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Liquidação do fundo de cripto Three Arrows Capital não é um fato isolado, dizem especialistas

Mercado de criptos vive fase de baixa e falta de regulação facilita as falências

Data de publicação:04/07/2022 às 15:52 -
Atualizado um mês atrás
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Na semana passada, o fundo de hedge cripto Three Arrows Capital (3AC) entrou em liquidação, segundo a agência de notícias Reuters. E de acordo com especialistas, esse pode não ser um caso isolado e novas liquidações de fundos de criptomoedas podem ocorrer.

Em relação ao fundo da 3AC, com sede em Cingapura, Cristina Helena Pinto de Mello, professora da ESPM, aponta que era um fundo muito agressivo e que tinha grande exposição, além de uma governança fraca.

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Cristina Helena Pinto de Mello, da ESPM, acredita que novas liquidações de fundos cripto podem ocorrer e que o investidor deve medir sua tolerância ao risco para se posicionar - Foto: ESPM/divulgação

“Confiou na valorização das criptos e não apostou na reversão de preços”, aponta.

Cristina Helena Pinto de Mello, da ESPM

O pedido de liquidação do fundo foi feita pela plataforma Voyager Digital, após a Three Arrows Capital não saldar um empréstimo de 15.250 bitcoins e mais US$ 350 milhões em USDC, totalizando um prejuízo de mais de US$ 650 milhões.

Esse não foi o primeiro evento desafiador vivido pelas empresas que fazem a gestão de criptos. Em maio, a criptomoeda Terra, que é negociada com o ticker LUNA no mercado financeiro, em apenas sete dias perdeu praticamente todo o seu valor entre os investidores.

No meio do mês de junho, a rede Celsius interrompeu os saques após citar condições extremas de mercado.

No dia anterior, a credora de criptomoedas Valud suspendeu saques e contratou consultores para avaliar uma possível reestruturação. A decisão aconteceu cerca de três semanas após a empresa sinalizar que suas operações seguiam normalmente.

No mesmo dia, a CoinLoan comunicou a suspensão de saques, "na tentativa de equilibrar o fluxo dos fundos e prevenir as interrupções ligadas à liquidez", segundo comunicado da empresa.

Falta de regulação

Para Isac Costa, advogado e professor do Ibmec, a falta de regulação do mercado é um dos pontos que tornam esse fato não isolado.

“Enquanto as empresas puderem operar com recursos de clientes, o risco dessas operações é grande, podendo levar outros fundos de cripto à ruína”, avalia.

Isac Costa, do Ibmec

Mercado em queda

A queda do fundo da 3AC, que vinha enfrentando dificuldades com o comportamento do mercado, ocorreu em um momento de forte queda das criptomoedas.

Somente o bitcoin, uma das moedas digitais mais populares, caiu cerca de 37% em junho. Nesta terça-feira, 5, após ensaiar alta no dia anterior, a moeda digital passou a cair novamente, contaminada pelo pessimismo do mercado com as suspensão de saques das exchanges. A queda ultrapassa 1% e a faixa de preço está em US$ 19.000.

Recomendações

Para os especialistas entrevistados para essa reportagem, o investidor não deve sair correndo e tirando seus recursos das criptomoedas, com a baixa do mercado e por eventos como os descritos acima, sem pensar.

Tudo vai depender do perfil de cada um e do porcentual de alocação. Costa, do Ibmec, tem que avaliar o nível de risco e perda que consegue suportar.

“Se o porcentual for pequeno e o investidor entender os fundamentos de funcionamento das criptos, ele pode esperar o retorno dos preços”, aconselha.

Para o professor Gustavo Torrente, da FIAP, sua recomendação é que os investidores aguardem a tempestade passar para não perderem mais dinheiro.

“Esse é um mercado que vai reagir naturalmente. É questão de tempo”.

Gustavo Torrente, da FIAP

No entanto, se a exposição for maior, em torno de 50% a 60% do patrimônio, a recomendação é buscar reduzir essa participação e apostar em outras opções.

Cristina, da ESPM, aponta que hoje existem boas opções de investimentos com uma performance melhor do que a registrada no passado por conta da alta da taxa de juros, como é o caso da renda fixa.

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Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.