Fundos de Investimentos

Como a taxa Selic afeta os fundos de crédito privado?

Um fundo que possui mais de 50% do patrimônio em títulos emitidos por empresas é qualificado como de crédito

Data de publicação:27/10/2021 às 08:00 - Atualizado um mês atrás
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Os fundos de crédito privado são uma boa opção de investimento para aquelas pessoas que possuem perfil de conservador à moderado. Isso porque fazem parte dos investimentos de renda fixa, ou seja, os riscos são relativamente baixos para o investidor.

Foto: Envato

Basicamente, é um fundo de investimentos que tem boa parte de seu patrimônio investido em títulos de renda fixa de empresas privadas.

A regra, segundo a CVM, é que no momento em que um fundo possuir mais de 50% de seu patrimônio líquido aplicado desta forma, então ele deverá se chamar Crédito Privado.

Já a Taxa Selic podemos definir como a taxa básica de juros da economia do país. Ou seja, é através desta taxa como base que saem os demais juros cobrados em todas as operações de crédito e também nos investimentos da renda fixa negociados aqui.

Se você deseja se aprofundar mais nestes dois assuntos e entender como a taxa Selic afeta os fundos de crédito privado, fique de olho neste artigo!

Entendendo a Taxa Selic

O nome SELIC vem da sigla Sistema Especial de Liquidação e Custódia – que é o método por onde as instituições financeiras podem negociar os títulos públicos do Tesouro Nacional.

Podemos dizer que o volume de títulos em circulação no mercado é o que regula hoje a quantidade de dinheiro na economia – o que contribui para o controle da inflação.

Funciona assim: o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central é responsável por definir uma meta para a taxa Selic (Selic meta), que pode ser renovada a cada 45 dias.

A partir dessa meta, a autoridade monetária fica encarregada de vender ou comprar títulos para que o volume de dinheiro seja ajustado de acordo com a conformidade.

Dessa forma, quando a inflação sobe, o Banco Central aumenta a taxa selic atraindo o interesse de instituições financeiras a comprarem os títulos no mercado aberto. Assim, diminui a circulação de moeda na economia.

Agora, quando a inflação cai, então os bancos costumam se desfazer se seus títulos públicos, vendendo-os ao Banco Central e pegando o dinheiro de volta. Fazendo assim, com que o mesmo volte a circular na economia do país.

Mas como se dá o cálculo da Taxa Selic?

O cálculo da taxa Selic se dá através do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Sistema Selic) de maneira eletrônica, ao final de cada dia útil.

Para isso, é utilizada a seguinte fórmula matemática:

  • Lj = fator diário correspondente à taxa da j-ésima operação;
  • Vj = valor financeiro correspondente à taxa da j-ésima operação;
  • n = número de operações que compõem a amostra.

Não se preocupe que você não vai precisar utilizar essa equação em nenhum momento, estamos colocando aqui apenas a título de conhecimento.

Como a Selic é também a taxa básica de juros da economia, é importante você ter conhecimento disso para compreender as volatilidades de diversos outros investimentos.

Como por exemplo, os títulos do tesouro direto; a poupança, que quando está abaixo de 8,5% ao ano rende 70% da Selic; o CDI, que está diretamente relacionado à mesma taxa; e também os fundos de crédito privado que estamos vendo neste artigo.

O que são os Fundos de Crédito Privado?

Fundos de Crédito Privado é como se chamam os investimentos onde o interessado aplica seu dinheiro em títulos de renda fixa emitidos por empresas privadas.

Parecido com os títulos do tesouro direto, com a diferença de que aqueles são emitidos pelo Governo Federal.

Antes de mais nada, é preciso estabelecer que o crédito privado se trata de um título de dívida, que é determinado entre o emissor do título e o credor do débito. No caso do crédito privado, esses títulos são emitidos por empresas e organizações.

Ao investir nesta modalidade, o investidor “empresta” dinheiro à empresa que devolve na data acordada juntamente com uma taxa de juros extra. Por outro lado, a empresa que precisa de recursos para seu desenvolvimento, cria os títulos a fim de arrecadar fundos.

