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Mercado Financeiro

Mercado deve avaliar com atenção as decisões do Fed de retirar mais dinheiro da economia e elevar juros

As duas medidas são negativas para o mercado de ações

Data de publicação:16/12/2021 às 07:00 -
Atualizado 8 meses atrás
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O mercado financeiro ainda tende a avaliar com mais atenção nesta quinta-feira, 16, a decisão do Federal Reserve (Fed, banco central americano) de acelerar a retirada de estímulos à economia dos EUA. Afinal, a Bolsa reagiu com alta às novidades que são negativas para o segmento de ações. Lá fora, os futuros nas bolsas americanas operam no terreno positivo.

Como se previa, o Fed manteve a taxa de juros dos Fed funds próxima de zero – o equivalente americano à Selic brasileira, varia entre zero e 0,25% -, mas vai dobrar o volume de recursos que deixará de injetar no sistema financeiro via recompra de títulos. Subirá para US$ 30 bilhões, em vez dos atuais R$ 15 bilhões, a quantia que deixará de irrigar mensalmente o sistema, o que pode estreitar a liquidez ou a oferta de recursos na economia.

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Decisões do Fed vieram dentro das expectativas de mercado - Foto: Envato

A reação inicial do mercado de ações foi positiva. Em um pregão marcado por forte volatilidade, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, hesitou em um primeiro momento à decisão do Fed, ensaiou um recuo, mas acabou engatando uma alta que levou ao fechamento no azul. O Ibovespa subiu 0,63%, para 107.431 pontos. O dólar avançou 0,25%, para R$ 5,71.

O mercado reagiu com serenidade porque a decisão sobre o tapering (retirada de estímulos monetários) veio alinhada com as expectativas de analistas e gestores. A sinalização do Fed de que pretende promover a alta dos juros em três rodadas, em vez de duas, em 2022 tampouco causou estranheza ou perturbação nos mercados.

Mercado foi influenciado pelas bolsas americanas

O fechamento em alta da B3 foi influenciado, segundo especialistas, pela resposta positiva das bolsas dos EUA às medidas de política monetária anunciadas pelo banco central. O índice Dow Jones teve alta de 1,08%, o S&P500 subiu 1,63% e o Nasdaq, da bolsa eletrônica, avançou 2,35%.

O que tem chamado a atenção de analistas é a persistente valorização do dólar, que coleciona cinco altas seguidas. Aos poucos e sem alarde, a moeda americana avançou para R$ 5,71, maior valor desde 13 de abril deste ano.

Especialistas atribuem a pressão sobre o dólar à procura sazonal pela moeda por parte de empresas para remessa de lucros e dividendos, operação tradicional de fim de ano, à matriz no exterior.

Para conter uma escalada de preços da moeda, o Banco Central reforçou a atuação no mercado de câmbio. Foram três intervenções. Uma de oferta de dólar físico no valor total de US$ 950 milhões, para quem precisou de papel moeda ofertada no mercado à vista. 

Outras duas foram de contratos de swap cambial, no valor total de US$ 1,450 bilhão. Contrato tradicional de swap dá direito ao comprador de adquirir dólares em data futura, uma operação que funciona como proteção contra as oscilações cambiais e, portanto, ajuda a contribuir para frear o avanço  da moeda americana.

Movimentação no exterior

Nova York

Nos Estados Unidos, os futuros das bolsas americanas operando em alta é, segundo analistas, uma resposta do mercado, mostrando algum alívio, sobre a clareza do ritmo da política monetária.

Na visão da estrategista de investimentos globais da Commonwealth Financial Network, Anu Gaggar, os mercados tiveram um "respiro de alívio". "É como se a incerteza tivesse sido dissipada", explica.

No entanto, pode levar mais tempo para que os efeitos dessas medidas sejam perceptíveis, especialmente por conta dos riscos econômicos que a variante ômicron parece capaz de produzir.

Na véspera, o presidente do Fed, Jerome Powell, sinalizou que conter a inflação é agora a chave para sustentar a economia.

Mas essa não é uma tarefa fácil, de acordo com Filipe Teixeira, sócio da Wisir Research, uma vez que outras interrupções da vida cotidiana causadas pela ômicron podem interferir novamente em toda a cadeia de suprimentos, causando também problemas de mão de obra, elevando os custos e causando um novo processo inflacionário.

