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Economia

Como a taxa selic afeta os fundos de credito privado?

Os fundos de crédito privado são uma boa opção de investimento para aquelas pessoas que possuem perfil de conservador a moderado. Isso porque fazem parte dos…

Data de publicação:09/05/2022 às 15:34 -
Atualizado um mês atrás
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Os fundos de crédito privado são uma boa opção de investimento para aquelas pessoas que possuem perfil de conservador a moderado. Isso porque fazem parte dos investimentos de renda fixa. Ou seja, os riscos são relativamente menores para o investidor quando comparamos com outros ativos de renda variável — como fundos imobiliários ou ações.

Selic
Foto: Reprodução

No artigo de hoje, vamos te explicar um pouco melhor o contexto dessa categoria dos fundos de investimentos e, uma vez que pertencem à renda fixa, também vamos ajudar a entender o impacto das taxas de juros nesses produtos.

O que é um fundo de crédito privado?

Um fundo de crédito privado é, em resumo, um fundo de investimentos que tem boa parte de seu patrimônio investido em títulos de renda fixa de empresas privadas — como as debêntures, por exemplo.

A regra, segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), é que no momento em que um fundo possuir mais de 50% de seu patrimônio líquido aplicado desta forma, então ele deverá se chamar Crédito Privado.

O fundo de crédito privado e a Taxa Selic

Já a Taxa Selic podemos definir como a taxa básica de juros da economia do nosso país. Ou seja, é através desta taxa como base que saem os demais juros cobrados em todas as operações de crédito e também nos investimentos da renda fixa negociados aqui.

Se você deseja se aprofundar mais nestes dois assuntos e entender como a Taxa Selic afeta os fundos de crédito privado, fique de olho neste artigo. Vamos começar entendendo melhor essa ferramenta de política monetária.

Entendendo a Taxa Selic

O nome SELIC vem da sigla Sistema Especial de Liquidação e Custódia – que é o método por onde as instituições financeiras podem negociar os títulos públicos do Tesouro Nacional.

Podemos dizer que o volume de títulos em circulação no mercado é o que regula hoje a quantidade de dinheiro na economia – o que contribui para o controle da inflação.

Funciona assim: o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central é responsável por definir uma meta para a Taxa Selic (Selic meta), que pode ser renovada a cada 45 dias.

A partir dessa meta, a autoridade monetária fica encarregada de vender ou comprar títulos para que o volume de dinheiro seja ajustado de acordo com a conformidade.

Dessa forma, quando a inflação sobe, o Banco Central aumenta a Taxa Selic, atraindo assim o interesse de instituições financeiras a comprarem os títulos no mercado aberto. Dessa forma, diminui a circulação de moeda na economia.

Agora, quando a inflação cai, então os bancos costumam se desfazer se seus títulos públicos, vendendo-os ao Banco Central e pegando o dinheiro de volta. Fazendo assim, com que o mesmo volte a circular na economia do país.

Como é feito o cálculo da Taxa Selic?

O cálculo da taxa Selic se dá através do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Sistema Selic) de maneira eletrônica, ao final de cada dia útil.

Para isso, é utilizada a seguinte fórmula matemática:

  • Lj = fator diário correspondente à taxa da j-ésima operação;
  • Vj = valor financeiro correspondente à taxa da j-ésima operação;
  • n = número de operações que compõem a amostra.

Não se preocupe que você não vai precisar utilizar essa equação em nenhum momento, estamos colocando aqui apenas a título de conhecimento.

Como a Selic é também a taxa básica de juros da economia, é importante você ter conhecimento disso para compreender as volatilidades de diversos outros investimentos que são impactados pela Taxa Selic — como, por exemplo:

  • Poupança: quando está abaixo de 8,5% ao ano, ela rende apenas 70% da Selic; 
  • CDI: o Certificado de Depósito Interbancário é uma taxa praticada entre banco e que utiliza a própria Taxa Selic como base;
  • Fundos de crédito privado: são fundos de investimentos que investem em títulos privados, como estamos aprendendo neste artigo.

Como funcionam os fundos de crédito privado?

Fundo de crédito privado é como se chamam os investimentos onde o time de gestão investe o dinheiro dos cotistas em títulos de renda fixa emitidos por empresas privadas, como vimos anteriormente.

Esses títulos privados são todos os títulos de renda fixa que não são emitidos pelo nosso governo (títulos públicos) ou pelas instituições financeiras (títulos bancários). Ou seja, esses títulos são emitidos por empresas e organizações do setor privado.

A dinâmica de funcionamento, entretanto, é similar a todos os outros de renda fixa. Isto é, o crédito privado se trata de um título de dívida, que é determinado entre o emissor do título (uma companhia privada) e o credor do débito.