A rentabilidade dos fundos de crédito privado varia de acordo com o emissor, e podem ser pré ou pós-fixados. No caso dos pré-fixados, você saberá exatamente qual rentabilidade irá receber na data estipulada.

Já no caso dos pós-fixados, então a rentabilidade não pode ser estipulada previamente pois ela depende de outros indicadores, como por exemplo o IPCA e o CDI.

Para que se enquadre como fundo de crédito privado, é preciso que o fundo tenha pelo menos 50% do seu patrimônio investido em títulos de crédito privado.

Vamos ver a seguir quais os principais tipos que existem hoje no mercado.

Tipos de Títulos de Crédito Privado

Existem diversos tipos de títulos de crédito privado. Vamos ver abaixo quais os principais e suas principais características:

  • Debêntures: Um dos mais conhecidos títulos de crédito privado. Configuram os títulos de dívidas de empresas privadas que buscam arrecadar recursos para operações ou fluxo de caixa.

Aqui ocorre aquela mesma movimentação onde o investidor “empresta” dinheiro para a companhia em troca do juros determinado sobre o valor investido. Nessas situações, a rentabilidade e o prazo são definidos no momento da compra.

  • Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA): Este tipo de investimento é isento de taxas e possui geralmente um retorno acima da inflação. Por este motivo, pode ser mais rentável que o anterior, mas também é um pouco mais arriscado.

Aqui os juros são pagos anual ou semestralmente, mas o dinheiro total só poderá ser resgatado na data de vencimento do título (que gira por volta dos 4 anos).

Outro detalhe importante desta modalidade é que é necessário um pouco mais de investimento inicial para começar do que os demais.

Como a Selic influencia os Fundos de Crédito Privado?

Os títulos de crédito privado configuram uma das classes de ativos dentro do segmento da renda fixa. Dessa forma, temos como principais índices utilizados para indexação dos mesmos o CDI e o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Como você viu anteriormente, estes dois índices são atrelados diretamente à taxa Selic, já que ela é a taxa básica de juros da economia. Por este motivo, todo investimento que for atrelado a índices como estes, estará indiretamente atrelado à Selic.

Assim sendo, em caso de alta da Selic por exemplo, os ativos que forem indexados tanto pelo CDI quanto pela inflação, provavelmente terão alta também. Seja pelo acréscimo ao CDI, seja pelo aumento da taxa de juros real (IPCA).

A verdade é que cada um dos ativos de renda fixa podem ter variadas formas de remuneração aos investidores: podem ser pré-fixados, podem ser atrelados ao CDI ou então ao IPCA, ou mesmo outros indicadores importantes.

Quando falamos especificamente de crédito privado, ainda temos de incluir os spreads, que é a remuneração paga pela empresa acima da taxa de referência oferecida pelo Governo. Esses juros também acabam sendo afetados pela taxa Selic.

Dessa forma, fica evidente que a taxa selic afeta diretamente os fundos de crédito privado, principalmente aqueles que são atrelados ao CDI e ao IPCA. Ou seja, quanto mais a selic subir, mais estes títulos específicos tendem a subir.

Lembrando que somente os pós-fixados possuem essa relação, já que os títulos de crédito privado pré-fixados possuem rentabilidade determinada no momento da compra. Assim, independente da taxa selic, a rentabilidade continuará a mesma.

Riscos dos Fundos de Crédito Privado

Mesmo configurando basicamente um investimento de renda fixa, os fundos de crédito privado possuem riscos, mesmo que baixos. Vamos ver alguns deles abaixo:

Risco de Crédito

O risco de crédito é o mais comum entre os fundos de investimento. Significa o risco da inadimplência, ou seja, da outra parte não honrar com suas obrigações e efetuar o pagamento dos juros.

No entanto, esse risco pode ser facilmente contornado através da estratégia de diversificação de emissores dos títulos bem como da análise de crédito.

Risco de Liquidez

O risco da liquidez é relativo dentro dos fundos de crédito privado, pois dependem do prazo que você pretende manter o investimento. Isto é, você pode investir com objetivo de curto prazo, com resgates facilitados, ou a longo prazo, com uma liquidez menor.

Ficou confuso? Vamos explicar…

Quando você opta por fundos de crédito privado com objetivo de curto prazo, a norma do fundo determina que o gestor faça a seleção daqueles ativos de maior liquidez do mercado.