Futuros/bolsas de Nova York

  • S&P 500: + 0,76%
  • Dow Jones: + 0,65%
  • Nasdaq 100: + 0,85% (dados atualizados às 8h33)

Europa

Na zona do euro, a expectativa se volta para as decisões de política monetária do Banco da Inglaterra e do Banco Central Europeu (BCE) nesta quinta-feira. Por lá, o ambiente é majoritariamente positivo, também refletindo as notícias do Fed.

No front do vírus, a ômicron continua sua propagação global. Uma autoridade europeia disse que a variante provavelmente será a cepa dominante já em janeiro.

Em dados econômicos, o destaque do dia é o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro, que recuou de 55,4 em novembro a 53,4 na leitura preliminar de dezembro, atingindo mínima em nove meses, segundo a IHS Markit. Analistas projetavam um recuo a 54,5.

Segundo a IHS Markit, o desempenho reflete o aumento no número de casos de covid-19 na Europa, que se sobrepôs ao alívio em gargalos nas cadeias produtivas.

"Olhando para o futuro, a variante ômicron aprofunda riscos negativos para as perspectivas de crescimento, à medida que avançamos em 2022", avalia o economista Chris Williamson, da IHS Markit.

Além disso, a Eurostat divulgou os dados de exportações e importações do continente. De acordo com a agência oficial de estatísticas da União Europeia, as exportações avançaram 2,4% em outubro ante setembro. O resultado marca a retomada do crescimento dos embarques, após queda pontual no mês anterior.

As importações da região subiram 4,3% na mesma base comparativa. Sobre outubro de 2020, o aumento das exportações foi de 7,3%, enquanto as importações se elevaram 24,1%, ainda de acordo com o órgão estatístico.

Com os indicadores, o superávit comercial ajustado na zona do euro somou 2,4 bilhões de euros em outubro, uma queda em relação ao saldo positivo de 6,1 bilhões de euros registrado em setembro.

No Reino Unido, o PMI composto do Reino Unido recuou de 57,6 em novembro 53,2 na leitura preliminar de dezembro, segundo o IHS Markit.  Analistas projetavam queda a 56,3.

Movimentação/bolsas europeias

  • FTSE MIB (Milão): - 0,63%
  • Stoxx 600 (Europa): + 1,64%
  • FTSE 100 (Londres): + 1,26%
  • DAX (Frankfurt): +1,88%
  • CAC 40 (Paris): +1,65%
  • PSI 20 (Lisboa): + 0,90%
  • Ibex 35 (Madrid): + 1,70% (dados atualizados às 8h42)

Ásia

As bolsas da Ásia fecharam em alta firme nesta quinta-feira, seguindo a reação a positiva em Wall Street à decisão de política monetária do Fed. O cenário empurrou ao segundo plano as preocupações relacionadas à variante ômicron no continente e à crise de liquidez no mercado imobiliário chinês.

Ontem, a Câmara dos Representantes japonesa aprovou um orçamento suplementar que prevê mais de US$ 300 bilhões em estímulos econômicos.

Com isso, a queda no índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto do país, informada pela IHS Makit e Jibun Bank hoje, acabou ignorada por investidores. As atenções de operadores agora, se voltam para a decisão monetária do Banco do Japão, nesta sexta-feira, 17.

Na Coreia do Sul, autoridades sul-coreanas adotaram novas restrições à mobilidade para conter a nova cepa. Decidiram proibir aglomerações de cinco pessoas ou mais, depois que o país registrou recorde diário no número de casos de covid-19.

Na China, o papel da Evergrande subiu 3,23%, recuperando-se das perdas recentes, após notícia de que credores processaram a incorporadora chinesa após a empresa entrar em default.

Na Oceania, o Estado mais populoso da Austrália, New South Wales reportou 1.742 casos de covid-19 hoje, segundo dia consecutivo com recorde diário. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Fechamento/ principais bolsas asiáticas

  • Nikkei (Tóquio): + 2,13% (29.066 pontos)
  • Kospi (Seul): + 0,57% (3.006 pontos)
  • Taiex (Taiwan): + 0,71% (17.785 pontos)
  • Hang Seng (Hong Kong): + 0,23% (23.475 pontos)
  • S&P/ASX 200 (Sydnei): - 0,43% (7.295 pontos)
Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.