Ao investir nesta modalidade, o investidor “empresta” dinheiro à empresa, que devolve na data acordada juntamente com uma taxa de juros extra. Por outro lado, a empresa que precisa de recursos para seu desenvolvimento, cria os títulos a fim de arrecadar fundos.

A rentabilidade dos fundos de crédito privado varia de acordo com o emissor, podendo ser prefixados ou pós-fixados. No caso dos prefixados, você saberá exatamente qual rentabilidade irá receber na data estipulada.

Já no caso dos pós-fixados, então a rentabilidade não pode ser estipulada previamente, pois ela depende de outros indicadores, como por exemplo o IPCA e o CDI.

Vamos ver a seguir quais os principais tipos que existem hoje no mercado.

Quais são os tipos de títulos de crédito privado no Brasil?

Existem diversos tipos de títulos de crédito privado. Vamos ver abaixo quais os principais e suas principais características:

Debêntures

As debêntures representam um dos mais conhecidos títulos de crédito privado. Configuram os títulos de dívidas de empresas privadas que buscam arrecadar recursos para operações ou fluxo de caixa.

Aqui ocorre aquela mesma movimentação onde o investidor “empresta” dinheiro para a companhia em troca do juros determinado sobre o valor investido. Nessas situações, a rentabilidade e o prazo são definidos no momento da compra.

Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA)

O Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) é isento de Imposto de Renda para a Pessoa Física e possui, geralmente, um retorno acima da inflação. Por este motivo, pode ser mais rentável que as debêntures, mas também representa um ativo mais arriscado.

Neste produto, os juros são pagos anual ou semestralmente, mas o dinheiro total só poderá ser resgatado na data de vencimento do título (que gira por volta dos 4 anos).

Outro detalhe importante desta modalidade é que é necessário um pouco mais de investimento inicial para começar do que os demais ativos, sendo menos acessível ao pequeno investidor.

Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI)

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) são muito parecidos com os CRAs em toda a sua dinâmica. A única diferença é que, em vez dos títulos serem aplicados no agronegócio, aqui são aplicados no mercado imobiliário.

No restante, temos as mesmas características — inclusive no que se refere ao incentivo de isenção de Imposto de Renda para a Pessoa Física.

Como a Taxa Selic influencia os Fundos de Crédito Privado?

Em maio de 2022, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Taxa Selic para o patamar de 12,75% ao ano. Os fundos de crédito privado configuram um produto de renda fixa, logo é natural que eles sejam afetados por esse tipo de movimentação. No entanto, qual é esse impacto no desempenho dos fundos?

A maior parte dos títulos de crédito privado possuem indexadores de renda fixa, como é o caso do CDI ou do IPCA (índice de Preços ao Consumidor Amplo), nosso principal indicador de inflação. E ambos estão diretamente relacionados com a Taxa Selic.

Em caso de alta da Taxa Selic, por exemplo, a tendência é que esses ativos ofereçam uma valorização aos seus investidores.

Isso acontece seja pelo acréscimo ao CDI, seja pelo aumento da taxa de juros real (IPCA). Por outro lado, há um risco de ativos atrelados à inflação, pois essa elevação de juros é um mecanismo justamente para frear o aumento dos preços.

Quando falamos especificamente de crédito privado, ainda temos de incluir os spreads, que é a remuneração paga pela empresa acima da taxa de referência oferecida pelo Governo — afinal, temos um risco maior de "emprestar" nosso dinheiro para empresas privadas. Esses juros também acabam sendo elevados em caso de aumento da Taxa Selic.

Dessa forma, fica evidente que a Taxa Selic afeta diretamente os fundos de crédito privado, principalmente aqueles que são atrelados ao CDI e ao IPCA. Ou seja, quanto mais a Taxa Selic subir, mais estes títulos específicos tendem a subir. E o cenário inverso, em caso de queda da taxa básica de juros, também é verdadeiro.

Lembrando que somente os pós-fixados possuem essa relação, já que os títulos de crédito privado prefixados possuem rentabilidade determinada no momento da compra. Assim, independente da Taxa Selic, a rentabilidade continuará a mesma.

Riscos dos Fundos de Crédito Privado

Mesmo configurando basicamente um investimento de renda fixa, os fundos de crédito privado possuem riscos, mesmo que baixos. Vamos ver alguns deles na sequência.

Risco de Crédito

O risco de crédito é o mais comum entre os fundos de investimento. Significa o risco da inadimplência, ou seja, da outra parte não honrar com suas obrigações e efetuar o pagamento dos juros.

No entanto, esse risco pode ser facilmente contornado através da estratégia de diversificação de emissores dos títulos, bem como da análise de crédito.

