Logo Mais Retorno
Economia

China: corte dos juros e crescimento do país asiatico abrem oportunidades para ganhos dos fundos de investimento

Crescimento do PIB anual chinês ficou em 8,1%, e do 4º trimestre, em 4%

Data de publicação:18/01/2022 às 00:30 -
Atualizado 4 meses atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

O corte dos juros e o crescimento da China acima do esperado trazem oportunidades aos fundos de investimento que mantêm suas carteiras voltadas ao mercado chinês. A reação dos mercados globais, inclusive doméstico foi até moderada aos bons ventos econômicos que sopraram daquele país, nesta segunda-feira, 17.

Um deles trouxe a notícia de forte crescimento anualizado do (Produto Interno Bruto). Em vez da meta de 6% prevista pelo governo chinês para 2021, uma expansão de 8,1%. Uma variação anual mais importante que a de 4%, no 4º trimestre do ano passado, embora tenha ficado também acima da projeção de 3,6%. O outro, a informação de que o Banco Central da China cortou 10 pontos-base, de 2,95% para 2,85% ao ano, a taxa de juros de médio prazo.

corte dos juros e crescimento da china
Oportunidades se abrem na bolsa, renda fixa e moeda com o corte dos juros e crescimento da China - Foto; Reprodução

Redução dos juros traz oportunidades aos fundos

A perspectiva de uma trajetória promissora da economia chinesa anima os mercados globais, mas “mais importante que os dados do PIB é o corte das taxas de juro”, analisa Fernando Fenolio, economista-chefe da WHG.  A prime rate, outra importante taxa de referência chinesa, usada sobretudo para operações de crédito mais longas, como o financiamento imobiliário, será definida amanhã, dia 19.

Essa trajetória distinta de ciclos econômicos – corte dos juros na China para tentar turbinar o crescimento e ao mesmo tempo alta dos juros nos Estados Unidos que pode inibir a atividade – cria um ambiente de investimento muito vantajoso nos mercados chineses.

Vai ser muito favorável à bolsa, à renda fixa e até à moeda, que ainda não sofreu depreciação com o corte dos juros, como em geral ocorre, amparada pela sólida balança comercial. Quem aposta em queda da taxa de juros tem a oportunidade de comprar papel de renda fixa, porque o juro vai fechar, e também ações na bolsa da China.

Fernando Fenolio, economista-chefe da WHG

O cenário para quem quer investir nesses dois ativos fora do País está, para o economista-chefe da WHG, muito favorável à China e desfavorável aos Estados Unidos, no momento. “O cenário chinês tem tudo para favorecer quem ficar alocado em ativos locais, diante do corte de juros e da expansão fiscal.”

Um horizonte percebido pela WHG desde setembro, que se antecipou na adoção dessa estratégia, quando os analistas perceberam que a economia chinesa estava desacelerando na margem, por causa de um aperto muito forte na política econômica que o governo seria obrigado a afrouxar em algum momento. “Hoje (segunda-feira) foi um dia importante nessa direção, de afrouxamento da política econômica da China.”

Fenolio ressalta que cada fundo, cada gestor tem sua estratégia, mas que os fundos da WHG – são vários ancorados em mercados chineses - têm sua carteira muito bem balanceada, “com ativos que se beneficiam da queda de juros e da valorização da bolsa” na China.

Política econômica mais frouxa

A ação do governo chinês para reduzir os juros visa ao estímulo da atividade econômica para este e o próximo ano, avalia Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos. Uma perspectiva de cenário que se fortalece muito pelo compromisso assumido pelo governo nessa direção, afirma Everton Medeiros, especialista da Valor Investimentos. “Além da redução da taxa de juros, o governo chinês injetou US$ 31 bilhões para tentar manter a economia em recuperação”, destaca.

Uma inciativa que, combinada com os dados do surpreendente desempenho da economia em 2021, aguça as expectativas dos analistas em relação à meta de crescimento que o governo chinês deve definir para este ano. A estimativa é que fique ao redor de 5%, acredita Fenolio, para quem a nova meta, a ser fixada em março, é um dado central porque “é com base nela que o governo chinês deve calibrar a política econômica.”

Ter um alvo de crescimento que o governo chinês mire é um sinalizador importante, mas sem a relevância que já teve no passado, pelo risco de bolhas que provocam. “As metas de crescimento já foram mais ambiciosas, alavancaram a concessão de crédito”, observa Fenolio. O risco de gerar efeitos colaterais negativos, no entanto, fez com que as metas deixassem de ser um alvo a ser alcançado a qualquer custo. Um caso emblemático é a crise no setor imobiliário que castiga a China.

Política chinesa e americana em direções opostas

O economista-chefe da WHG destaca a relevância do corte dos juros chineses por meio de uma abordagem que abarca vários ângulos de análise. Em primeiro lugar, aponta, “a decisão mostra como a política da China está diferente da americana”, destacando que “o juro americano longo já abriu, enquanto o chinês tende a fechar”.

A tendência é que a retomada de crescimento chinês continue sustentando de forma estável a economia global por mais tempo, até para compensar a desaceleração dos Estados Unidos. Essa análise, contudo, não é suficiente para tomar as decisões. ‘É preciso ver que setores da economia se beneficiarão na China.” E também países da Europa que podem ser favorecidos em termo macro com mudanças na China.

Para Fenolio, um dos setores seria o de mudanças de matriz energética e infraestrutura.  “As commodities talvez venham a ter uma sensibilidade menor ao novo cenário, em relação ao que ocorreu no passado, mas também podem se beneficiar de um efeito positivo.”

Everton Medeiros, especialista da Valor Investimentos, afirma que o segmento de ações é muito movido pela dinâmica da economia, como a que se desenha na China. “Em um sistema de economia globalizada, é fácil e até simples o investidor comum diversificar as carteiras, até mesmo geograficamente.” Mas é preciso decidir com cuidado. “O principal ponto de cautela, no caso da China, é o que traz apreensão ao mercado, a persistente crise no setor imobiliário chinês”, alerta Medeiros.

Leia mais

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.