Dessa forma, se você precisar resgatar o dinheiro, conseguirá fazê-lo rapidamente. Inclusive, se boa parte do patrimônio do fundo for resgatado, como os ativos possuem alta liquidez, não passarão por deságio.

Porém, quando acontece de ocorrer muitos resgates ao mesmo tempo, então o gestor do fundo deverá fazer uma liquidação à mercado. Isso fará com que ele precise aceitar um deságio nos títulos a fim de atrair compradores.

Nestes casos, o valor do deságio é repassado aos investidores através do preço das cotas e, até mesmo o investidor que não efetuou o saque acabará pagando.

Risco de mercado

O risco de mercado significa a volatilidade dos preços dos ativos que constituem o fundo de investimento: se oscilam positivamente ou negativamente.

Se tratando de fundos de ações, este risco é bem alto já que o preço das ações varia muito em um único dia. Alguns especialistas inclusive dizem que este é o principal risco do mercado de ações.

Agora, os títulos de renda fixa, como os que compõem os fundos de crédito privado, também possuem este risco, mesmo que não tão alto quanto nas ações.

Aqui a volatilidade se dá muito através da própria taxa básica de juros, o que mostra mais um motivo de como a taxa selic afeta os fundos de crédito privado.

Ou seja: quando a taxa selic sobe, os preços dos títulos descem. Quando a taxa Selic desce, os preços dos títulos sobem.

O que esperar para 2021?

Os fundos de crédito privado costumam ser mais atrativos do que os títulos públicos segundo opiniões de diversos especialistas. O motivo se dá pela porcentagem de juros pagos e também pela isenção de imposto de renda, o que é um grande benefício.

Devido a crise financeira ocasionada pela pandemia do Coronavírus, os preços dos títulos baixaram significativamente, dando mais espaço para os títulos públicos subirem.

No entanto, o fato dos preços terem baixado representa um problema para uns, oportunidade para outros. Enquanto você tiver certeza de que o fundo possui bons fundamentos, o preço baixo pode ser até um atrativo.

Com o aumento das vendas de títulos durante a pandemia, aumentou também a liquidez dos papéis. O que é mais um atrativo reconhecido por muitos especialistas no assunto.

Mas lembre-se: a única pessoa a saber se investir em fundos de crédito privado é ou não válido para a sua vida de investidor é você mesmo.

Portanto, inspire-se nas teorias e palavras de especialistas que vê por aí. Mas deixe para tomar a decisão sozinho, pensando unicamente nos seus objetivos com o investimento.

Fundos de Crédito Privado: Vantagens e Desvantagens

Agora que você já sabe como a taxa selic afeta os fundos de crédito privado, além de muita informação sobre estes dois assuntos, resta identificar as vantagens e desvantagens deste tipo de investimento.

Vantagens:

  • Lucratividade alta em comparação a outros ativos da renda fixa, superando inclusive o CDI, Tesouro Selic, entre outros investimentos;
  • Dinheiro sob controle de gestores profissionais e especializados no assunto;
  • Possibilidade de diversificação de carteira, já que existem diversas opções de fundos de crédito privado;
  • Boa liquidez.

Desvantagens:

  • Investimento um pouco mais arriscado do que os títulos públicos do tesouro direto;
  • Não oferece garantia nem cobertura pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGV);
  • Possui tributação come-cotas, que significa uma antecipação do pagamento do imposto que deverá ser pago pelo investidor;
  • Costuma ter taxas por performance e custos de administração um pouco mais altos do que a maioria dos outros títulos de renda fixa.

Conclusão

A Taxa Selic é como se chama a taxa básica de juros da economia e, dessa forma, existem diversos investimentos que possuem essa taxa como base para sua rentabilidade.

Portanto, sim, a taxa selic afeta os fundos de crédito privado diretamente, principalmente aqueles que são atrelados a ela.

Para decidir se vale ou não a pena investir em qualquer modalidade de aplicações, é fundamental que você fala primeiramente um breve estudo sobre os riscos e oportunidades do mercado.

Se preferir, pode contar com o nosso portal onde temos artigos completos e super diretos para a sua compreensão.

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