Risco de Liquidez

O risco da liquidez é relativo dentro dos fundos de crédito privado, pois dependem do prazo que você pretende manter o investimento. Isto é, você pode investir com objetivo de curto prazo, com resgates facilitados, ou a longo prazo, com uma liquidez menor.

Ficou confuso? Vamos explicar…

Quando você opta por fundos de crédito privado com objetivo de curto prazo, a norma do fundo determina que o gestor faça a seleção daqueles ativos de maior liquidez do mercado.

Dessa forma, se você precisar resgatar o dinheiro, conseguirá fazê-lo rapidamente. Inclusive, se boa parte do patrimônio do fundo for resgatado, como os ativos possuem alta liquidez, não passarão por deságio.

Porém, quando acontece de ocorrer muitos resgates ao mesmo tempo, então o gestor do fundo deverá fazer uma liquidação a mercado. Isso fará com que ele precise aceitar um deságio nos títulos a fim de atrair compradores.

Nestes casos, o valor do deságio é repassado aos investidores através do preço das cotas e, até mesmo o investidor que não efetuou o saque, acabará pagando.

Risco de mercado

O risco de mercado significa a volatilidade dos preços dos ativos que constituem o fundo de investimento. Isto é, se eles oscilam positiva ou negativamente.

No caso dos fundos de ações, este risco é bem alto, pois o preço dos papéis varia muito em um único dia. Alguns especialistas, inclusive, dizem que este é o principal risco do mercado de ações.

Agora, os títulos de renda fixa, como os que compõem os fundos de crédito privado, também possuem este risco, mesmo que não tão alto quanto nas ações. 

Aqui, a volatilidade se dá muito através da própria taxa básica de juros, o que mostra mais um motivo de como a Taxa Selic afeta os fundos de crédito privado.

Desempenho dos fundos de inflação em 2022

E no atual ano de 2022? Temos um cenário misto e que, apenas em cinco meses, já nos ajuda a entender o contexto cíclico dos fundos de inflação. Com o movimento de aumento da taxa de juros se intensificou no final de 2021, houve um resultado superior aos fundos de inflação, que é algo esperado durante um ciclo de elevação da Taxa Selic.

No entanto, a inflação não deu folga mesmo diante desse aumento. A guerra na Europa, entre Rússia e Ucrânia, contribuiu negativamente para o índice inflacionário, especialmente sobre o preço do petróleo. E, por isso, os resultados do IMA-B voltaram a superar a taxa de juros em abril.

Neste começo de maio, entretanto, o Banco Central seguiu sua missão de combate à pressão inflacionária, elevando a Taxa Selic para o patamar de 12,75% ao ano. A expectativa, portanto, é que o CDI volte a render mais que os fundos de inflação até o final do ano, confirmando o perfil cíclico dessa classe de ativos.

Fundos de Crédito Privado: Vantagens e Desvantagens

Agora que você já sabe como a taxa selic afeta os fundos de crédito privado, além de muita informação sobre estes dois assuntos. Portanto, resta identificar as principais vantagens e desvantagens deste tipo de investimento.

Vantagens:

  • Lucratividade alta em comparação a outros ativos da renda fixa, superando inclusive o CDI, Tesouro Selic, entre outros investimentos;
  • Dinheiro sob controle de gestores profissionais e especializados no assunto;
  • Possibilidade de diversificação de carteira, já que existem diversas opções de fundos de crédito privado;
  • Boa liquidez.

Desvantagens:

  • Investimento um pouco mais arriscado do que os títulos públicos do tesouro direto;
  • Não oferece garantia nem cobertura pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGV);
  • Possui tributação come-cotas, que significa uma antecipação do pagamento do imposto que deverá ser pago pelo investidor;
  • Costuma ter taxas por performance e custos de administração um pouco mais altos do que a maioria dos outros títulos de renda fixa.

Conclusão

A Taxa Selic é como se chama a taxa básica de juros da economia e, dessa forma, existem diversos investimentos que possuem essa taxa como base para sua rentabilidade.

Portanto, sim, a Taxa Selic afeta os fundos de crédito privado diretamente, principalmente aqueles que são atrelados a ela.

Para decidir se vale ou não a pena investir em qualquer modalidade de aplicações, é fundamental que você faça primeiramente um breve estudo sobre os riscos e oportunidades do mercado.

É natural, por exemplo, que fundos de crédito privado com títulos atrelados ao CDI tenham um ótimo desempenho conforme as taxas de juros sejam elevadas. Já aqueles que possuem como indexador a inflação, podem ter uma redução de desempenho conforme a ferramenta de controle inflacionário surja efeito na economia.

O ideal, portanto, é manter uma carteira equilibrada, preparada para os mais diversos cenários econômicos. Para tomar boas decisões, conte com o nosso portal onde temos artigos completos e super diretos para a sua compreensão.

Sobre o autor
Stéfano Bozza
Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.