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Mercado Financeiro

Inflação, ômicron e juros americanos seguem no radar do mercado nesta quinta-feira

Preocupações com avanço da pandemia e alta nos preços do petróleo permanecem entre os investidores

Data de publicação:20/01/2022 às 00:30 -
Atualizado 4 meses atrás
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O mercado financeiro deu um cavalo-de-pau na véspera, como reflexo da repentina mudança de humor dos investidores, após as preocupações com a alta da inflação e dos juros que permearam os negócios no dia anterior. Nesta quinta-feira, 20, o ambiente positivo mostra sinais de que deve se manter, com os futuros americanos trafegando em alta e as bolsas asiáticas fechando o pregão com a maior parte das praças no azul.

Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, ganhou mobilidade, impulsionada mais uma vez pela valorização de ações de empresas ligadas a commodities, e subiu 1,26%, para 108.013 pontos. É o nível mais elevado do Ibovespa desde 16 de dezembro, quando concluiu o dia aos 108.326 pontos. O dólar passou por forte desvalorização de 1,71%, para R$ 5,46, a menor cotação em mais de dois meses.

Mercado
Após fechar o dia em alta, mercado mantém o bom humor nesta quinta-feira, 20 - Foto: Reprodução

A virada no humor dos mercados foi influenciada pela súbita inversão de trajetória de dólar e juros no mercado internacional, diante de uma aparente revisão de expectativas mais pessimistas em relação à tendência de inflação e juros globais. O dólar passou por uma desvalorização perante as demais moedas, acompanhada pela queda dos juros.

O dia mais positivo, contudo, não foi suficiente para revisar as expectativas de especialistas, que consideram o comportamento dos mercados nesta quarta pontual e circunstancial, diante do cenário de incertezas que persiste no cenário doméstico e internacional.

Estímulos na China trazem um pouco de alento ao mercado e praças fecham mistas

Os sinais de que o governo da China pretende adotar novas medidas de estímulo à economia, na sequência da redução das taxas de juros futuros, dá certo alento a investidores e gestores, em um ambiente que as preocupações com o avanço da ômicron persistem e os efeitos da pandemia causada pela nova variante permanecem sob monitoração no radar dos mercados.

Os reguladores chineses estão considerando tomar mais fácil para as construtoras acessar uma classe de fundos de propriedades pré-vendidas, um passo que ajudaria a enfrentar a crise de liquidez do setor. Separadamente, os credores chineses reduziriam novamente os custos dos empréstimos para impulsionar o crescimento econômico.

No continente, as principais praças financeiras fecharam sem direção única nesta quinta-feira, mesmo com o movimento de corte de juros da China.

O PBoC, como é conhecido o banco central chinês, reduziu sua taxa de juros de referência (LPR) para empréstimos de um ano de 3,80% para 3,70%, e também a LPR para empréstimos de cinco anos ou mais, de 4,65% para 4,60%. Foi a primeira vez em 21 meses que as duas taxas foram reduzidas ao mesmo tempo.

Fechamento/bolsas asiáticas

  • Hang Seng (Hong Kong): + 3,42% (24.952 pontos)
  • Xangai Composto (China continental): - 0,09% (3.555 pontos)
  • Shenzen Composto (China continental): - 0,92% (2.419 pontos)
  • Nikkei (Tóquio): + 1,1% (27.772 pontos)
  • S&P/ASX 200: + 0,14% (7.342 pontos)

Dúvidas sobre a alta de juros nos Estados Unidos:

Outro ponto de incerteza, para além da tensão geopolítica alimentada pela crise entre Rússia e Ucrânia, está relacionada às dúvidas com a tendência dos juros nos Estados Unidos. O temor de que as taxas de curto prazo americanas, calibradas pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos), venham a subir mais que 0,25 ponto porcentual em março tem provocado desconforto, sobretudo aos investidores em ações.

Um cenário que tem deixado o mercado de ações americano hesitante. As bolsas de Nova York até ensaiaram uma recuperação nesta quarta-feira, mas não sustentaram a trajetória positiva e chegaram ao fim do dia com acentuadas quedas. O índice Dow Jones caiu 0,96%, para 35.029 pontos; o S&P 500 recuou 0,97%, para 4.532 pontos, e o índice da bolsa eletrônica Nasdaq recuou 1,15%, para 14.340 pontos.

Nesta quinta-feira, o ambiente positivo predomina nos futuros das bolsas americanas, com os investidores na expectativa com a divulgação de novos dados econômicos, como pedidos de seguro desemprego e índice Philly Fed, às 10h30 (horário de Brasília), volume de vendas de imóveis usados, às 12h, e estoque de petróleo do DoE, às 13h.

A temporada de balanços trimestrais de empresas americanas, referentes ao quarto trimestre de 2021, segue em curso. Após o fechamento do mercado, a Netflix divulga os seus números do período.

Futuros/bolsas americanas

  • S&P 500: + 0,46%
  • Dow Jones: + 0,39%
  • Nasdaq 100: + 0,72% (dados atualizados às 8h06)

Europa: inflação pesa um pouco no pregão desta quinta-feira

Na zona do euro, as bolsas operam mistas, com a inflação acima do esperado pesando no humor da sessão desta quinta-feira, que seguia Nova York na abertura.

A taxa anual de inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro atingiu a máxima história de 5% em dezembro de 2021, acelerando levemente em relação à alta de 4,9% observada no mês anterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia.

O resultado confirmou a estimativa preliminar e veio em linha com as expectativas dos analistas. O CPI recorde, que é igual à taxa de julho de 1991, amplia pressões para que o Banco Central Europeu (BCE) aperte sua política monetária.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que não vê motivos para a autoridade monetária seguir os passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), apesar da projeção da inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de 3,2%, acima da meta esse ano.

Apenas o núcleo do CPI do bloco, que desconsidera os preços de energia e de alimentos, teve ganho anual de 2,6% em dezembro, confirmando leitura preliminar. Já no confronto mensal, o núcleo do índice aumentou 0,4% no último mês.

Na Alemanha, a forte alta em energia pesou no PPI, que saltou 5,0% em dezembro de 2021, com a taxa em 12 meses disparando de 19,2% para 24,2%. O número veio bem acima da expectativa do mercado, que esperava alta mensal de 0,8%.

Bolsas europeias/principais praças financeiras

  • Stoxx 600 (Europa): + 0,04%
  • FTSE 100 (Londres): - 0,07%
  • DAX (Alemanha): + 0,10%
  • CAC 40 (Paris): - 0,21% (dados atualizados às 8h06)
Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.