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Negócios com crédito privado crescem 15,5% em 2021 e chegam a R$ 647 bilhões; debêntures são destaque

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários apresentaram o maior crescimento em 2021

Data de publicação:30/12/2021 às 05:00 -
Atualizado 6 meses atrás
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Os papéis de crédito privado fizeram bonito em 2021. Apresentaram um crescimento de 15,5% no volume de negócios em relação ao ano anterior, movimentando um total de R$ 646,7 bilhões, segundo levantamento exclusivo feito pela POP BR, Provedora Oficial de Preços Brasil, uma empresa da Luz Soluções Financeiras, para a Mais Retorno. Os destaques ficaram com as debêntures e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI).

crédito privado
No crédito privado, as debêntures apresentam o maior volume de negócios e CRIs, o maior crescimento no ano

Não é preciso ir muito longe para entender o maior interesse do mercado pelo crédito privado: a falta de opções mais atraentes na renda fixa, quando os juros estavam rastejando ao nível de 2% ao ano, abriram espaço para o crescimento dos negócios como esses títulos, que são usados para o financiamento de projetos de empresas.

O volume negociado por papel nos últimos três anos

Títulos2019
em R$ bilhões
2020
em R$ bilhões
2021
em R$ bilhões
Debêntures194,623231,372289,871
CDB 99,728 85,539162,227
LF150,982157,801 87,684
CRI 18,571 23,685 52,680
CRA 20,712 34,857 35,164
LFS 17,413 26,825 19,137
Fonte: POP BR - Luz Soluções Financeiras

Leonardo Ozório, diretor da área de Previdência e Relações Institucionais da Luz, explica que alguns fatores foram determinantes para esse desempenho. Do ponto de vista do investidor foram opções que, embora com prazo mais longo, acenaram com retorno mais atraente do que outras opções de renda fixa, atreladas diretamente à Selic.

Já do ponto de vista do emissor, segundo ele, também houve vantagem porque as empresas com necessidade de financiamento tiveram acesso a recursos com taxas que, se mais atraentes ao investidor, eram relativamente mais baixas que as linhas do crédito tradicional.

Por isso, debêntures, CDBs, LF, LFS, CRIs e CRAs, movimentaram os R$ 646,7 bilhões até meados de dezembro neste ano, superando os R$ 560 bilhões registrados em 2020. Em 2017, ano de vacas gordas para esse setor, o volume financeiro havia totalizado R$ 713,1 bilhões, o maior nos últimos nove anos. Já em 2018 o total negociado caiu para R$ 436,4 bilhões.

Depois desse tombo, o volume de negócios entrou em uma trajetória gradual de recuperação, atingindo o melhor montante neste ano.

Os campeões do ano em crédito privado: debêntures e CRIs

Aruã Torigoe Kalmus, analista da POP BR e responsável pelo levantamento, ressalta que entre os ativos que se destacaram entre os maiores volumes financeiros negociados em 2021, os CRIs Certificados de Recebíveis Imobiliários foram os que apresentaram o maior percentual de crescimento, de 122%, em relação ao 2020.

Os papeis tiveram destino certo para financiamento de construções de shopping, imóveis populares com atuação da MRV Engenharia, e hospitais, dado ao contexto de crise sanitária no País.

O segundo maior crescimento ficou com os CDBs, com 89,65% de aumento em relação ao ano passado.

Também no crédito privado as debêntures, embora tenham registrado um crescimento menor, de 25,28% frente a 2020, continuaram movimentando o maior volume financeiro. Ao todo, de acordo com o levantamento da POP, foram quase R$ 290 bilhões em negócios este ano.

Entre as 30 debêntures tops de mercado, destaca Kalmus, 12 são incentivadas, com isenção de Imposto de Renda para a pessoa física, para financiar obras de infraestrutura, enquanto 18 são não-incentivadas e foram destinadas a projetos específicos das empresas.

O segundo maior volume ficou por conta dos CDBs, com R$ 162 bilhões, seguido pelas LF, com R$ 87,5 bilhões.

A retração com as Letras Financeiras

As Letras Financeiras e as Letras Financeiras Subordinadas (com um grau menor de prioridade no ressarcimento de investidores em caso de quebra da instituição financeira emissora) continuam perdendo espaço.

Elas foram os únicos papéis a apresentar uma queda no volume de negócios se comparado ao de 2020. De acordo com o levantamento, o recuo foi bem expressivo, o das LF ficou ficou em 44,4% e das LFS foi de 28,66%.

Kalmus explica que entre os ativos de instituições financeiras, a preferência por CDBs frente às LF e LFS deve-se à característica dos papeis.

“Entre os CDBs, há muitas opões de papéis com prazos mais curtos, de até dois anos, por exemplo. Já as LF e LFS possuem prazos mais longos, o que afeta o interesse dos investidores em cenários de aumento da taxa de juros, como estamos vivenciando”

Aruã Torigoe Kalmus - POP BR

Perspectivas

Para o ano que vem, embora o horizonte esteja nublado com muitas incertezas, algumas cartas já estão na mesa: será um ano de eleições e a perspectiva será de um ano de política monetária restritiva, com juros altos para brecar a inflação.

"Haverá espaço para crescimento do crédito privado, mas será preciso olhar a qualidade do crédito. Temos de ver como a economia vai andar e como vai responder à inflação. Em ano eleitoral, o crescimento do PIB tende a ser menor e precisamos acompanhar os problemas fiscais do País

Leonardo Ozório - Luz Soluções Financeiras

Ele ressalta que se as condições econômicas afetarem a saúde das empresas, os prêmios exigidos nos papéis de crédito devem aumentar. Especialmente por essa razão, a tendência deve ser de um aumento de interesse pelos CDBs, por oferecerem mais liquidez e prazos mais curtos, de modo a diluir os riscos.

Sobre o autor
Regina Pitoscia
Editora do Portal Mais Retorno.