecem boa proteção contra a inflação e o dólar alto.”

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.